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      Tag: produção de moda

    • FARM entrevista: José Camarano

      Sabe aquele papo de que às vezes a gente precisa dar um passo pra trás pra poder dar dois pra frente?

      José Camarano – produtor de moda do lookbook de abre asas e do desfile da nossa convenção – percebeu que estava imerso numa vida de excessos e, por vontade própria, notou que precisava dar um passo pra trás. Mas se engana quem achou que o resultado seriam “mais passos pra frente”. Camarano agora prefere mesmo é dar passos largos e de qualidade.

      Vem ver a nossa entrevista com esse cara incrível que tem muito a ensinar pra todos nós!

      Como se deu essa mudança de estilo de vida?

      Eu diminuí tudo na minha vida. Consumo, noite, as aventuras. Troquei as aventuras da noite pelo esporte radical. Mas essa mudança foi muito gradual. Começou há uns 6 anos, quando eu me questionei sobre as coisas que me faziam feliz na vida. Eu fui percebendo que elas nao estavam nas coisas! Estavam nas situações, nas pessoas, no afeto, nas experiências…
      Quando eu mudei pra Nova Iorque, me deu muita saudade do Brasil e do calor humano que a gente tem aqui, do contato com a natureza… e aí eu resolvi fazer um retiro no Havaí, passei 6 meses por lá trabalhando numa fazenda, entrando em contato com outro tipo de pessoas e de energia.

      E como você trouxe essa mudança de vida pro lado profissional?

      Eu aprendi que dava pra continuar trabalhando com moda, simplesmente coloquei um pouco mais de propósito no que eu faço e entendi que não precisava ver as roupas como uma tendência que simplesmente passa pela vida das pessoas. Entendi que a moda tem história pra contar, tem afeto, estilo de vida. Foi aí que eu reencontrei o meu lugar.
      Hoje em dia as matérias que eu faço, as coisas que eu falo… elas tem muito mais a ver com o significado daquilo que com a peça de roupa.
      Eu passei a fazer poucos projetos, mas trabalho mais intensamente em cada um deles ao invés de fazer um monte de coisas ao mesmo tempo. Parei de pegar todos os trabalhos que apareciam, aprendi a falar não. Aprendi a direcionar mais o meu trabalho pro que eu quero ao invés de fazer o que o mercado tava me oferecendo. Eu inventei uma nova maneira pra eu trabalhar.

      E como é a sua história com a FARM?

      Eu tenho uma história muito antiga com a marca. Eu era produtor executivo da Babilônia Feira Hyper quando a Katia (Barros, diretora criativa da FARM) e o Marcello (Bastos, sócio-fundador da FARM) começaram com o estande. Acompanhei o primeiro estande, as filas na porta pra entrar… eu gostava muito da Katia e do Marcello mas nunca fui conectado com o lifestyle da marca, justamente porque eu vivia acelerado, muito mais na noite e interessado com o que rolava fora do Brasil. Eu queria trazer tudo de fora do Brasil pra cá, funcionava como uma antena do que estava rolando no mundo pra cá. Quando eu fui morar fora, tive esse estalo do quão rico o Brasil é, e como a gente tem que se valorizar mais. E a valorização do produto nacional me aproximou da FARM!
      Quando voltei pro Brasil, fui aos poucos me reconectando com a FARM através do consumo consciente, do lifestyle do dia, do sol, do carnaval.
      Hoje, além de produzir o último lookbook e os últimos desfiles, eu estou com um projeto de consultoria para a FARM internacional, ajudando a entrada da marca nos Estados Unidos.

      A coleção abre asas foi totalmente inspirada no carnaval, que é diferente dependendo da região do Brasil. Como trazer isso para o lookbook?

      Olha, foi uma delícia. O desafio maior estava em como traduzir uma fantasia, que é feita pra ser não-duradoura, ser usada no dia a dia.
      Eu tentei mesclar acessórios de carnaval com as roupas que serão usadas no cotidiano, então mesmo os looks apesar de tendo um styling mais pesado, com os acessórios pra deixar a roupa mais lúdica, é fácil de entender como aquela roupa pode ser usada numa ocasião de dia a dia.
      É uma coleção que tem muito o que dizer, estampas que contam a história do carnaval. Além das colabs, claro com olodum, mangueira, bola preta, zé filho.
      Com o styling eu acabei conseguindo mostrar que essa coleção tá cheia de roupas que podem ser usadas no dia a dia, mas também no carnaval!

      Você também fez o styling do desfile da apresentação do carnaval. Qual é a principal diferença entre produzir um lookbook e um desfile?

      No desfile a gente sempre evidencia a fantasia, o lúdico e a emoção, porque as pessoas estão ali olhando… então a gente acaba priorizando o mood em si. Desfile é como se fosse contar uma história, uma fábula. No de abre asas, o desfile abria preto e branco, meio baile de gala… depois ia passando pra um outro terreno; uma estampa mais de rua, de bloco, até chegar na estampa do olodum, que fechou o desfile e deu início a festa. Tem toda uma cadência, quem tá assistindo o desfile vê uma história sendo contada na sua frente do começo ao fim.
      No lookbook os looks não conversam, são isolados. Você vê o personagem ali, uma história contada em uma foto. No desfile os personagens são costurados em uma história inteira.

      Como você vê o “abre asas” da moda atual?

      Eu acho que o mercado da moda tem melhorado muito de um tempo pra cá. A moda tá mais consciente de que o produto tem que ser mais durável, pode ser encaixado em várias etapas da vida. Principalmente no Rio, onde um mesmo vestido pode ser usado pra uma reunião e uma saída á noite.
      Hoje a moda está servindo mais pra gente do que a gente à ela, tá ficando mais entendível, acessível, e, ao mesmo tempo, mais relaxada.
      A moda está mais tranquila, aberta e inclusiva. Quando eu saí do Brasil as coisas estavam de um jeito e quando voltei, estava de uma maneira completamente diferente.
      Aqui na FARM é muito legal poder trabalhar com pessoas que não são modelos, incluindo todas as raças, todos os tipos de pessoas, corpos e sexualidades… tudo isso.
      A moda hoje é um termômetro do que está acontecendo no mundo. A moda antes tinha o poder de provocar desejo nas pessoas e hoje ela escuta o que as pessoas querem, e entrega exatamente o que as pessoas estão precisando.



      08.02.19