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sua mochila está vazia

      Tag: poesia

    • Dia do Poeta – Gabriela Gomes

      Porque acreditamos num futuro feminino, e porque o futuro se desenha de muitas formas mas também se escreve de muitas formas recorremos às palavras para semear uma nova realidade. E nesta nova realidade a voz das mulheres se faz ouvir. Na semana passada lançamos no @inspirafarm o video Futuro Feminino. Uma coletânea de palavras e imagens que inspiram alento e esperança para tempos difíceis. Palavras lidas e escritas por uma mulher, poeta como tantas que vamos jogando luz aqui no adoro! E essas mulheres que são muitas são também singulares, com nome e endereço. E por serem únicas e muitas acreditamos na importância de que o nome de cada uma delas seja reconhecido. Hoje, apresentamos Gabriela. Mulher, designer, poeta furta-cor. Militante dos afetos.

      Sobre açúcar e cafeína: os acidentes tropicais de uma poeta-furta-cor

      Ausente de movimento literário, ser alternante entre o disfarce de designer e a pele de poeta: toda ela dupla-face, Gabriela. É ariana, com lua em gêmeos (dupla-face, alow). Adora cachorros, Adília Lopes e manteiga de amendoim. Ultimamente tem se interessado muito por vulcões. Nasceu em Niterói, isto é um fato. Mas desde de que pode chamou de casa todos os lugares em que pode amar, comer, ler, escrever e, claro, encontrar o seu café favorito. Atualmente vive no Porto, em Portugal, onde se dedica ao Mestrado de Estudos Literários, Culturais e Interartes na Faculdade de Letras e à sua Dupla-face, estúdio de design e conteúdo. Atende por Gabe e o seu café favorito é a Rota do Chá.

      Falemos da pele de poeta.
      Em maio de 2018, Gabriela presenteou-nos com a primeira versão de seu primeiro livro de poemas Acidentes Tropicais, que começou a ser escrito lá em 2016. A versão desenhada, editada e impressa por ela, para ser lida, ouvida, perguntada e respondida, com direito a substantivo próprio e poema selecionado de acordo com o destinatário Acidentes Tropicais, chega acelerando assim todo um fenômeno cósmico do solstício de verão europeu. E chegou assim: com papel colorido, quase escolar, dobrado a meio por mãos pesadas de afeto, atados por um elástico vibrante que trazia em si a promessa de um outro acidente, tudo isso abraçado por um cartão cor-de-abóbora. E então: “o que é um acidente tropical pra você?”

      Longe de ser uma mini-bio ou uma resenha o propósito destas palavras, as minhas, é fazer ecoar as dela, Gabriela. Dela e dos seus acidentes, ambos tropicais. Dela e de todas as outras mulheres que também cabem nas mesmas palavras, dentro e fora de páginas.
      Num tempo em que a resistência feminina passa pela definição de um espaço de fala, que se quer mais amplo, mais vibrante, mais inclusivo e polifónico, a proposta de leitura do Acidentes chega como aquele abraço de irmã mais velha no fim de uma prova de matemática (quem nunca?). Deixo aqui uma escrita fotográfica pra vocês:

      Um lugar seguro, cuidadosamente preparado. 15 assentos. 15 livros-vivos. 15 nomes singulares. 15 poemas destinados. 15 oportunidades de estar. 15 oportunidades de sentir. Gabe se apresenta timidamente, quebra o gelo agradecendo a presença, pede silêncio e verdade e conta que ainda não tem editora mas que decidiu fazer por ela mesmo, seu primeiro livro. Poderia ser considerada ansiosa, mas a verdade é que ela quer ver suas palavras chegarem às pessoas, ali, na sua frente, na presença. Ela mesma chama o livro de livro vivo e as leituras são a própria experiência na presença, uma leitura compartilhada. Apresenta as suas avós: Deolinda, Ruth e Ruth. A partir daí é conosco. Cada uma de nós lê o poema destinado. São leituras intensas, muitas vezes interrompidas ou ritmadas pelos afetos. Risos ou choros.

      Em sua primeira leitura no Porto a poeta diz: “Hoje reuni pessoas queridas e próximas a mim aqui no Porto para fazer uma primeira leitura do acidentes tropicais, meu primeiro livro de poemas. Fiquei colocando o tempo inteiro na minha cabeça que isso não era o lançamento e sim uma leitura. O acidentes ainda não tem uma editora definida, estou neste processo de busca. mas isso não me impediu de uma vontade de reunir essas pessoas próximas pq queria ouvir da boca delas os meus textos. queria entender onde cada um quebra o verso, de onde vem o ritmo, onde riem com o canto da boca, onde choram, onde se engasgam, reuni 15 pessoas que leram 15 poemas. não era pra ser um lançamento, era pra ser uma leitura, mas foi um lançamento. foi o meu lançamento, um jogar no mundo o amor que tenho por esse livro e receber de volta tanto afeto. a gente vai realizando aqui e ali, na unha, na fotocópia mas vai. vamos aos poucos mas vamos longe!”

      A partir daí é conosco. Depende do quanto cada uma consegue e quer se dar. É uma leitura performática, terapêutica, não canónica, de fora pra dentro. E de repente já não somos apenas 15, somos nós e todas as outras mulheres que já fomos, ou as que queremos ser, transitando entre as 9 possibilidades capitulares deste livro que é, antes de mais, um convite para a vulnerabilidade. E quão lindo pode ser despir a alma em público!

      No Brasil as leituras tiveram lugar no mês de setembro em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Niterói, cidade natal da poeta onde sua família vive até hoje. Agora de volta a Portugal a poeta pretende repetir a experiência na cidade-teste Porto, e também em Lisboa. Para acompanhar de perto o que tem sido feito pela poeta basta ficar de olho no instagram do @acidentestropicais e em sua conta pessoal @gahbe. Ah! Ela também escreve uma newsletter contando sobre suas criações e a vida no Porto, para se inscrever basta clicar aqui. Ficamos por aqui deixando o espaço necessário para que cada qual encontre o seu próprio acidente tropical! E pra vocês, o que é um acidente tropical?

      Este texto foi escrito por Isabeli Francis, amiga, curadora no @marginal.curators e historiadora de arte, roomate, compania para bolos de chocolate e leitora da poeta.

      20.10.18
    • [catarina escreve]


       

      (…)
      “eu sempre espero 
      você chorar
      quando a voluntários passa rápido
      pela janela do ônibus e os nossos olhos
      apreensivos
      com as mudanças
      que você nota na cidade e eu noto
      em você
      a cidade suja
      e eu noto em você
      o resultado de uma bela tática —
      a gente pode marcar um encontro.”
      (…)
       
      poema “como uma louca abraçada a um ramalhete de rosas que ela pensou ser um paraquedas”, do livro Parvo Orifício.
       
      Rupi Kaur, Matilde Campilho, Ana Cristina César, Ana Martins Marques. Nunca se falou tanto sobre a poesia feita por mulheres. A possibilidade e a facilidade de se publicar na internet, a multiplicação de revistas digitais e os encontros fora da rede, como o sempre bem sucedido Mulheres que escrevem () e o Slam das minas, com certeza são fatores que têm ajudado muito na divulgação do olhar feminino diante do mundo. Com o objetivo de fazer parte desse movimento lindo e divulgar essa mulherada que anda escrevendo coisas incríveis, a gente apresenta a vocês a jovem poeta Catarina Lins.

      Cata é um desses novos nomes que traz, em sua poesia, um passeio delicioso por diversas situações, lugares e minúcias do cotidiano de uma jovem escritora. O adoro! foi bater um papo com ela pra contar um pouco sobre como é esse processo de tornar-se poeta e sobre o seu terceiro livro que já está no forno — O teatro do mundo.

      Catarina Lins tem 26 anos e é capricorniana. Nasceu em Florianópolis e veio para o Rio com 19. Queria estudar cinema mas, por um desvio de caminho, acabou optando pelo curso de formação de escritor na PUC-Rio. O interesse pela poesia veio só no último ano da graduação, quando ela entrou numa oficina de poesia. “Era basicamente um curso que ensinava as pessoas a ler poesia, e não a escrever. Todo mundo chega na Universidade sabendo como ler prosa, mas com a poesia é um pouco diferente. Não acho que seja mais ‘difícil’, mas ler em voz alta, reler quantas vezes forem necessárias, percebendo o ritmo, as pausas, são coisas que ajudam. O poema pede um outro tempo.”, contou.

      E foi em meio a essas oficinas que Cata percebeu que queria ser poeta. Além de se dedicar à poesia, ela também segue sua vida acadêmica, pesquisando as gravações de voz realizadas por poetas, no mestrado na PUC. Na sua pesquisa, Cata pensa o poema nessas gravações e observa o papel da voz como um trabalho de criação, pra além do arquivo.

      Aliás, sonoridade é um dos pontos altos da poesia da Cata. Os poemas têm um ritmo único e, conversando com ela, descobrimos que talvez muito desse ritmo tenha vindo porque a Cata já foi baterista. “De uma certa forma, as coisas acabam se misturando. Pode ser que eu tenha encontrado, na escrita, um outro modo de trabalhar essa questão do ritmo", revelou. 

      O processo criativo da escritora varia de acordo com cada projeto, mas a base são as anotações em caderninhos (). “Varia pra cada trabalho, claro, mas eu costumo ir anotando coisas ao longo do dia, ao andar pela cidade, viver situações ou, às vezes, algum amigo fala uma coisa também, enfim.”

      Sobre as suas referências, elas não ficam só nos livros. Na casa da Cata as referências ganham as paredes, as prateleiras, murais, pequenos desenhos e colagens. Tudo parece ser inspiração para os seus poemas, e Frank O’Hara segue sendo um de seus maiores ídolo: “Uma ideia importante pra ele, e também pra mim, é a de que o poema está entre duas pessoas, e não entre duas páginas”. Roberto Bolaño, Lawrence Ferlinghetti e William Carlos William, e as mulheres, claro, como Angélica Freitas, Matilde Campilho e Adília Lopes são outras inspirações.

      Falando em mulheres, conversamos sobre como ainda é difícil ser mulher e escritora. Foi de uma percepção como essa que Cata se aproximou de Julia Klien, criando com ela a revista virtual vera k: “A Julia foi minha primeira editora e tivemos primeiro a relação de editora/poeta pra depois virarmos amigas. Foi justamente depois de uma ida à FLIP que ficamos refletindo sobre como precisávamos ter um espaço pra alojar o trabalho de certas poetas mulheres, que não enxergávamos nas publicações usuais. Foi daí que tivemos a ideia de criar a vera k.”

      Afirmar-se como escritora e poeta, e divulgar a produção de outras mulheres, é um trabalho essencial pra que a gente cresça. “Às vezes tenho a sensação que parece meio errado você dizer que é escritora, poeta, talvez pela imagem que eu acho que vai aparecer na cabeças das pessoas. Só que é isso: meu ofício, pelo menos por agora, é escrever. No fim, acho que precisamos falar mesmo: sou poeta. Como os homens sempre falaram, sem duvidar. Só assim vai parar de soar estranho.”

      Com o seu terceiro livro, O Teatro do Mundo, prestes a sair pela editora 7letras, que é praticamente um livro-poema — uma encenação do mundo em forma de poema, que ocupa 140 páginas —, além de uma participação no livro "É agora como nunca" (Antologia de poetas da nova geração), publicado pela Companhia das Letras e editado por Adriana Calcanhoto, e após o lançamentos de seus dois primeiros livros, Músculo pela 7letras e Parvo Orifício pela Editora Garupa, nós do adoro! podemos afirmar em todos os sentidos e com toda a certeza que Catarina Lins é sim, uma poeta. Jovem e promissora, pronta pra inspirar várias outras meninas que escrevem por aí. Vida longa à poesia feminina

       

      21.05.17
    • a poesia de rupi

      Você já deve ter visto os poemas de Rupi Kaur por aí. A indiana, que mora em Toronto, Canadá, desde os 4 anos de idade, tem feito o maior sucesso nas redes sociais com os seus poemas feministas, fortes e inspiradores. E com razão: o que Rupi traduz em palavras é muito do que a gente sente, e é impossível não se identificar com pelo menos um dos seus textos.

       
      Através do seu Instagram, Rupi compartilha palavras de coragem e incentivo que inspiram meninas de todo o mundo. Em 2015, ela chegou a publicar um livro de poesia e prosa, "milk and honey", que em pouco tempo se tornou um dos mais vendidos do Amazon. Quando perguntada sobre as suas referências, Rupi revela se debruçar sobre suas histórias e experiências, além das de outras pessoas. Não à toa, "milk and honey" aborda temas bem comuns à vida de toda mulher: feminilidade, amor, perda, abuso e violência são alguns deles.
      Ela é apaixonada por expressões, como diz o seu site. E pra se expressar, Rupi já usou os mais diferentes meios: ilustração, design, fotografia, videografia, direção de arte e, enfim, poesia. Parece que ela se encontrou aqui. A gente também.
      E pra divulgar seu livro – publicado no Brasil como "outros jeitos de usar a boca" – a editora Planeta de Livros produziu um booktrailer emocionante, onde a própria Rupi Kaur encena. Além dessa versão, há também uma recitada, com a participação das atrizes Luisa Arraes, Débora Nascimento, Mariana Xavier, Cris Vianna e Andreia Horta. Olha só! 
       

      Quanta lindeza! Por aqui, a gente mal pode esperar a hora de devorar o livro, disponível no site do Planeta

      E que Rupi continue criando, nos inspirando e nos lembrando – todos os dias – da força que reside no nosso feminino! 

      15.04.17
    • poesia na ponta da agulha

      Carol Medeiros vive há quase uma década em um mergulho profundo entre tecidos e roupas do seu acervo de aluguel de figurinos, o Acervo Ácaro. Mas como navegar é preciso, a figurinista caiu de cabeça em busca de novas maneiras de compartilhar também com o mundo suas paixões: linhas, fios, palavras e arte. 

      A inspiração veio logo após sair fascinada pela exposição de Leonilson, na Pinacoteca de São Paulo em 2014. O artista que ficou conhecido por bordar memórias, afetos, imagens e anotações de viagens em tecidos, mostrou pra Carol como as palavras feitas de linha ganham intensidade e força no silêncio dos grandes espaços vazios.

      Dali, foi correr pro abraço. Chegando em casa, tratou logo de botar a mão na massa, no estilo DIY mesmo, e bordou um lencinho de bolso antigo, usando 100% do feeling. E não parou mais. Foram horas de pesquisas de tutoriais na internet e algumas oficinas até nascer, no começo de 2016, o projeto Por um Fio

      As camisas brancas, muitas delas vintage garimpadas em bazares e brechós pela própria Carol, servem como folha em branco para os desenhos e frases também de autoria da artista. São mensagens que gritam e brincam. Pelo feminismo, por revoluções políticas, passando pelos devaneios, paixões, sonhos e angústias da artista.

      Além das roupas, os bordados-arte estampam também lenços de bolso e quadrinhos, daqueles de moldura de bastidor estilo “casa da vovó”,  abrindo assim a possibilidade de ter um pouco da poesia da Por Um Fio também na parede da sua casa. 😉

      Pra ter uma peça pra chamar de sua, é só ficar de olho no Instagram e na página do Facebook do projeto.  A gente garante: você vai se apaixonar! 

      30.12.16
    • risco no peito

      Em tempos de homenagens à poesia, a gente curtiu a segunda edição do livro “Risco no disco”, da poeta Ledusha (pseudônimo para Lêda Beatriz Spinardi). Ele foi publicado pela editora Luna Parque, mas tinha virado uma raridade em sua primeira publicação na década de 80. 

      Ledusha faz parte de um seleto grupo de poetas da década de 70 – os poetas marginais – do qual fazia parte também Ana Cristina César, que chegou a aparecer aqui no blog. Este grupo era conhecido por se reunir e produzir, de forma independente, os seus próprios livros. 

      "Risco no Disco", produzido dessa mesma forma mais caseira, esgotou-se rapidamente e, até então, só era possível encontrá-lo entre as raridades de poucos sebos. Os poemas de Ledusha serviram de inspiração pra muita gente, desde poetas da nova geração (como Bruna Beber e Angélica Freitas) quanto para grandes artistas, como Cazuza. A frase "Prefiro Toddy ao tédio", por exemplo, que você já deve conhecer, aparecia vez ou outra na camiseta do cantor e era um poema de Ledusha – e o slogan de uma geração.

      Em Risco no Disco, a poeta paulista traduz, pela ótica feminina, uma juventude vivida entre o Rio de Janeiro e São Paulo na década de 80, e que chega a dar saudade mesmo em quem não viveu essa época. Namoros com poetas marginais, saudade, corações, a vida de uma mulher entre cigarros na madrugada, versos, rock&roll e praia. Tudo com uma pitada agridoce que passeia entre a delicadeza e o humor sarcástico e atual de Ledusha. Ah, e com uma pegada bem feminista – a independência fala alto por entre os versos da poeta. 

      Ao longo das páginas a gente não sabe mais se estamos na década de 80 ou em 2016. É impossível não se identificar. A nova edição só possui 200 exemplares e a nossa collab Gab Gomes esteve no lançamento, conseguiu garantir um exemplar e selecionou três poemas pra gente adentrar o universo da poeta. Vem conhecer a Ledusha!
       

      “matinê”
      frio na barriga
      sapato novo
      brotaram dois peitos na minha mão
      duas estrelas.
       
      “reticência”
      meu amor
      longe de ti
      descubro versos
      irreverentes
      longe de ti
      meu desejo derruba portas
      e aspas
      longe de ti
      me cubro de malícia
      só comparável
      à infidelidade de certas metáforas.
       
      “felicidade”
      nada como namorar
      um poeta marginal
      incendiado
      nada
      como um mingau de maizena
      empelotado
      de tanto amor acumulado
      uma casinha em botafogo
      um quarto uma eletrola
      uma cartola 
                     &
      depois da praia sonhar
      que a bossa-nova voltou
      pra ficar eu você joão
      girando na vitrola sem parar.

      Impossível não se apaixonar, né? 

      28.12.16
    • eu você

      Já faz tempo que a gente caiu de amores pelo trabalho da paulista Verena Smit, só na nossa Galeria a moça já esteve duas vezes (aqui e aqui), e não tem jeito, não nos cansamos de postar sua arte com cara de poesia concreta.

      Ou poesia com cara de arte, como queiram: a verdade é que a fotógrafa e artista visual cria e recria em cima de frases, sentimentos e palavras, combinando força e delicadeza de um jeito que nunca se viu.

      E se não nos cansamos de nos encantar com ela, o estilista da Alessandro Michele foi outro a cair de amores pelo trabalho de Verena, não a toa a moça enrou pra um seleto time de artistas divulgados pelo insta da Gucci, num é pouca coisa não.

      E se quando a gente gosta quer guardar pra sempre, a novidade é que a artista acaba de lançar seu segundo livro, Eu Você, pela editora Paralela, uma mistura de publicação-presente-declaração de amor.

      Pra pensar, ler, guardar e amar… e muito, por favor!

      24.06.16
    • rádio farm apresenta: nástio mosquito

      bola_radiofarm

      De um lugar pro outro. De onde pisa até onde se flutua. A Rádio FARM traz o angolano Nástio Mosquito, que vai de um ponto ao outro como quem tem asas no corpo. “Voar, não cair. Cair, levantar”, ele canta em ‘Desabafo de um qualquer angolano’. E a gente voou de amores por ele, um tipo certo de artista que se comemora quando descobre. Vem ver:

      4

      O Nástio nasceu em Huambo, já morou em Portugal, em Londres, já expôs na Bienal de São Paulo e na Tate Modern, em Londres. Além de cantor, é artista plástico, poeta, fotógrafo… E constrói uma obra sob influência de vários elementos culturais. Sabe quando se é muito num só? A gente não tem a pretensão de defini-lo. Nem ele!

      3

      A partir das impressões e sensações absorvidas durante o processo criativo de ‘Daily Lovemarketing’, primeira exposição que ele vai fazer sozinho como uma narrativa da sua obra e a relação com a África – crua e sem estereótipo – é que nasceu o estímulo pra gerar ‘Se eu fosse angolano’, álbum que aborda questionamentos e expressões pessoais do Nástio, dele pro mundo.

      2

      As referências musicais vão de Pink Floyd a Otto, Lenine, Chico Buarque e Criolo, num mix de estilos, sonoridades e estilos. E, claro, muita poesia. Pra sentir a vibe, dá play no vídeo aqui debaixo. É o som de ‘Desabafo de um qualquer angolano”.

      http://vimeo.com/68448591

      Não é música difícil, nem fácil. É a música que alcança. Tem muito da Angola, do Brasil, do mundo. Tem muito do artista. Curte a página dele pra ficar por dentro.

      A gente virou fã! 🙂

      01.02.15
    • a poesia de todo dia

      bola2_poesia

      Há quem diga que a poesia está em tudo. A verdade é que elas se confundem no dia a dia, a vida e a poesia, e ai de repente tudo parece mais bonito do que já é. Pra continuar esse assunto delícia, a gente foi puxar um papo com três poetas queridos dessa geração, o Gregorio Duvivier, a Alice Sant’Anna e a Maria Rezende. Deu vontade de conversar pra sempre. Vem ver:

      poesia7

      A escrita chegou pra cada um em momentos diferentes da vida, mas o amor pela literatura e pelas palavras fez nascer um tanto de coisa em comum entre eles. Alguns livros publicados, o Rio de Janeiro como berço e a qualidade de dizer além do que se diz. É, a poesia permanece!

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      Hoje, além dos dois livros de poesia escritos, o Gregorio é colunista da Folha de São Paulo e ator e roteirista do Porta dos Fundos: “Poesia e humor são duas coisas complementares. É fundamental inserir ternura no humor e é fundamental um pouquinho de cinismo no poeta.”, confessa.

      poesia2

      A Alice é outra boa surpresa da geração. A Adriana Calcanhoto musicou uma poesia dela, a Heloisa Buarque de Hollanda foi só elogios… E a gente concorda, é claro. Ela tem um ritmo leve e uma poesia despretensiosa que alcança até os mais desavisados. Coisa linda de se ler!

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      “No fundo, não defino muito minha poesia. Se não, a gente fica com consciência demais sobre o que tá fazendo. O poema é um caminho feito, um pensamento livre, sem conexões aparentes. Geralmente, o final de um poema é o mais importante. Nele, não se tem escrito ‘fim’, então como termina o poema? Tem que ser um corte seco e sem moral da história”, define.

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      A Alice acredita que, hoje em dia, a poesia não está vestida de gala, está mais informal, sabe? E isso aproxima muito a relação texto-leitor. O Gregório, que é fã da oralidade no poema, também reforça o couro da Alice. Ai a gente foi conversar com a Maria sobre isso, que é a outra talentosa desse bate-papo gostoso. Bem que os três podiam se juntar por aí, hein!

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      “A minha escola foram as aulas de poesia falada da Elisa Lucinda. Eu aprendi a dizer poemas e foi através disso que comecei a escrever. Quando escrevo, imediatamente leio o poema em voz alta pra sentir o ritmo, mudo palavras por conta disso, acrescento ou elimino versos. Escrever e dizer são processos inseparáveis pra mim”, contou Maria.

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      Logo no seu livro de estreia, em 2003, a Maria ganhou a benção de um poeta pra sempre especial, o Manoel de Barros, que a gente perdeu há pouco tempo. Agora, recém lançado o seu terceiro livro, Carne de Umbigo, ela veste a alma de uma poesia exata, que sabe bem a que veio: “A palavra tem muita força e ser poeta era uma coisa imensa pra mim. Ainda é, na verdade, e morro de orgulho de dizer: sou poeta”, confessa.

      maria1

      Pra fechar, a gente foi perguntar qual dica eles dão pra quem quer viver das palavras, assim como eles. Os três foram unânimes: escrever se aprende escrevendo – e lendo. Bastante. Então, já sabe, né? Inspiração e suor de mãos dadas, e coração aberto pra receber as sutilezas da vida por aí.

      A gente, que já é chegada num texto bonito que só, adorou a conversa, então, pra saber mais do Gregorio, corre aqui, da Maria aqui e da Alice aqui. Gratidão pela troca! ♥

      19.11.14
    • farm entrevista: isadora

      bola_isadora

      É bom quando a gente encontra por aí algumas frases que tocam a alma junto com desenhos inspiradores que gostaria de ter na parede. E hoje é dia de conversar com uma das pessoas que fazem a gente sentir isso, a Isadora, criadora da página Isadora não entende nada, que espalha pela web poesia em forma de rabiscos e doces palavras.

      isadora1

      Conta pra gente mais sobre você, sua história…

      Eu moro em Porto Alegre – RS, mas sou da serra, de Bento Gonçalves, uma cidade menor. Tenho 23 anos e comecei duas faculdades, primeiro uma de Publicidade e Propaganda e depois de Artes. As duas eu larguei, a primeira porque percebi que andava pro lado oposto de onde eu ia,e a outra eu larguei pra fazer arte! O resto que se tem pra saber de mim é que sou sempre sobre amor. Tudo que existe, tudo que se faz, tudo que se deixa de fazer. Sempre amor.

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      Quando e como começou a criar suas pinturas com textos e espalhar tudo pelo Face?

      Desde pequena sempre gostei de desenhar e fazer historinhas. O meu maior problema é que eu não era muito criativa, não sabia o que fazer. Quando entrei pra faculdade de Artes voltei a desenhar e a escrever, ainda sem muita criatividade. Teve uma manhã, no 3º semestre, que tava chovendo e eu tinha que ir pra aula, mas resolvi experimentar as aquarelas que eu tinha em casa  e comecei a pintar dentro de um livro antigo. Foi a primeira vez que criei algo meu, e me senti tão bem que naquela mesma manhã eu tranquei a faculdade. Nunca mais consegui voltar, acho que me encaixo mais na rua do que na vida acadêmica.

      isadora3

      Criei a página no Face há pouco mais de um ano (nota da editora: e já tem quase 30 mil likes!). Fiz por insistência dos amigos, já que tudo que eu pintava ou escrevia eu postava no meu perfil pessoal. Eu não queria fazer uma página minha, parecia muita pretensão da minha parte, mas sempre despretensiosa, como ainda é. Lá coloco tudo que já saiu de mim, já não é mais meu, é de quem quiser e se alguém quiser. Não espero que gostem do que faço, mas se gostarem eu fico muito feliz.

      isadora4

      De onde veio esse nome ‘não entende nada’?

      Um dia eu abri um livro de contos do Eduardo Galeano chamado Mulheres. Abri numa página qualquer e a primeira coisa que li foi “Isadora não entende nada”. O conto se chamava Isadora, e era sobre a bailarina Isadora Duncan. Parecia que era alguém falando pra mim, achei que era perfeito, eu não entendo nada mesmo, hehe.

      isadora5

      Quem te inspira nas artes plásticas e na literatura?

      Ahhh, eu gosto de gente louca. São aqueles mais sentimentais e exagerados e sem forma ou perfeição, que nem o amor é. Gosto muito de Basquiat e Leonilson, que pra mim foram pura emoção. Na literatura, o Leminski e o Rimbaud, exagerados e bonitinhos e loucos e extremos. Tudo que eu sinto quando quero expressar alguma coisa, é tudo sobre o exagero.

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      Como a gente faz pra ter uma arte sua?

      É só me mandar mensagem pela fanpage. Mas eu não sei fazer nada por encomenda, porque, como eu disse antes, o que eu faço é realmente sincero, veio de dentro de mim, de dentro de um exagero que senti. Por isso se alguém gostar de algo que eu fiz e quiser, é só falar comigo e vou ficar muito contente, no mais, por enquanto, é só isso que tenho!

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      E dá pra encontrar um pouco da Isadora pelas ruas também? Onde?

      Olha, pelas ruas, só tenho alguns resquícios de cartazes que colei por Porto Alegre com frases e desenhos de amor e que sobreviveram ao tempo e às tentativas de serem arrancados. Quero voltar a fazer isso, porque pra além disso, só uma exposição ou outra que acontece, que me acontece, que desacontece. Mas dá pra me encontrar bastante na rua, dá pra me chamar pra ir pra rua também. Eu adoro convites!

      31.07.14
    • o amor na parede

      bola_crislisboa

      Cris Lisbôa é a moça das palavras dançantes em livros como Duas pessoas são muitas coisas, Nunca fui a garota papo-firme que o Roberto falou e do Go, Writers, curso de criação e escrita mais mágico que a gente conhece. E a Toudou é uma marca de decoração bacaneza pura do sul do país. Adivinhou o que vem por aí?

      crislisboa_2

      Mais uma dica: dentre as especialidades da Toudou estão porcelanas pintadas à mão, uma tradição da família há mais de 40 anos. Sim, acaba de sair do forno uma coleção pra lá de especial que celebra o amor com uma dobradinha impecável: escritos de Cris + pratos de parede da Toudou.

      crislisboa_3

      E alô você de Porto Alegre, amanhã tem lançamento dessa boniteza, a partir das 14h30, com bolo quentinho e outros mimos. A gente fica aqui na torcida pras encomendas começarem…

      crislisboa_1

      …e chegarem aqui no Rio também, por que não? 😉

      14.06.14
    • galeria – eu me chamo antonio

      Vez em sempre uma coisa ou outra rouba o nosso coração no mundo virtual, mas quase nunca nos emociona e cativa como o projeto Eu Me Chamo Antônio. O autor anônimo transforma sentimentos embaralhados em palavras (as vezes embaralhadas) em guardanapos. Sempre lindo, delicado e de uma simplicidade comovente.

      E como a gente quer compartilhar tudo que nos encanta com você, a nossa Galeria hoje sorri em palavras (que valem mais que mil imagens?) 😉

      24.10.13
    • #euamo poesia

      Hoje é o Dia Internacional da Poesia, criado pela UNESCO e celebrado por mais de 150 países em todo mundo. E a gente não poderia deixar passar em branco, afinal de contas, a poesia é um ótimo tempero pra grandes (pequenas e médias também!) histórias de amor.

      E já que estamos em clima de romance, escolhemos nosso querido poetinha, Vinicius de Moraes, pra deixar nosso 1º domingo de outono bem apaixonante:

      Soneto de Fidelidade

      De tudo ao meu amor serei atento
      Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
      Que mesmo em face do maior encanto
      Dele se encante mais meu pensamento.

      Quero vivê-lo em cada vão momento
      E em seu louvor hei de espalhar meu canto
      E rir meu riso e derramar meu pranto
      Ao seu pesar ou seu contentamento

      E assim, quando mais tarde me procure
      Quem sabe a morte, angústia de quem vive
      Quem sabe a solidão, fim de quem ama

      Eu possa me dizer do amor (que tive):
      Que não seja imortal, posto que é chama
      Mas que seja infinito enquanto dure.

      Saia espalhando poesia por aí, hoje e sempre 🙂

      21.03.10