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      Tag: lgbt

    • 29/01 e a Visibilidade Trans


      O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. É com essa verdade dolorida que a gente começa esse post, no Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data de hoje tem como objetivo chamar atenção da sociedade sobre as violências cotidianas sofridas por pessoas trans, além do local de marginalidade onde infelizmente seguem inseridos.

      Convidamos a Gabi Loran, nossa parceira, pra falar mais sobre esse dia, pela ótica de uma mulher trans. É pra refletir, pra abrir os olhos e a mente da gente.

      “Hoje é 29 de Janeiro!
      Dia da Visibilidade trans. Você sabe qual a importância dessa data? Por que é comemorada hoje? E o que é trans, travesti? Vem cá que vou te explicar tudo isso.

      Bom, gente, fico muito feliz quando se trata de falar sobre a bandeira que carrego, ainda mais sendo hoje um dia tão especial e potente para nós, pessoas trans. Eu sou Gabriela Loran e vou apresentá-los algumas informações sobre o dia de hoje.

      Para começar esse rolê: vamos entender como 29 de Janeiro se tornou o nosso dia? Como foi escolhida a data 29 de Janeiro para o Dia da Visibilidade Trans?

      Tudo começou no dia 29 de Janeiro de 2004, quando 27 travestis, mulheres transexuais e homens trans entraram no Congresso Nacional em Brasília bem rainhas donas de si e empoderadíssimas para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, do Departamento de IST, AIDS e Hepatites do Ministério da Saúde. Foi a primeira campanha nacional idealizada e organizada pelas próprias trans. Tá vendo o quão capacitadas nós somos? Só nos falta a oportunidade.

      Mas você pode estar ser perguntando o que é ser uma pessoa trans. Travesti? Homen trans? CALMA!

      Segue abaixo um pequeno glossário onde você podem tirar essas dúvidas

      LGBTI+: Sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais.

      Trans: Termo que engloba travestis, transexuais e transgêneros.

      Transfobia: Violência e discriminação contra pessoas trans por conta de sua condição.

      Transgênero: Terminologia usada para descrever quem transita entre os gêneros. São pessoas cuja identidade de gênero transcende as definições convencionais de sexualidade. Segundo Toni Reis, organizador do Manual de Comunicação LGBTI+, o termo transgênero engloba travestis e transexuais.

      Transexual: Aquele que possui uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento. As pessoas transexuais podem ser homens ou mulheres, que procuram se adequar à identidade de gênero e, geralmente (não necessariamente), gostariam de fazer a redesignação de sexo. Algumas pessoas trans recorrem a tratamentos médicos, que vão da terapia hormonal à cirurgia de redesignação sexual. São usadas as expressões homem trans e mulher trans.

      Travesti: Poderia ser sinônimo de transexual, mas tem uma ressignificação a partir da luta contra o estigma da associação à prostituição. É a pessoa que nasceu com determinado sexo, ao qual foi atribuído culturalmente o gênero considerado correspondente pela sociedade, mas que passa a se identificar e construir nela mesma o gênero oposto. Em geral (não necessariamente), a pessoa travesti não quer fazer a transgenitalização. A palavra “travesti” adquiriu um teor político de ressignificação de um termo historicamente tido como pejorativo.

      *Termos baseados no Manual de Comunicação LGBTI+ e em consultoria ao organizador Toni Reis, pós-doutor em Educação e ativista em Direitos Humanos.

      E aí amores? Conseguiram entender um pouquinho? Calma que tem mais!Agora vou compartilhar com você um pouco da minha vivência enquanto pessoa trans.

      Eu sou atriz, modelo, DJ, youtuber do Canal Gabriela Loran, palestrante, dançarina, influenciadora e dentre tudo isso eu também sou uma mulher trans. Uma mulher que transcendeu o gênero que foi atribuído a mim no momento em que nasci por um sistema cruel e binário de gênero. Ao longo de toda minha caminhada enquanto pessoa trans, tive  a oportunidade de participar de uma convenção da FARM e sentir o gostinho de começar minha carreira na moda, ocupando um espaço muito importante de destaque. Nós, pessoas trans, estamos constantemente em vulnerabilidade social, econômica e existencial. Por isso é tão importante nos empregar, nos dar a chance de provar que somos capazes. E eu tive essa oportunidade na FARM.

      Logo depois disso finalizei minha graduação em Artes Cênicas e cai no mundo do teatro e das artes! Fiz muitas peças. Uma delas foi “Incômodos”, um espetáculo que falava sobre os incômodos que nós mulheres cis e trans sofremos diariamente apenas por sermos mulheres. Além disso, fui convidada para viver a personagem Priscila na novela teen Malhação Vidas Brasileiras, na Globo. Fui a primeira atriz trans a viver uma personagem trans nessa novela.

      Foi tão importante poder falar sobre a questão trans em rede nacional, pois pude ajudar diversas pessoas a entenderem mais sobre o que é ser trans, e o mais importante: que nós pessoas trans existimos e podemos ocupar um lugar como esse. Porém é necessário sempre querer mais e mais. Estamos conquistando um pequeno espaço mas precisamos de mais!

       Mas para além de ser um data importante, a verdade mensagem que nós queremos passar hoje é um pedido de humanização dos nosso corpos trans e travestis – e nós precisamos muito de vocês, pessoas trans. Sozinhas somos fortes, mas com vocês podemos ser muito mais. Se perguntem quantas pessoas trans você conhece,  quantas pessoas trans já foram na sua casa,  se você empregaria uma pessoa trans. Com essas respostas, você pode ter noção do quão somos invisibilizadas constantemente nessa sociedade que nos mata todos os dias.

      Pra finalizar, gostaria de compartilhar com vocês um poema onde faço analogia do meu corpo trans com os pássaros, que foi construído durante o meu período de transição. Em um momento em que lutava contra a depressão, foi preciso apenas olhar para o céu e ver os pássaros voando.

      Seres Alados

      O céu é o refúgio dos seres alados
      Quem dera eu, um ser alado
      Imensidão azul
      Liberdade sem limites
      Eu e o céu
      O céu e Eu
      Não mais olhares…
      Voar sem olhar para trás…
      Apenas avante
      Não me peça para parar
      Me livrei das minhas correntes
      Do passado só restam as cicatrizes
      Que marcam a minha alma
      Mas… o que o futuro promete?
      É isso, é isso que eu quero!
      Um ser alado agora eu sou Agora eu VOU
      VÔO
      VOAR
      VOAREI…

      Quero dedicar essa postagem e o poema à Quelly da Silva, mulher travesti de 35 anos que foi assassinada brutalmente e teve seu coração arrancado em Campinas por um monstro, com a brutalidade de guardar o órgão arrancado no armário e colocar a imagem de uma santa no lugar do coração. Quelly vive em mim e em todas as vidas trans que são ceifadas diariamente nesse país. Que seja o ano da visibilidade trans, que nosso dia sejam todos os dias!”

      29.01.19
    • graciosa divindade 

      A experiência de ouvir o último álbum do cantor e compositor Bruno Capinan pode ser exatamente aquela imersão musical que você precisava nesse finzinho de ano, quando a gente começa a querer desacelerar e se conectar com algo maior, invisível e poderoso dentro de nós. E como a música pode ajudar, né?! 

      Divina graça é o terceiro trabalho do Bruno e foi produzido por Ben Gil (alô, Gilberto Gil! ) e Domenico Lancelotti. O nome do álbum – que é também o título da primeira faixa do disco – é uma brincadeira com a música do hino baiano do Senhor do Bonfim. "Um trocadilho com o “graça divina” do hino, e a ligação cada vez mais constante com minhas raízes baianas e o candomblé”, conta o cantor.

      E falando em Bahia, foi lá que muitas das músicas nasceram. A gente consegue sentir isso na levada das canções e principalmente na faixa Saint Salvador, canção quente e escrita com Ben gil – e que cita o bloco afro-baiano Ilê Ayê. Mas não é só na Bahia que mora a fonte desse balanço todo: muitas das canções foram escritas no trecho migratório do artista, que circula entre Rio, São Paulo, Toronto (que é onde ele vive há 15 anos) e Santa Cruz, na Califórnia

      O primeiro single do disco, Vicente, é também o primeiro vídeo a ser lançado do álbum e foi gravado aqui no Rio, pelo fotógrafo Daryan Dornelles. A música nasceu de uma caminhada entre Santa Teresa e o metrô da Glória, quando Bruno se esbarrou com um carioca dos olhos cor de mel, chamado Vicente: "Perdi o chão", diz ele. 

      A temática gay, aliás, é o principal pilar deste trabalho de Capinan. Ele quis falar do amor de uma maneira totalmente plena e com zero de discrição, cantando o amor para todas as tribos:“Li algumas coisas do escritor gaúcho João Gilberto Noll, Manuel Bandeira, Rimmbound, W. H. Auden, e tive a sorte de dividir com Caetano Veloso, na Bahia, alguns momentos de contemplação que serviram de combustível e coragem pra peitar o desafio de fazer um disco essencialmente gay, com canções que escrevi para homens pelos quais ‘eu me deixei seduzir’”.

      Ah! E pra capa, o cantor chamou, além do fotógrafo Daryan, os meninos da festa Batekoo, que rola lá na Lapa. “Negros lindos, representantes de uma turma cada vez mais articulada e que tem total conhecimento da importância do empoderamento negro e negro LGBT”, afirma o artista.

      Para ele, Divina Graça é assim, cheio de amor e de questões. E por aqui, a gente tá amando: já virou trilha sonora pro verão de pé na areia e alma lavada! 

      Pra curtir balançando na rede  vem ouvir!

      31.12.16