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      Tag: projeto 111

    • Mulheres Incríveis: Projeto 111

      Sabe esses encontros bons que acontecem na vida entre mulheres incríveis que pulsam ideias transformadoras? Essa é a história por trás do Projeto 111, iniciativa de resistência artística criada pelas amigas e forças femininas Jeniffer, Lorena e Luiza que já vai pra 4ª edição que rola esse domingo (19.08) na casa FRONT, no Rio.

      O start do projeto surgiu entre uma conversa e outra depois do espetáculo “Ei, Mulher” onde Luiza atua. No local, um co-working/casa de cultura na Praça Onze, as três estavam num papo bom quando Jennifer imaginou que ali daria um sarau lindão. Lorena e Jeniffer toparam na hora e no mesmo dia conversaram com uma das coordenadoras do espaço. E então… Uma semana depois a data da primeira edição já estava marcada! O dia? 11/11/2017.

      O tanto de coisa bacana que essas mulheres incríveis organizam pras edições do Projeto 111? A Luiza conta tudo pra gente, ó.

      “Nosso objetivo é encontrar meios de valorização da cultura preta, reunindo o maior número possível de jovens artistas ou não, no intuito de dividir criações a partir de experiências de vida e provocar transformações vindas do choque das culturas. Sem deixar de lado o entretenimento, a diversão, o debate, a cervejinha e a música. Queremos juntar novos artistas de fora e de dentro da periferia e induzir, de alguma forma, que esse encontro gere frutos. A entrada é consciente, pois acreditamos que investe no projeto aquele que tem recursos para isto, quem no momento não pode investir financeiramente agrega de outras maneiras possíveis”.

      Como é feita a curadoria dos convidados?

      “Nos reunimos  e conversamos sobre os artistas que conhecemos, vimos no metrô, ouvimos no slam, é amiga de uma amiga, segue no Instagram… Assistimos a todos, comentamos, opinamos e normalmente entramos em consenso. Dessa galera toda que conseguimos reunir na mesa de reunião, escolhemos no máximo seis artistas cantantes, no mínimo duas intervenções poéticas, algum artista plástico, um filme ou uma performance, uma pessoa pra mediar o debate com o público e voilà! É aí que o trabalho começa. Fazemos os convites, normalmente diretamente ao artista, explicamos o projeto, a importância que creditamos nele, explicamos como funciona e na maioria das vezes recebemos um sim. Cada sim é uma comemoração! Uma felicidade incrível de reconhecer que o que temos feito tem sido importante não só pro público que frequenta os eventos, mas também pros artistas que cada edição que passa enviam mais mensagens agradecendo à produção, ou ainda àqueles que pedem pra tocar com a gente. É uma satisfação sem tamanho!”

      – O Projeto 111 fala sobre resistência artística e traz à cena a arte preta. É trabalhar com representatividade e abrindo a visão pra questões que passam invisibilizadas muitas vezes, né?

      “A caminho da nossa 4ª edição, entendemos cada vez mais a importância histórica de fomentar protagonismo preto na cena da cultura carioca, somando todas as edições, 70% da nossa curadoria é formada por artistas pretos. Às vezes somos questionadas sobre convidar também os artistas brancos pra mostrar seus trabalhos, por eles terem posições de privilégio dentro dos meios da produção cultural. Acreditamos que os públicos precisam de certa forma se misturar, entendendo cada um seu local de fala ou de escuta e juntos pensarem uma solução pro que tá posto. O problema do racismo é um problema do branco, então é com ele que é precisa se dar a conversa.

      Com artistas periféricos e não periféricos, atraímos públicos essencialmente diferentes. De certa forma utilizamos do fato de público de “X” artista ser da zona sul carioca, por exemplo, pra colocá-lo em confronto direto com o público de “Y” artista que é da baixada fluminense, nossos resultados têm sido lindos! Exemplos desses resultados são, principalmente, a captação de novos públicos pros artistas periféricos e abrangência de consciência social no trabalho de artistas da zona sul carioca. Errando e acertando, vamos ouvindo, consertando, experimentando, arriscado. Acreditamos que é possível construir uma nova realidade, mais habitável pra todos”.

      Por fim..Por que 111?

      “O nome 111 tem vários motivos, conscientes ou não, a proposta do nome surgiu a princípio por conta da data de estreia: dia 11/11, após discussões sobre o porquê desse nome, se seria realmente interessante, fomos descobrindo outras coisas: o local onde foi realizado a primeira e a segunda edição está localizado na praça 11 número 1, somos 3 mulheres 1+1+1 e outros dados mais cruéis e bastante significativos, que cruzaram nossas vistas quase que como um recado do destino ou de quem quer que seja, nesse recado está escrito que temos o dever, a sorte e a coragem de ouvir e falar dos nossos: 111 é um número triste e importante na luta dos pretos brasileiros. 111 é o número de tiros dados por policiais militares contra um carro com 5 homens pretos inocentes, em 2015 no bairro de Costa Barros aqui no Rio. 111 é o número de presos mortos no Carandiru, quase todos pretos. É um número cheio significados que envolve o universo do Projeto”.

      E pra conhecer de perto e sentir a energia potente do Projeto, se liga na programação da próxima edição desse domingo:

      Performance + Debate
      Stand Up com Yuri Marçal com debate sobre as possibilidades da comédia preta brasileira.
      Músicos: Babi Guinle, Breno Ferreira, Caio Nunez, Luana Karoo e DJ Bombs, Luellem Castro e Banda Nós Somos.
      E mais: Poetas Falantes do Coletivo Poetas no Vagão, Cordelista Pally Siqueira, DJ Pedro Carneiro e Artes Plásticas com Tarso Gentil.

      Anota na agenda e vem com a gente marcar presença na 4ª edição: é a partir das 16h. Nos vemos lá! 

      13.08.18