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      Tag: belém

    • Festa Lambateria

      Outubro chegou, e com ele a animação dos paraenses para o festejo mais aguardado do ano em Belém: o Círio de Nazaré. A procissão, que reúne milhões de pessoas, movimenta a economia, o turismo e faz com que os olhos do Brasil inteiro se voltem para a capital paraense.

      É justamente nessa época, aproveitando que a cidade tá lotada de turistas, que rola o festival Lambateria. Artistas da nova geração se juntam a bandas e cantores já consagrados pra mostrar o que a música paraense tem de melhor. Em 2017, na estreia do evento, foram 7 shows. O sucesso foi tanto, que a segunda edição vai acontecer em dois dias. Nos dias 11 e 12 de outubro (quinta e sexta), nomes como Gaby Amarantos e Lia Sophia vão se apresentar no palco do festival.

      Félix Robatto, um dos idealizadores do festival, comemora o sucesso do evento.

      “A Lambateria já está no calendário cultural da cidade, é parada obrigatória pra quem quer conhecer as novidades da cena e artistas com trabalhos consolidados. Em outubro, quando Belém fica em evidência por conta do Círio, nosso Festival funciona como uma grande vitrine com diferentes recortes da nossa música. É um resumo do que realizamos na festa ao longo do ano. Nosso line up, vai dos novos e maravilhosos Mastodontes ao rei Pinduca, que foi um dos shows mais festejados na edição passada”, celebra.

      Esssa vai ser a segunda edição do festival – criado graças à festa homônima – que desde 2016 prova que economia criativa é sim viável. Com cerca de 11o edições realizadas até hoje, a festa não possui patrocínios e todos os trabalhadores envolvidos (atrações, equipe de segurança e bilheteria) são pagos com a renda arrecadada na bilheteria. O festival vai contar ainda com expositores independentes de gastronomia  – de pastel à burger vegano, passando por comidas paraenses e sorvete! Pra quem quiser uma lembrancinha do evento, vai ter também a loja Lambateria, vendendo camisas floridas e discos dos artistas participantes.

      Se você estiver em Belém pro Círio, que tal aproveitar pra curtir a cena musical paraense no Lambateria?

      09.10.18
    • natureza de Belém

      Belém, não por acaso, é a cidade das mangueiras. Em uma das principais avenidas (avenida Nazaré) os carros passam em um corredor cheio de árvores, e na chuva todos ficam temerosos com as mangas que caem. Todo mundo tem, aliás, uma boa história com a manga, e a minha é a seguinte: uma já caiu em cima do meu fichário quando eu saía do colégio, fiquei aliviada por não ser na cabeça, levei pra casa e comi! Tem relação mais intensa com a natureza que essa? Além de ser uma cidade cercada por rios

      No meio da cidade, tem as praças arborizadas: República, Batista Campos, Praça Brasil… E ainda o parque do Utinga, uma opção boa pra quem quer pedalar ou fazer uma trilha, e dar de cara com um igarapé verdinho e gelado (sempre bom ir acompanhado de um grupo!) ou ver as pessoas enchendo garrafões de agua em uma nascente no meio do parque, água pura e limpa. Sem esquecer do Parque dos Igarapés, o restaurante Terra do Meio (que também tem Igarapé verdinho), e a Ilha do Combú, que falo tanto e não me canso, pertinho da cidade, só atravessar de "pô-pô-pô" (barquinho) e pronto: banho de Rio, peixe, pôr-do-sol e muito verde. 

      Praia de água doce a 70km da cidade também não é pra qualquer um, né? Mosqueiro que o diga! 

      Pra mim, natureza é nossa maior conexão com o nosso interior e com a nossa força. Vamos valorizar e cuidar disso, respeitar e nos encontrar sempre com ela! 

       

      06.06.17
    • a música e a força de liège

      Liège é cantora, compositora e intérprete, cresceu em Mosqueiro – praia de água doce a alguns quilômetros de Belém, no Pará – cidade onde mora atualmente e onde vem conquistando cada vez mais espaço e fãs. 

      Foi falando de música, passado, futuro e, claro, de sonhos, que realizamos a entrevista, na "Ilha do Combu", às margens do Rio Guamá. Chegamos de barquinho e de cara fomos recebidas com um arco-íris. Depois dessas “boas vindas”, só poderia vir papo bom pela frente, né?

      Quando você conhece Liège a fundo, entende que cada letra que ela canta tem o sentimento forte e real de quem já passou por poucas e boas: a luta contra seu próprio machismo, o processo de aceitação de sua carreira como cantora, suas descobertas, sua batalha como mãe aos 23, os embates com a família e sociedade. Como ela mesma diz: "Já passei por tanta coisa, que hoje se um raio cair na minha cabeça, sinto que eu poderia levantar e seguir".

      Pra entender como ela seguiu essa carreira, basta olhar o quê e quem esteve a sua volta: sua avó, dona Joana, poliglota que toca cavaquinho desde o 5 anos de idade, além de piano e violão (que aprendeu com seu pai musicista e professor de flauta doce), toca até hoje, aos 91 anos.

      Seu avô, Joanilson Baker Agrassar, foi precursor da "Rádio Cipó", popular na cidadezinha de Mosqueiro, mesmo lugar onde sua mãe começou a trabalhar como locutora aos 16 anos e onde conheceu o pai de Liège. Grávida, ela acabou desistindo da carreira na música, o que, por pouco, não se repetiu com sua filha.


       
      A Rádio do seu avô, um símbolo da sua história. Em visita recente, se emocionou relembrando e sentindo toda a carga de sua ancestralidade, enxergando de forma tão real e crua o impacto do tempo, nos móveis e em si própria. O tempo é mesmo lindo e assustador. 
      Aos 11 anos Liège já usava o violão do irmão e, de forma autoditada, aprendeu a tocar. Ao mesmo tempo, ganhava prêmios de poesia de escola e foi com essa mesma idade que compôs sua primeira música. Quando completou 15 anos, um amigo de seu pai, que tocava em uma banda tradicional da cidade, a viu cantar e convenceu sua família a deixa-la cantar nos barzinhos. Sua história nunca existiu sem a música e o destino desde cedo parecia já desenhar os caminhos em que ela seguiria. Sua missão era, mesmo, cantar

      Quando engravidou de sua filha Lis, decidiu que pararia de cantar e começou a trabalhar como servidora pública, mas sem deixar de compôr, e seguiu empilhando arsenais de letras nas gavetas. Incentivada por amigos e por músicos, como o grande violinista Salomão Habbib que, ao ver suas composições, a fez prometer que ela investiria em suas canções autorais, e ainda Felix Robatto, que tinha acabado de sair da banda e da produção musical da cantora conterrânea Gaby Amarantos e procurava artistas pra produzir, o grande sonho começou. Em 2013 gravaram, em parceria com Dan Bordallo, sua primeira música, "Toute la vie", que homenageia sua filha, junto com um videoclipe que ela considera um verdadeiro registro familiar.

      Em 2014 a artista teve problemas de saúde, passou por  cirurgias e descobriu que tinha um tumor: "De repente me vi em meio a um furação. 2014 foi um ano de transformação interna, em que me percebi como uma mulher forte, com uma história de vida forte. Acho que a doença me fez repensar os meus vários caminhos, e que aquelas canções construídas de forma tão leve talvez não me representassem mais", confessa.

      Enquanto conversávamos, lembrei de um show que Liège fez em 2015, em um festival local, e no qual eu estava na plateia. No período, Liège estava doente e o médico a liberou apenas pra cantar sentada e sem se mexer muito, devido ao risco do tumor estourar. Ainda assim, ela cantou "Filho de Gal" com toda sua força e diz ter recebido uma energia tão intensa nesse dia que, quando acabou ao show, ela já não lembrava o que tinha feito. Quem a conhecia se preocupou, porque ela não apenas levantou, como dançou do início ao fim. Terminou o show e as pessoas gritavam e aplaudiam, eufóricas: “Foi um impacto sentir, pela primeira vez, as pessoas gritando enquanto eu tocava nas suas mãos”.

      Ela acredita que a música possui algo que vai além da sua compreensão. Assim como o processo de composição, que normalmente ocorre as 3:00 da manhã:  "Eu escrevo e acordo lembrando da melodia, mas não consigo lembrar do raciocínio que me levou a construir aquelas palavras. Me emociono e é muito forte, porque sei que não fui eu, que fui apenas um instrumento de algo não terreno. Pode parecer tolo, clichê, mas me sinto um portal, por isso creio que essa é sim a minha missão."

      Depois de ter passado por várias fases, sua música se transformou "Chegou um momento que ficou insuportável cantar coisas tão doces, como "Tout la Vie", sentindo coisas tão diferentes dentro de mim. Uma nova Liège nasceu, desconstruindo tudo e minha música mudou. Canto liberdade de expressão, sexual e de gênero, de ser o que se quer ser. Falo sobre diferenças sociais, canto contra padrões, não sou a mesma pessoa e as minhas composições também mudaram. Mudei até o meu jeito de vestir e a minha música é bem mais agressiva, direta e reta", conta. 

      Ano passado Liége teve o prazer de sentir a energia do mesmo palco que seria ocupado por uma das maiores vozes da música brasileira, voz feminina transgressora na qual ela se espelha e admira desde a adolescência, Gal Costa. Ela abriu o show com a composição “Filho de Gal”, canção que, não por acaso, leva o nome da cantora. Nesse ano, Liége lança ainda uma composição junto com Dona Onete, outro nome feminino que a inspira.

      Recentemente a artista abriu shows do Jonny Hooker, Tiê, cantou junto com o Baile do Simonal em Belém, e várias outras portas estão se abrindo. Dia 11 de maio, Liège se apresenta em SP, no Baderna Bar. Dia 13 de maio ela estará na casa Francisco, em Santa Tereza, no RJ. E em julho desse ano embarca em uma empreitada internacional, com uma temporada fazendo turnê no estado norte-americano do Texas

      A entrevista foi uma delícia e encerramos comendo caranguejo, vendo o pôr do sol e ouvindo Liège dar canja com seu violão. Ela finalizou: "É disso que eu quero viver, é o que eu quero fazer, vou correr atrás até o fim e buscar o meu espaço. Tem muita gente me apoiando, meu público, meus figurinistas, produtores, músicos, amigos, gente que acredita em mim, e por eles e para eles, eu não posso e não vou parar".

      Editorial Liège – Vitória leona 
      Figurino – Johnatan Camelo 
      Colaboração – Viny Araújo 
      Fotos Radio – Tereza Maciel 

      10.05.17
    • rádio farm turnê – mohandas – belém

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      Como você já leu por aqui, a turnê do mohandas por Buenos Aires, Recife e Paraíba foi só amor… agora eles vêm fechar a série de posts contando mais sobre os shows em Belém. Se liga:

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      “Em Belém do Pará, última parada da turnê, rolou uma situação curiosa: descobrimos que éramos uma banda desconhecida, cuja música,“Saudades do Pará”, no entanto, era conhecidíssima do público, uma espécie de hit oculto nas rádios locais, com refrão conhecido e autoria ignorada. Reza a lenda que até Tom Zé já a havia cantado por lá.

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      Nas entrevistas de rádio que fizemos, conforme íamos conhecendo as pessoas, e principalmente durante os shows, fomos sendo identificados como “a banda de Saudades do Pará” – “ah, então são vocês!” –, o que foi nos inundando daquela sensação incrível de estar chegando em um lugar que já sentia nossa presença. Via de mão-dupla, fomos saudados, acarinhados, e finalmente conhecidos e reconhecidos! Nos últimos dias, um profundo sentimento de gratidão tomou de assalto nossa relação com a cidade.

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      Belém respira uma cultura interessantíssima em que o moderno e o tradicional, o popular e o erudito, o antigo e o novo, constroem um modo único de expressão cultural. Cidade tropical, abastecida e delineada por um dos maiores fluxos fluviais do mundo, se ergue como um porto aberto para o mundo, abraçando a circulação de pessoas, coisas, sons, gostos, costumes.

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      A Belle Époque do ciclo da borracha ainda se faz presente nos traços da belíssima arquitetura colonial, nos casarões de alto pé-direito às praças amplas e arborizadas, na fachada imponente do Theatro da Paz ao gracioso e convidativo Teatro Waldemar Henrique. Ao mesmo tempo, toda a magia e riqueza dos mercados populares encontra em Belém uma espécie de ápice, no formidável Ver-o-peso, no Mercado municipal de São Brás, nas diversas aglomerações de barraquinhas de rua espalhadas pela Cidade Velha.

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      A música paraense há muito deixou de ser periférica pra constituir-se em mais um dos polos centrais na atual produção musical brasileira. O Brasil vem descobrindo tardiamente (mas antes tarde do que nunca!) uma terra de mestres: Pinduca, Vieira, Verequete, Laurentino, Cupijó, Curica, Aldo Sena, Dona Onete, a lista é farta e assombrosa e a raiz é profunda. O tecnobrega e o tecnomelody de artistas como Gaby Amarantos e Gang do Eletro já viraram produtos de exportação.

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      Belém tem uma cena forte de experimentação eletrônica, que misturada aos gêneros populares locais, como carimbó, brega, siriá, guitarrada, lambada e etc, encena novas linguagens e novas maneiras de produzir o novo a partir do repertório de tradições buriladas por décadas. Por sinal, a cidade é roqueira, tem apreço por altos decibéis, frequências sub-graves, programações eletrônicas invadindo a música orgânica, o sabor caribenho do reggae e toda a herança da musicalidade indígena: Belém é um laboratório vivo!

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      Nossa passagem pelo belo casarão onde fica o Café com Arte, foi apenas o esquenta pro que estava por vir. Na noite seguinte, num lugar lindo (Hotel Goldmar, às margens do Rio Guamá) e abarrotado, vibramos com o calor do público que dançou e cantou conosco. Foi um show animado, com som e luz de primeira, coisa fina!

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      Na sequência, subiu ao palco a Orquestra Contemporânea de Olinda, uma power orquestra com repertório autoral e vibrante, de excelentes músicos, realmente um trabalho que promete ainda dar muito caldo na música brasileira. A noite marcava o lançamento do novo disco de Felipe Cordeiro, artista paraense radicado em São Paulo, que fechou com seu repertório caliente e inventivo e não deixou ninguém parado.

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      Pra fechar com chave de ouro a turnê, no domingo tocamos num lugar delicioso, a Galeria Gotazkaen, dentro do Poukaz Trancaz, um evento de livre mostra e troca de artes. Os donos dessa galeria, que fica perto da Praça da República, foram muito amáveis e fizeram da nossa estada em Belém um porto seguro com sua amizade e atenção. Nosso muito obrigado a eles!  A noite não poderia terminar melhor, com o pessoal devorando uns sanduíches de rua, maravilhosos, no Rosário Lanches. O “X-leitão” virou um xodó da galera!

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      Aliás, comida em Belém é um assunto que dá água na boca. Você já experimentou tacacá, tucupi, caldeirada, peixes como Tucunaré e Tambaqui, o açaí com tapioca (que apenas na cor se assemelha ao que temos aqui no Rio), a maniçoba, o arroz paraense? Comer esses pratos é um acontecimento em si, evocam sensações inesquecíveis, fazem você imergir na cultura amazônica e sentir um pouco da magia que a torna única e especial.

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      Ah, claro, não poderia deixar de fazer uma ode à grande estrela do lugar, o Jambú! Uma hortaliça cujas folhas, talos e flores são ingredientes onipresentes na culinária local. O Jambú tem a peculiaridade de deixar a boca dormente, por isso tem ficado famosa uma cachaça artesanal inventada por lá, vendida e patenteada pelo Léo, uma figura super simpática que faz jus à sua invenção. Você precisa conhecer o Jambú!

      https://www.youtube.com/watch?v=guatwYq6678

      Trema daí que eu tremo de cá, tudo em nós é o gosto e as saudades do Pará! Avante mohandas!”

      Agora aproveita que a playlist deles na nossa rádio tá atualizadíssima!

      26.05.14