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      Tag: yawanawa

    • parcerias da coleção

      Natureza Feminina é a nossa conexão com a nossa verdade interior. Para aflorar a nova coleção mergulhamos fundo na essência que pulsa de dentro pra fora. É a força do nosso feminino: potente, intuitivo e múltiplo.

      Queremos despertar o feminino em todas e todos nós. Juntos. Por isso, demos vida à coleção com parceiras inspiradoras que nos conectam a nossa natureza feminina através do cuidado, amor e muita entrega. Vem conhecer!

      CONEXÃO
      Bebel Clark, Carol Bergier e Vanessa Moutinho

      Para honrar ainda mais a conexão com o feminino e com os arquétipos que a simbologia traz, a convidamo a Bebel Clark, terapeuta, comunicadora e estudiosa do Feminino Essencial no ser humano pra ajudar a construir a narrativa da coleção, além de desenhar as oficinas e os encontros foram apresentados na convenção – que foi uma emoção só!, feita pra nossa equipe de criação, vendedoras e gerentes de todo Brasil. A convenção também foi desenvolvida ao lado da artista, facilitadora e fundadora da Fértil, Vanessa Moutinho, e da impulsionadora de alinhamento vocacional e propósito, Carol Bergier. Vale muito acompanhar o trabalho das três!

      “A conexão com a Natureza Feminina é primordial para uma vida mais equilibrada, e isso acontece através de quatro elementos: água, que nos conecta às emoções; terra, que nos traz estrutura e nutrição de base; fogo, que fortalece nossa coragem e transforma as ações; ar, que ajuda em nossa comunicação e inspiração. Como numa dança, eles bailam dentro e fora de nós. Vivemos em um mundo onde homens e mulheres estão carentes desta energia essencial”. Bebel Clark

      NATUREZA
      Mariazinha Yawanawa + RAUTIHU

      As mulheres de 9 aldeias do povo Yawanawa, que fazem parte do projeto RAUTIHU, foram parceiras no inverno 19 com aplicação de miçangas em diversas peças e continuam com a gente nesse verão de um jeito ainda mais especial: além dos RAUTI, acessórios de beleza e proteção com nome escolhido por elas mesmas, lideradas pela Mariazinha, a primeira cacique mulher desse povo, elas tiveram seus desenhos transformados em estampas que representam as visões da espiritualidade. É energia e respeito a nossa natureza e à natureza que nos mantém vivos!

      “Quando levamos nossos desenhos pra FARM, levamos também a força e a sabedoria do nosso conhecimento ancestral”. Mariazinha Yawanawa

      INTUIÇÃO
      Maína Mello

      Maína Mello, nossa astróloga do <3 e colaboradora de conteúdo do Adoro, o blog da FARM, foi a consultora do projeto “Signos”, um dos coletivos da coleção que traz os elementos do zodíaco como tema de estampas que já virou desejo absoluto. Informações sobre os signos astrológicos e as características de cada um deles foram construídos nessa parceria que é só amor!

      Além disso, a Maína criou playlists pra cada um dos 4 elementos da natureza: ar, terra, fogo e ar. Uma seleção especial de músicas pra conectar com a essência e expressões desses elementos.

      “Minha ideia foi passear por vários artistas e estilos, pelas sonoridades, letras e emoções que remetam a cada elemento. Acho que é uma forma de estudar, até.. Entender a força de cada e a influência nas nossas vidas!”
      Maína Mello

      Que aflorem as potências.
      Que arrepiem os corações.
      A natureza feminina é uma revolução!

      Vem ver a coleção 🙂

      13.07.18
    • mariazinha, a revolução yawanawa

      A Mariazinha é a primeira cacique mulher do Brasil. A geração dela traz o pioneirismo do feminino na nação yawanawa e abre passagem para a revolução do gênero nas sete aldeias do Rio Gregório, município de Tarauacá, primeira terra indígena demarcada do Acre. Nossa ida pra lá, no ano passado, fez com que nos tornássemos próximas – admiradoras incansáveis desse povo – e criássemos uma parceria que ganhou forma em Rauti. No início dessa semana, nos encontramos no Rio de Janeiro, e não demorou muito para eu perceber que a tradição e o desejo do legado era o que ia costurando essa conversa que durou uma tarde inteira, mas poderia ter durado mais.

      Aqui, recortes desse momento incansável.

      Da mãe, que também era costureira, a Mariazinha herdou o gosto pela indumentária. Embora o pai, vindo de uma família de lideranças indígenas e progenitor de 17 filhos – sendo 14 mulheres – também fosse cacique, a cacicagem não é hereditária, por isso, quando se tornou a primeira cacique mulher do país, quando tinha apenas 25 anos, isso representou um marco de empoderamento feminino para o seu povo: “Não tinha mulheres em liderança. Só homens. Só os homens tomavam o uni (ayahuasca), por exemplo. Isso dividiu um povo inteiro. E agora, temos a primeira mulher a entrar na faculdade, a primeira mulher a tomar o uni, a primeira mulher a fazer a dieta forte e a se tornar pajé”, conta.

      Para ela, Shaneihu, (Deus), nos deu florestas potentes que abrigam absolutamente tudo o que precisamos para existir com plenitude – da vida à morte dos ciclos. E tudo o que encontramos durante o caminho é providencialmente divino:  “Acreditamos que tudo o que vem pra nós vem com a força do Shaneihu. Vem com a sabedoria dele, com a proteção dele, com o cuidado dele e vem com a direção dele. Se algo der errado, sabemos que não foi permitido por ele. As nossas histórias, o nosso curar, o nosso conhecer está no divino. Como aprendemos a fazer cada cocar? Pela sabedoria do divino. Não aprendemos em nenhuma escola. Veio do coração. Do meu pai. Do pai do meu pai. Quando levamos nossos desenhos pra vocês, levamos a força e a sabedoria desse conhecimento. Não é um artista plástico. É a força daquela dieta de um ano sem tomar água, doce, carne, sexo!”.

      Ao falar do sagrado, Mariazinha emenda uma fala na língua nativa, e rapidamente corrige a conversa, traduzindo-a para o português; impossível não imaginar a força da tradição e da ancestralidade ocupando tacitamente nosso espaço. A dieta, na ocasião, é o caminho xamânico da purificação, uma iniciação espiritual extremamente rigorosa que até dez anos atrás só havia sido realizada por pouquíssimos homens. Consiste em ficar um ano dentro da floresta, sem contato com familiares, e com hábitos e alimentação restritos – sem água, sem doce, sem carne, sem relação sexual. Rucharlo, uma das irmãs mais novas da Mariazinha ousou romper status quo quando realizou a dieta forte e se tornou a primeira pajé mulher yawanawa; foi aí, nesse período, que ela teve a visão de seus já consagrados desenhos. Parte deles dará vida a peças da próxima edição da parceira, que serão lançadas no verão 18.

      Estar frente a frente com a Mariazinha e não pensar nessa força de mulher com sabedoria ancestral é praticamente impossível. Ela é a responsável por inaugurar uma nova forma de se relacionar entre seu próprio povo, que elucida o feminino para além do simbólico dentro de uma sociedade patriarcal. A Kenewma, sua filha única, hoje com 29 anos e a mais jovem mulher a ter completado a iniciação, também estava presente na conversa e disse que foi depois da liderança da mãe que tantas outras mulheres se sentiram capazes de deslocar as hierarquias. Descobri que é comum que as mulheres yawanawa tenham muitos filhos e a nossa cacique, mãe de uma, transbordou o instituto maternal “que ficou carente” com a idealização de um projeto dos sonhos: a escola tradicional Yawanawa.

      A chegada do nawa (homem branco) é recente. Esse contato, que não tem 200 anos trouxe também os missionários, os seringueiros… e o aniquilamento de parte da tradição indígena, como a língua. A espiritualidade é a responsável por segurar a ponte entre esses dois universos, por resgatar e manter a essência e a cultura nativa, e é a responsável por despertar níveis de entendimento até então ocultos:

      “Não irei a lugar nenhum desse mundo enquanto jovens da aldeia não estiverem aprendendo a falar nossa língua nativa. Tive a visão da minha missão durante a dieta. Foi aí que surgiu a ideia da escola tradicional, que meu pai já sonhava. Juntei 16 crianças de 7 a 13 anos, numa casinha pequena, durante um mês, e só falávamos a língua tradicional. Eles têm que aprender como o passarinho canta, o que ele quer dizer… A Aldeia precisa de cuidado e isso precisa começar pelas crianças. Foi quase um internato indígena”, contou rindo.  

      A verdade é que todo mundo se sente um pouco criança do lado dela. Aprendendo mundos e com vontade de colo. Ao ouvi-la falar, minha curiosidade inicial pela grandeza do sagrado foi abrindo espaço para um desejo genuíno de só vê-la, ainda que em silêncio, meditando entre uma resposta ou outra; o que, aliás, não acontece muito: Mariazinha é ponta de lança – dentro de uma calma aparente, ela pesca histórias pontuais e usa no momento certo. Nessas horas, tudo acontece.

      Uma dessas manifestações foi quando ela se lembrava da forte relação afetiva que tinha com o pai, falecido no ano passado, e uma folhinha seca lhe caiu sobre as mãos. A folha, vinda de uma das árvores que nos fazia sombra, rodopiou sobre a cabeça dela até alcança-la – como se forças da natureza ganhassem a legitimidade divina para se encontrarem de repente. Acariciando a folhinha nas mãos, ela me olhou e rimos em silêncio.  Entendi mais de Deus ali.

      "A vida da população indígena não está por igualdade. O índio tem que lutar. Gosto que as pessoas que ajudam o índio lembrem-se da data de hoje porque, na verdade, para na nós, dia do índio é quando a gente consegue alcançar o nosso objetivo. É o dia de todas as populações indígenas. Não é fácil hoje lembrar o dia do índio. Na aldeia, a gente faz uma grande cerimônia pedindo a força do nosso poder espiritual, do poder espiritual dos que já se foram. A luta do yawanawa continua. A gente nunca perde, desde quando sentimos que temos direito à igualdade. Quando estou envelhecendo, mas tenho minha filha que dá continuidade, e ela já tem o filho dela… Isso é a luta!"
       
      Mariazinha, assim como ela mesma descreve o amor, “é uma vida acontecendo dentro de nós mesmas”.
      Só agradeci.

      19.04.18