sua mochila está vazia

    Tag: outono-inverno 2016

    • aconteceu em paris

      Se NY apostou na sobriedade, Londres desfilou coleções bem pessoais e Milão mostrou que o verdadeiro luxo mora na simplicidade, a semana de Paris foi marcada pela virada comercial de marcas cada vez mais focadas em criar peças usáveis e sucesso de vendas.Ao invés de coleções autorais e arrebatadoras, o que vimos foi uma sucessão de looks sóbrios, mais simples e com poucos tons, um aviso claro de que os tempos mudaram. E a principal cara dessa nova moda mais casual e wearable é a Louis Vuitton guiada por Ghuesquière.Até a Chanel abriu mão da extravagância em looks formais, com mix de texturas pesadas e tons escuros, desfiladas em um cenário incrível, como sempre, dessa vez reproduzindo uma brasserie bem francesa. Bem mais Coco do que Karl!Outra que apostou em mix de estampas e texturas foi Miuccia Prada em versão mais leve e fun pra sua marca mais jovem, a queridinha Miu Miu, que desfilou recheada de contraste de cores sóbrias e tons primários, e xadrez, muito xadrez!Dries Van Noten também concentrou energia na mistura, mas isso não é nenhuma novidade, pelo contrário, uma especialidade do belga que dessa vez combinou jacquard (estrela da temporada!) e caqui em peças utilitárias e ao mesmo tempo sofisticadérrimas. Jogo de mestre!A sobriedade também marcou o desfile da Givenchy, mas numa subversão superinteressante que combinava tecidos rígidos e pesados como veludo e jacquard (olha ele de novo aqui!) à modelagem ora vitoriana, ora bem latina e milhas distante de qualquer clichê. Um olé no tédio!O tédio também passou longe do desfile da Balmain, que seguiu a risca o desejo da mulher que veste a marca em coleção sexy, forte, cheia da combinação de preto com tons vibrantes e curvas. Pra ser a rainha do baile, da boate, da festa...Looks noturnos também foram tema da Lanvin, que combinou o Marrocos do estilista Alber Elbaz com a França de Jeanne Lanvin, que acaba de ser homenageada com uma super expô que relembra a bela trajetória da fundadora da mais antiga Maison do país, em atividade desde 1989. E pelo visto, cheia de fôlego!Já Alexander Wang surpreendeu por se descolar completamente da Balenciaga de Ghesquière, ex-estilista da marca, e criar a primeira coleção que combina seu olhar moderno às formas criadas pelo espanhol Cristóbal Balenciaga, fundador da Maison.E se a Balenciaga olha pra sua história, Raf Simons corta abruptamente o legado do new look da Dior, sempre revisitado, em coleção que segue sua visão pessoal, mais moderna, arrojada e repleta de tecidos tecnológicos em ótima releitura da Op Art dos anos 60.A cota de leveza e \"frufru\" foi mais uma vez preenchida por Giambattista Valli, em coleção repleta de, voilà, mistura de estampas, mas que por aqui apareceram mais femininas e suaves, porém em modelagens... voilà, mais sóbrias que o usual!E se o frufru é assinatura de Valli, ela passa longe da Céline, a marca mais minimal, chique e atemporal a desfilar em Paris, certo? Quase certo! Entre os looks desconstruídos, simples e chiquérrimos de sempre a marca também apresentou pompons e até estampinhas bem humoradas.A desconstrução também foi mote de Stella McCartney que apresentou tricots molengas em contraste com alfaiataria assimétrica e recortes femininos.A austeridade invadiu até a romântica Valentino em profusão de looks em preto e branco, como uma procissão de viúvas carolas, porém podres de chique, salvo um toque de grafismos Op Art e bordados incríveis.A semana se encerrou com os dois dos maiores modelos da história do... cinema! Ben Stiller e Owen Wilson fecharam o desfile da Valentino com duas mensagens maravilhosas:vai rolar Zoolander 2 (uhuuul) e no final das contas, a moda é feita mesmo pra gente se divertir!
      13.03.15 6 anos atrás