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      Tag: ladrilha

    • Ladrilha na FARM

      Olhar pra dentro e perceber nossas potências é um movimento que a gente ama fazer e tem sido um guia pra coleção nova, Natureza Feminina. Foi através desse processo sensível que a gente trouxe pro VM – visual mershandisng, das nossas lojas, o Ladrilha. É o projeto autoral e feito à mão e coração pela Fernanda Moreira.

      Sim! Você já viu e ouviu esse nome por aqui… A Fe, além de ser a luz por trás do Ladrilha, também nos inspira no nosso dia a dia, fazendo parte da nossa equipe de comunicação. Ela dá vida a textos e conteúdos mil, e cuida do nosso endomarketing. Já imagina a emoção que é fazer essa matéria com ela, né? <3

      Em 30 das nossas lojas desse brasilzão estão os ladrilhos com as frases “respeita a sua natureza”, “tenho um sol em mim” e “minha beleza é linda”, criadas pela Fe especialmente pra FARM.

      “A ideia era trazer afetividade e poesia pra uma coleção que celebra o feminino em todos nós. Reconhecer esse feminino também através da poesia, da literatura e da fala”, explica ela.

      De cara, talvez você se pergunte… Por que Ladrilha no feminino?
      O Ladrilha é um projeto muito íntimo, totalmente autoral, mas que nasceu para me representar e me expor em um ambiente plural e, a meu ver, extremamente hostil e machista, que é a rua. Colocar o nome no feminino – o feminino de ladrilho, que é a matéria-prima que trabalho, é fincar a resistência de ser mulher e estar na rua, de ser mulher e estar na rua fazendo arte. A resistência de só ser mulher. Além disso, ladrilha está no indicativo do presente e no imperativo afirmativo do verbo ladrilhar. Todo verbo é ação. Ladrilha é a ação que escolhi pra mim.

      Apesar de estar fazendo parte do vm da FARM, o Ladrilha é um projeto que conversa com as ruas… E eu pergunto, como surgiu essa ideia de ocupar os ambientes públicos, que muitas vezes são machistas, com poesia e força feminina?
      O ladrilha é um projeto de intervenção da poesia nos espaços públicos. Sempre quis levar as frentes da poesia para as ruas, para ambientes públicos, onde o acesso a ela não fosse limitado. A poesia tem subjetividade feminina e também sabe ser direta, cortante, estruturante. O ambiente público é sedento de energia, de gente, de afeto, de observação… Justamente porque transborda esses sentimentos e seus atravessamentos diante de invisibilidades, de carências…

      Entre tantas ruas possíveis de serem ocupadas pelo Ladrilha, onde tudo começou?
      O primeiro foi “Saber doer antes de saber doar”, em Botafogo, no Rio de Janeiro. Ainda está por lá, porém ilegível. Ganhou a intervenção de outro artista de rua e eu acho ótimo quando isso acontece. Significa que a possibilidade de interagir com sua própria expressão está viva.

      Por falar nessa interação entre a rua e os ladrilhos, o Ladrilha é feito em azulejos, um material frágil. E é colado nas ruas, um ambiente onde muitas vezes falta cuidado, respeito… Como você vê esse encontro?
      A escolha pelo material foi estética. Acho que os azulejos contribuem visualmente para a cidade. E sobre a relação entre a fragilidade do objeto, a durabilidade e o risco do que se expõe nas ruas, eu adoro essa negociação permanente. Gosto quando interagem com os ladrilhos, quando o riscam, quando o fotografam… Indo além, o risco é a negociação também de ser mulher e ser um corpo estatístico nas ruas, de sempre estarmos expostas a olhares perversos de homens machistas. O risco acontece para nós, diante dessa falta de cuidado e respeito, diariamente.

      Essa energia poética que enfrenta com sensibilidade os riscos da rua, agora potencializa a força feminina nas nossas lojas. Pela primeira vez em uma marca e sendo logo a FARM, qual é a sensação de trazer o Ladrilha pra cá?
      Nossa! É emoção demais! Há quatro anos eu faço parte dessa família, construindo conteúdos, projetos e sonhos no marketing. Há quatro anos, dedico minha energia de vida pra esse lugar que eu considero a minha segunda casa. A FARM me realiza sonhos. Quando fui convidada pela equipe de Visual Merchandising para participar do visual das lojas com um projeto meu, foi um presente. Ir às lojas da FARM já é uma experiência de amor porque reconheço cada criação que ali está e sei o tanto que cuidamos e estudamos pra que ela chegue até ali. Ir às lojas e me reconhecer junto é um espelhamento de gratidão. Desde que entrei pra FARM, tenho acreditado mais em mim. A FARM me potencializa como ser humano, como profissional e como mulher.

      Por fim, uma dúvida pessoal de uma aprendiz que sou pra minha mestre nas palavras… Fe, qual o seu ladrilha favorito?
      Tenho dois. O “Saber doer antes de saber doar” porque foi o primeiro e “Mar é sempre beira pra quem tem medo de fundo”. O dia que escrever um livro, esse será o nome, ela ri, finalizando.

      A gente não precisa nem dizer que já tá na torcida pra esse livro sair logo, né? Enquanto isso, que esse tanto de emoção que existe dentro de uma pessoa só continue inspirando mais e mais através das palavras, dos ladrilhos, da vida.

      Brilha, Fe! 

      21.07.18
    • ladrilha: construindo afeto nas ruas do Rio

      “Saber doer antes de saber doar.”
      “O amor é TUDO isso mesmo!”

      Você já cruzou com uma dessas frases pelas ruas do rio? Escondidas em delicados azulejos escritos à mão e espalhados pela cidade, as frases da jornalista Fernanda Moreira andam aquecendo o coração de quem esbarra com elas. Os nossos inclusive. Por isso fomos atrás da moça (aqui na mesa ao lado, risos, porque a Fê é redatora-chefe do Adoro e a gente morre de orgulho) pra saber como ela criou o projeto @ladrilha e de onde ela tira inspiração


      Foto: RIOetc

      Fernanda tem 29 anos e estudou jornalismo, mas quase fez letras. As palavras sempre foram suas amigas (um dos ladrilhos avisa: “Poesia é casa”), e ela conta que escreve intuitivamente desde os 16 anos. Conversando com a Fê a gente entende por que ela produz tanto: parece que a cabeça da moça já funciona num estado permanente de poesia. Essa saiu no meio da entrevista:

      “A poesia me permeia. Me consola. Me cura. Me ajuda. Me falta. Me castiga, por vezes. E é minha companheira, às vezes distante, às vezes inseparável. Desde que a conheci, cá estamos.”


      Foto: RIOetc

      A gente também queria saber como surgiu a ideia de passar os textos do papel pros azulejos, e ela contou que estava andando à tarde com o namorado por Santa Teresa quando mencionou que queria dar um jeito de levar mais afeto pras ruas, e ele respondeu que uma vez tinha colado um adesivo do bonde num azulejo e pregado num muro. Nessa hora a Fê teve o estalo: “vou escrever meus textos em ladrilhos!” Fazia todo sentido, ainda mais com o histórico colonial da cidade. É um trabalho duplo de ocupação por afeto: da cidade e dela mesma.

      “A política tá no amor, em me trazer de dentro pra fora. A ocupação, na verdade, é minha mesmo.”


      Foto: @ladrilha

      No início a Fê pinçava as frases de seus poemas, agora já está criando coisas específicas pro Ladrilha. As frases são escolhidas ou escritas intuitivamente, de acordo com o momento e o que ela deseja comunicar. Um perrengue inicial que ela teve que superar foi o fato de não curtir a própria letra, mas no fim das contas ela percebeu que algo tão pessoal não poderia ser concretizado de outro jeito. Além disso, em tempos de teclados e touchscreens, que delícia que é conhecer a letra de alguém, né? 


      Fotos: @ladrilha

      Mas e como é essa coisa de parir um trabalho e depois “abandonar” ele na rua? Será que não dá uma aflição? Perguntamos pra Fê se ela tinha histórias interessantes pra compartilhar sobre essa interação do público com a sua arte. 

      “Dia desses, recebi um direct carinhosíssimo de um rapaz que topou com um ladrilho em Botafogo, o "Saber doer antes de Saber Doar", e estava super grato pelo bem que a mensagem tinha feito naquele momento da vida dele. Recebo várias imagens compartilhadas no Instagram, pessoas que me marcam, que começam a me seguir elogiando o projeto. Certa vez, estava colando na São Salvador, que estava cheia, e rolou uma interação muito legal com a galera que estava em volta. Mas também rola muito ladrilho arrancado, e tudo bem. Ainda é curioso passar por um muro ocupado por mim, observar as pessoas fotografando ou lendo, e é engraçado passar e ver que o ladrilho não está mais lá. A rua é viva e esse é o barato!”


      Foto: @ladrilha

      A Fê também contou que gosta muito da sensação de trazer o afeto poético e o feminino pra rua, que infelizmente ainda é um ambiente muito machista e hostil. Aproveitamos pra finalizar perguntando se ela curtia trabalhos de outras minas que fazem arte de rua, e ela indicou a grafiteira Di Couto, e o Coletivo Transverso.

      Arte e afeto de sobra nas ruas do Rio

      02.06.17