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      Tag: tom zé

    • o tom do zé

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      É amanhã que o icônico Tom Zé sobe ao palco do Circo Voador pro show de ‘Vira Lata na Via Láctea’. O nome intriga e ele também. A verdade é que Tom Zé é dos poucos e é pra muitos. A gente foi lá trocar uma ideia com ele sobre vida, poesia, música… Sobre o que alimenta a alma, sabe?

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      ‘Vira Lata na Via Láctea’ foge do que o povo chama de obra conceitual pra se aproximar das ‘capelas irradiantes medievais que partem da centralidade arquitetônica pra assumir nichos e ninhos próprios‘, explica. O processo de criação dele também passeia por essa construção, feito um trabalho de artesão:

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      “Na hora de compor, trabalho horas e horas pra extrair dois ou três compassos de quilos de tempo. Faço, refaço, trefaço, quadrifaço. Com letra é a mesma coisa. Refazer é um destino do que consigo criar”, conta.

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      A gente bem sente que a arte nos permite imergir numa realidade mais otimista e simbólica. É quase um acreditar na gente mesmo e disso o Tom Zé entende bem: “Ver uma pessoa como o médico Miguel Niconelis levando brasileiros do norte à ciência, estimulando ciências e pessoas é uma beleza. Pouco se fala nisso e aí o que me dói é justamente esse automenosprezo brasileiro desembocando numa falta de otimismo castradora…

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      … Sem otimismo não é possível nem acordar – acordar lato senso – de manhã. Você acorda pra ir ao encontro da luz, ou, se for notívago, pra viver o alvorecer do corpo. Por mais dores que tenhamos, é preciso ser forte, forte como o sertanejo de Euclides da Cunha. Tá precisando de sertanejo na brasilidade”, fala.

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      Entender a brasilidade é entender a beleza de sermos muitos – híbridos, miscigenados e, por isso, únicos dentro desse universo vivo e gigante de possibilidades: “Você vê que no título do disco não há hífen. O vira lata é verbo mais substantivo, a ideia é virar lata nos espaços estelares, na galáxia. Desenobrecer rindo. Na nossa atualidade, se intensificou uma acelaração que vem desembestando há décadas. A rapidez está em alta. Não está dando tempo pro humor galhofeiro, necessário até pra encarar a tristeza”.

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      E é aí, nessa qualidade do tempo onde tudo tem pressa, o Tom Zé se atenta à nova geração: “Os meninos da música que está brotando são muito estimulantes. Quando recebo discos dessa turma, ouço com curiosidade e se a curiosidade se mantém depois de algumas faixas, é um bom sinal, uma pedra, um toque… Pela internet já me chegaram pessoas cheias de graça e de ânimo”. Ele confessou que curte O Terno e Emicida!

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      A verdade é que a gente não queria que o papo acabasse e pra estender a prosa (agradecemos!), ele aproveitou pra contar o que tá lendo: “É ‘Meu tio o Iauaretê’, do livro ‘Estas Estórias’, de Guimarães Rosa. Nosso idioma não é um só, há muitos e Rosa descobre uma linguagem, outra, outra… Você ouve dentro de si a voz de uma criatura falando uma linguagem misturada com a sua, a minha. E nos lembramos que há dialetos mil pela rua: só é preciso um falante e um escutador. Escutem, meninos. A alma fala!”.

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      fotos: divulgação

      Partiu entrar em contagem regressiva pro show que rola amanhã, no Circo, a partir das 22h? Generoso nas palavras, ele espera que a estréia do disco novo seja coisa muita, um encontro, uma nova alegria. E a gente também!

      Valeu, Tom Zé! 

      16.07.15