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      Tag: sotaque de belém

    • natália matos e seu sol

      Natália Matos é voz doce que ecoa na cena musical local e nacional. Pra mim, é ainda mais impactante ouví-la porque somos amigas de infância. Lembro de ter sido platéia única de algumas das suas aulas de canto na varanda. A varanda virou um palco, e a plateia e o sonho cresceram. Lindo de ver!

      Natália é formada em arquitetura, morou alguns anos em SP e, durante a montagem de uma exposição da Elis Regina do escritório em que trabalhava, percebeu que queria mesmo era viver do que a transcendia: a música e os palcos. Cortou o cabelo curtinho e decidiu investir na sua carreira. Voltou pra cidade natal, Belém, pra reencontrar suas raízes e construir sua identidade musical e aqui ficou.

      Lançou seu primeiro disco com o apoio da Natura musical, fez parceria com Zeca Baleiro, cantou composições de Dona Onette, Almirzinho, Felipe Cordeiro, entre outros grandes artistas locais. De lá até aqui, passou pelo casulo criativo de auto-observação e construção e retorna aos palcos madura, em um CD totalmente autoral. Na sala da minha casa, conversamos sobre o processo de criação desse álbum. Natália disse que tá em uma fase otimista e positiva, e não à toa, o nome do seu novo single é “Sol”. 

      “Sol” foi gravado pela Marahú filmes, em construções históricas de Belém. Natália esteve mergulhada integralmente no desenvolvimento, inclusive até desenhou o próprio figurino. Ah! E eu colaborei viu? Desenvolvi as joias que ela usou no clipe, olha só! 
       

      Entre um café e outro, devaneamos horas e foi inevitável que acabássemos falando de amor, palavra que está bem presente no novo CD. Curiosamente percebemos que estamos vivendo uma fase em comum, ressignificando o amor, seu peso e seu valor. A gente tende a ver o amor como "sim", como "renúncia", que “tudo suporta" – será? Aceitar e enxergar o amor onde o outro quer dar, nas pequenas coisas, e não exatamente onde a gente quer receber. Equilíbrio brando e honesto de se doar até onde dá, sem forçar e nem doer – amor tem que fazer bem!
       

      O lançamento do clipe aconteceu na charmosa Casa do Fauno, eu fui assistir e me arrepiei em vários momentos do show. Em especial, em duas músicas que foram cantadas e desenvolvidas com parcerias femininas: “A Cura”, com Ana Clara, e “Nós”, com Malu Gadelha, quem tem apenas 17 anos. O futuro parece ser mesmo das mulheres, viu? Por aqui, já tá sendo!

      No outro dia, de manhã cedinho, acordei cantarolando “Eu vi você dormir, eu vi o amor deitar, será que quando acordar, ainda caberá?". Deu uma vontade danada de ter um dia bom. A energia de otimismo que Natália vive, eu consegui sentir. Corri pro Spotfiy pra ouvir enquanto tomava café, e lembrei: ops, ainda vai ser lançado! 

      Pra finalizar e lançar o álbum novo, com produção musical de Léo Chermont (Banda Strobo) e direção artística de Carlos Eduardo Miranda, Natália Matos lançou uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Partio. O CD tá sendo vendido antecipadamente, e ainda tem várias outras recompensas legais. Sempre bom retribuir e se sentir parte da construção da carreira e dos sonhos dos artistas que a gente admira, né? Nesse período de abandono político pra cultura paraense, um coro lindo de pessoas faz acontecer a vibração de arte da cidade, que não para! Vamos contribuir!? 

      * P.S.: O single “Sol” entrou em destaque de visualizações no Deezer, junto com grandes artistas nacionais. Já deu pra ver que essa garota não tá pra brincadeira, né?

      21.06.17
    • sotaque de belém, por barbara muller

      Eu me chamo Barbara, moro em Belém-PA desde os 4 anos, mas nasci em Jí-Paraná-RO, onde, na época, o chão era de terra batida e cujas lembranças são distantes, mas não menos intensas. Tenho 27 anos, sou designer de produtos e tenho uma marca de joias que utiliza materiais e referências da natureza e da cultura local. Cada pedacinho de coisa que se materializa ao meu redor vem desse bem querer de uma região que me acolheu, de dois Nortes tão diferentes.

      Meu sotaque é chiado, mana! Ao me ouvir pronunciar uma frase já dá para sentir um pouco o calor e a vibração do Pará que foi se entranhando em mim. As coisas daqui são muito daqui, somos um Brasil à parte que conjuga o verbo corretamente: “Ei pequena, tu queres dançar um carimbó? Pra onde tu já vais?”.

      Em Belém as três estações do ano são substituídas por 3 banhos diários, afinal são 365 dias de sol, “brea” e chuva."Brea" é como chamamos o suor, a umidade, a sensação que persegue a gente o ano inteiro, porque somos de pouca roupa mesmo, e de transpiração. No fim lavamos a alma com a chuvinha de final de tarde, enquanto se degusta uma boa pupunha (fruto da árvore pupunheira) com cafézinho coado na hora. 

      O Pará é um mundo, quanto mais eu conheço mais admito que não sei de nada , descubro tudo em um ciclo infinito e acho que isso é o que mais me hipnotiza. Aqui a ancestralidade é pulsante, tem rio, tem mar, tem igarapé, e uma mistura apaixonante de natureza e cidade. Tudo isso se interliga pelo “Égua!”, que é nossa vírgula e só quem vive aqui sabe a entonação correta pras mil formas de usar a palavra.

      Eu amo viajar, conhecer outros lugares, olhar pra cá de longe pra enxergar melhor e diferente, ver o velho de uma forma nova. Gosto de estar longe e sentir minha pele com sede, desejar a maniçoba, o tacacá, sentir falta da chuva forte, me comover ouvindo um brega tocando. Mas Belém é um daqueles amores fatais que te prendem (principalmente pela barriga) e o que gosto mesmo é de voltar pra cá e ficar. Permanecer e entender que não vim parar aqui à toa. O norte mora em mim 

      texto por barbara muller
      fotos por tereza maciel

      20.01.17