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      Tag: nathalia lima verde

    • dia da amizade: irmandade e sororidade

      Hoje é comemorado dia da amizade e pra celebrar a data, a gente convidou a Nath Lima Verde, pra falar sobre um tema super importante quando falamos da amizade entre mulheres que é a sororidade – uma palavra que não existe no dicionário, mas faz uma diferença e tanto na vida de todas.

      A Nath é mulher, artista e criadora da CONCHA <Ritual-Mágico-Cênico>, um Círculo de Mulheres, híbrido das suas pesquisas que tangenciam o feminino, a aliança entre o teatro e o ritual, e as manifestações artísticas/culturais, políticas e selvagens que emergem a partir dessas forças atuando em comunhão. Ao longo da sua jornada vem traçando uma Cartografia Afetiva e Antropológica sobre as Mulheres nas Culturas Originárias e sobre como persistir com uma obra e um caminho autoral na contemporaneidade.

      Ela facilita espaços de prática e experimentação em torno da escuta e da empatia, é anfitriã de Círculos de Fórum, uma tecnologia social para pesquisa e investigação das questões profundas da consciência humana, visando o aprimoramento da comunicação, o desenvolvimento da auto-responsabilidade, da transparência e da confiança nas relações.

      Não precisa nem dizer que ela sabe tudo e mais um pouco sobre a importância e o poder da irmandade feminina nos dias de hoje, né?

      Olha só o que ela veio dizer pra inspirar o dia de hoje e todos os dias…

      Sororidade é política encarnada.

      Boa parte das narrativas que nos são contadas insistem em afirmar uma cultura de competição entre mulheres – basta assistir as novelas da televisão, abrir as revistas, jornais. Seja disputando pelo amor de um homem, e/ou pelo mercado de trabalho, ou ainda fomentando a idéia de comparação; afirmando “padrões de beleza” e tentando a todo custo segurar o que ainda resta de um velho mundo.

      Ao mesmo tempo, tenho a sensação de que estamos com a faca e o queijo na mão, observando através de um outro espectro, existem movimentos pela regeneração da vida acontecendo ao redor de todo o mundo.

      Aparelhadas que somos de um útero, carregadas de memórias ancestrais, aptas a criação de novas realidades, estamos nós, na vanguarda de um novo tempo, a anunciar um futuro-presente a partir de um novo olhar, um outro ponto de partida mais múltiplo, uma nova frequência disponível que valoriza a escuta, a conexão, a irmandade, a cooperação, uma nova relação com o tempo. É o fazer em rede

      Não só como um mecanismo revolucionário, mas também como meio de regenerar e transformar a nós mesmas. Tudo isso parece ser um convite de auto-reflexão: me perceber atuando num velho paradigma de escassez, reproduzindo machismo, me comparando a outras mulheres…

      Ser capaz de nomear meus privilégios e encontrar uma maneira de equalizá-los, perceber essas crenças atuando através de mim, tem sido, sobretudo, uma oportunidade de mover estruturas, de me auto-responsabilizar, de recuperar minha autonomia e escolher, conscientemente, fazer diferente.

      Para mim tem sido um exercício sobre a arte de me fazer transparente, de buscar apoio, de me tornar capaz de falar a partir do que está realmente vivo em mim – ainda que, as vezes, não seja tão belo o que tenho pra dizer, de abrir espaço, circunscrever ou mesmo nutrir lugares onde a minha verdade possa ser expressa com integridade. De arar um terreno fértil, um campo de aprendizagem onde recebo o suporte e o amor que preciso para florescer e existir completamente.

      Liberdade para falar sobre sexualidade, sobre dinheiro, sobre trabalho, sobre tantas coisas… me parece ser preciso agir através e a partir dessas reflexões. Sê-las em movimento.

      Me tornar lúcida sobre minhas necessidades, aquilo que preciso e valorizo, me fez mais forte e inventiva. Algo ganhou vida em mim através dessa consciência, deixei de esperar e decidi promover as realidades que eu queria experiementar. Materializar essas criações têm sido uma fonte de muita inspiração, poder, prazer.

      A vida é um cavalo, ou melhor, uma égua a galope, quem você pretende ser enquanto montada nela? O que realmente quer provar? Nesse trote tão fulgaz…

      Intuo que a irmandade, não é algo para se pensar, e sim um impulso de vida, uma coisa pra se praticar desde as escolhas mais sutis até as mais relevantes. “Mana, que tipo de apoio você precisa para realizar seu projeto?”, “Como você está se sentindo diante dos desafios que tem experimentado?”, “Como tem sido viver a sua vida?”, “O que você sente que ainda existe entre você e os seus sonhos?”, “Do que você sente falta?”, “O que ainda te impede de protagonizar sua própria jornada, de criar as suas narrativas pessoais, de ocupar o seu lugar no mundo?”.

      Escutar e então atuar, agir pró-ativamente a favor dessa liberdade. Tecê-la com os ouvidos, os olhos, as mãos, o corpo inteiro. É uma decisão, uma escolha: sustentar essas perguntas e esse modo de vida, atentas umas as outras, a serviço do desenvolvimento umas das outras.

      Abrir fendas, bordar conexões, construir pontes, fertilizar terrenos, esse tem sido o trabalho ativo de muitas das mulheres com as quais tenho a graça de conviver.

      Dar e receber suporte para agir, corajosamente, não só em meios “alternativos”, mas também para penetrar lugares carentes dessa visão de mundo, inclusive, espaços avessos a essa energia. Ousar intervir pelas leis, pelas políticas públicas, alimentar essa força através das nossas próprias vidas. Ouvir mulheres de outros contextos sociais, de diferentes credos, cultivar relações inter-geracionais, inter-raciais, diversidade para colher inteligência e legitimidade.

      Sendo assim, aproveito esse convite da FARM de escrever sobre irmandade para honrar as mulheres que tem me apoiado no meu caminhar: toda a minha ancestralidade representada pela minha mãe Adiles Maria Cândido, meu maior tesouro, minha Tia Tuza, minhas primas Eliza e Thais. E também as amigas-irmãs: Carolina Bergier, Bebel Clark, Vanessa Moutinho, Gionanna Echeverria, Marina Nicolaiewsk, Luiza Toschi, Bruna Savaget, Laura Morgado, Didi Guerreiro, Padu, Louise D’Tuanne, Luhli Borges, Giulia Drummond, Maria Rezende, Luiza Boê, Luiza Bruno, Joana Kannenberg, Julia Portes, Natasha Sierra, Mayara Yamada, Fernanda Moreira…

      Todas artistas movendo estruturas e promovendo realidades cheias de força, selvageria, beleza e amor. Vamos escutar as mulheres das nossas vidas! Criar espaços para que seja possível, inventar novos brinquedos, novos arranjos de tempo, que nos apoiem a cultivar essas conexões para que cresçam prósperas.

      A vida está cheia de sentido e de belos chamados, ESCUTE A SI MESMA.

      Aproveito para fazer um convite a todas vocês: a CONCHA é um Círculo de Mulheres, uma experiência utópica, um campo fértil de segurança que nos apoia a nomear e acessar nossas magias e criações em potencial. Tecer conexões, fortalecer nosso feminino e criar realidades a partir dessa força. Para Mulheres em Estado de Ocupação de Si Mesmas.

      Brilhar, ou seja, ser vc mesma, já não é mais só uma questão de auto-realização, mas de criação de repertório para disponibilizar a passagem para todas nós. Inspirar, mostrar que é possível. Brilhar por si e por todas as outras, as que se foram, as que estão e por todas as que virão. Porque no fundo, todas queremos ser felizes. Estou engajada em inventar um como.

      Ser escutada e ouvir as mulheres a nossa volta é mais do que possível, é necessário! A gente ama o trabalho-vida da Nath <3 A dica é acompanhar ela lá no instagram: @nathalialimaverde e ficar por dentro do tanto mais que tem dentro desse universo feminino tão potente.

      Anota aí as infos da próxima CONCHA  🙂

      ::: CONCHA :::
      Círculo de Mulheres
      <Ritual-Mágico-Cênico>,
      07/08 (terça-feira),
      19h as 22h.
      Humaitá, RJ.
      Inscrições e + infos:
      circulo.concha@gmail.com

      20.07.18
    • às avós, nossos tesouros submarinos

      Avós são como tesouros submarinos. É preciso vestir um escafandro e num mergulho íntimo, escavar as jóias nos dentros do mar.  Nas matriarcas estão contidas muitas memórias, histórias, saberes, informações, vidas condensadas. São mulheres que carregam em si um legado precioso de experiências e leituras do mundo, que já integraram todos os arquétipos e estão prontas para partilhar seus compêndios e relicários. São a persistência encarnada.  Me parece que em tempos onde só a juventude é cultuada, acabamos por desperdiçar uma herança que nos é de direito.  Notei que essas mulheres minguam sem a perspectiva do compartilhamento, como se de alguma forma, estivessem assistindo a algo muito valioso se deteriorar por falta de lida. Como uma terra fértil onde nada é semeado. As coisas se dão a partir da relação entre as partes. 

      O culto à juventude e à matéria nos escraviza, especialmente a nós, mulheres, nos cobrando padrões estéticos impossíveis, plantando em nós uma espécie de medo do tempo. É como se não pudéssemos percorrê-lo, como se envelhecer fosse proibido e tivéssemos de evitar o inevitável, como se fosse necessário nos manter pra sempre moças e disfarçar de todas as maneiras possíveis a passagem dos anos. Isso tem fomentado uma negação em nós, nos impedido de entrar em contato, de acessar e valorizar nossas origens, os lugares de onde viemos. Isso nos assalta. E aumenta a distância, afeta nossas possibilidades de trocas e diálogos inter-geracionais. A mim, pessoalmente, como mulher e como artista, não me interessa sustentar essas exigências. Ao contrário, trabalho para subvertê-las a minha própria criação e espontaneidade.

      Esses padrões não cuidam da nossa necessidade de conexão, de expressão, de honestidade, de diversidade, de respeito às nossas heranças. Essa ditadura está longe de ser uma questão de saúde. Acho que isso não serve à vida, não colabora. E para mim essa resistência é um tipo de militância, de ativismo. Aprender a amar a mim mesma, a ser quem sou. Não reproduzir esses discursos e cobranças, como regras. É um trabalho profundo, esse, eu sinto. Que exige coragem, porque a pressão é muito forte. Um novo-mundo-novo se precipita e há de nascer através da escuta. Precisamos voltar a ouvir nossas avós. A cultura oral é muito importante, desde os povos originais. Como diria, meu mestre no teatro, Amir Haddad: "Quem não sabe de onde vem, não sabe para onde vai". E se temos pretensões e a necessidade de co-criar uma realidade que cuida melhor da vida, de inventar um novo tempo, diferente desse frenético, um tempo mais doce com a gente, um novo ritmo para nós, que nos dê a chance de cuidar de nós mesmas e umas das outras, de engendrar mais beleza no dia-a-dia; precisamos saber de onde viemos para, enfim canalizar os vetores das nossas vontades e materializar um presente-translúcido. Precisamos colher matéria-prima viva e a partir daí criar novidades. 

      Em alguma medida creio que estamos todas trilhando caminhos de volta pra casa, em direção às nossas essências, descobrindo nossas verdadeiras fragrâncias, talentos, dons, anseios, poderes. Nossa cultura ocidental nos impulsionou demasiado para fora e estamos reaprendendo a atuar no mundo a partir de um centro. Nós, mulheres, somos visionárias, como os artistas, anunciamos o que está por vir, convertemos dor em beleza, somos, naturalmente, aparelhadas para a criação, temos um útero, um centro de poder, para vislumbrar e materializar sonhos, somos as senhoras da forma e do tempo. E intuo que estamos todas grávidas de um presente-futuro-super-novo. 

      Avós são como bússolas, são pistas nesse caminho de volta ao lar. É chegado o tempo de saudá-las, de honrá-las. Dou vida as minhas avós, através da minha própria trajetória.

      Depois da morte delas, as incorporei na minha jornada. Sinto que integrei a força contida nelas, recebi da vida esse axé e ganhei muita força extra. Na natureza, as árvores mais velhas, quando tombam, concedem alimento às mais jovens e entregam seus próprios corpos em sacrifício. Creio que funciona mais ou menos assim conosco também. Existe um ditado no Quênia que diz: "É muito fácil ouvir o barulho das grandes árvores caindo, mas é preciso muita atenção para escutar o barulho da floresta crescendo". Sinto que estamos vivendo um tempo muito desafiador. A Joana Macy, da Ecologia Profunda, diz que no futuro, esse tempo será conhecido como o tempo da Grande Virada. E enquanto tudo parece estar ruindo, existem no mundo inteiro, movimentos incríveis de regeneração da vida. Creio ser importante escolhermos onde queremos colocar, conscientemente, as nossas energias, é uma questão de escolher onde focar. Promover mais aquilo que amamos ao invés de apenas delatar o que não serve, me parece fundamental. Algo sobre auto-responsabilidade e serviço nesse tempo de re-invenção. 

      Embora não seja esse o foco dos noticiários de TV e das manchetes dos jornais, eu vejo que está em curso uma revolução "silenciosa", provocando mudanças profundas e sem paralelo nas nossas maneiras de existir, de enxergar e de se relacionar com o mundo. Uma passagem de uma sociedade autodestrutiva e voltada para o crescimento industrial para uma sociedade que dá sustentação à vida. 

      Honrar os ritos de passagem, os saberes ancestrais, as curas, as celebrações e até resignificá-las me parece um legado que cabe a nós. Meu trabalho, como artista autoral, tem sido um percurso de reconhecimento, de valorização, de acolhimento e de desobediência. Um caminho de co-criação. Meu projeto, a CONCHA <Ritual-Mágico-Cênico>, um círculo de mulheres, é uma pesquisa, uma prática, um movimento artístico e de desescolarização, um híbrido das minhas pesquisas em teatro, sobre ritos culturais-ancestrais e o feminino. Um eco, um chamado que faço a outras mulheres para arar esse terreno, para fertilizar e engendrar novas realidades, para resignificarmos, no presente, o que é a beleza, o que é o corpo, o que é o tempo… É um movimento de desdoma, de desamortecimento, de liberdade e empoderamento. 

      Sou muito grata a todos os Círculos e Conselhos dos quais tenho feito parte, aos Círculos de Mulheres, de Enluto, aos Grupos de Prática de Comunicação Não Violenta, aos processos criativos e de auto-conhecimento … estas são a expressão mais autêntica de beleza que tenho visto, e a beleza, para mim, são os nossos poderes manifestos, a expressão das nossas verdades interiores, o livre compartilhar das nossas potências. Tudo isso atrelado a um comprometimento profundo com a tomada de auto-responsabilidade.  São muitos os desafios, mas é um bom trabalho e é preciso começar e persistir, de alguma maneira. O meu rezo, meu labor e a minha energia estão plantadas e se movimentando nessa intenção.  
      Salve a sabedoria das Avós! Pelos erros e acertos, pelas tentativas e fracassos, pela força-viva que são! Desejo que possamos honrá-las enquanto há tempo! Boa colheita para todas nós!

      >> A gente convidou a Nathalia Lima Verde pra escrever o texto acima. Ela é artista, atriz, pesquisadora, artista visual e performer e atua no projeto autoral, o CONCHA, que rola uma vez por mês no Rio. A próxima edição do encontro é dia 16/8. Anima de ir? Escreve pra ela no nathalialimaverde@hotmail.com. Ela tá abrindo um espaço-ateliê-alma, onde recebe mulheres para atendimento individual, também no Rio. Vale saber mais! 

      26.07.17