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sua mochila está vazia

      Tag: graffiti

    • FARM entrevista: camiz

      A gente ama graffite. Em uma das nossas andanças pelo Rio procurando um lugar legal pra fotografar uma campanha, nos esbarramos com a arte da Camila, mais conhecida como Camiz. Foi amor à primeira vista. 

      Chamamos ela pra um papo bom sobre arte e sobre a mulher na arte de rua. Descobrimos que as imagens da Camiz são palavras. Lê com atenção, vai… 

      O grafite é uma intervenção artística que ocupa os espaços públicos e adentra questões fundamentais como território, representatividade, a rua como espaço social. Como você define a ideia de 'ocupar os espaços públicos'? 
      Ocupar é preciso.Principalmente se você vem de onde eu vim. A rua é a melhor plataforma de manifesto. O território é nosso, de todos. Pintar na rua foi a melhor forma que encontrei de me comunicar com as outras pessoas que estão além do meu ciclo comum, qualquer pessoa pode ver. E não é comunicar impondo minha opinião sobre algo, através da pintura, sinto que é possível abrir portas para interpretações variadas. É uma troca. Aprendo muito com o retorno do olhar do espectador que é tão revelador. As pessoas entendem ou não, respeitam, ou não, amam ou detestam.

      Você é mulher, artista de rua, mãe. Como você vê a sua relação com o feminino, como mulher-artista, desde 2010 (quando você começou) até hoje? Inicialmente era bem ruim, mas na época não tinha tanta consciência do quanto era ruim mesmo! Quando comecei a cena no Rio era masculina, e eu estava começando, o que dificultava mais ainda as interações. Hoje, graças a deusa, sei quem sou, e tomei de volta meu lugar de fala, que até então não existia! Os meninos não eram fáceis, nunca são,  mas encontrei algumas pérolas no caminho.O que posso dizer é que hoje valorizo meu gênero, dou ênfase a ele sim, faço tudo como uma mulher.

      Essas mudanças reverberam diretamente na sua arte, né? Diretamente e indiretamente, por todos os lados, rsrs.

      Qual sua memória afetiva em relação à arte? Isso te levou pro grafite? 
      Olha nunca tive ninguém no passado, família, que tenha me motivado, de forma que me fizesse acreditar em desenhar até os 20 anos. Eu sempre escrevi poesias, um dia na escola na primeira série, escrevi uma redação e minha professora me disse que eu nunca deveria parar de escrever, até me deu um prêmio por isso. Acho que esse foi meu maior incentivo artístico da vida. Eu continuo escrevendo, geralmente muito subjetiva, às vezes violenta, tudo que pinto, tudo que desenho é fruto de coisas que escrevo, até quando escrevo só com meus olhos, só com meus pensamentos. Se você perceber, essas pinturas são todas as minhas palavras. 

      Além do grafite, você também é tatuadora. A tatuagem chegou como na sua vida? São corpos e espaços diferentes para celebrar sua arte…
      A tattoo chegou mais como um apoio financeiro. Foi logo depois que o Bento nasceu, meu companheiro e eu precisávamos de mais grana. O início pra mim foi tenso, eu tinha muito medo, é uma grande responsabilidade. Até que parei por um tempo, e recomecei aceitando tatuar somente quando fosse totalmente autoral, o que foi muito mais prazeroso de realizar. 

      Conta como foi seu processo de se 'assumir' artista? De entender que você é grafiteira, que essa é uma escolha profissional também… Como foi isso?
      Olha foi quando eu deixei a vida de assistente de cenografia e decidi me dedicar exclusivamente ao meu trabalho artístico.E também quando fiz meu primeiro trabalho de mural com outros grafiteiros. Aí pensei: – Viu! é possível! Hahaha

      E suas pesquisas de referência, história, inspiração: quem são as pessoas te inspiram? 
      No momento meu trabalho esta voltado para as minhas raízes, para os lugares de onde vim, as pessoas de lá, seus dialetos, para a cultura periférica. Mas também tenho muitas pessoas!
      Muitas pessoas tenho relações diretas, são meus amigos, meus chegados. Me inspiro muito nas relações, em atitudes comuns ou não, das pessoas. No graffiti mulheres como: Lídia Viber, Panmela Castro, Tereza de Quinta…. e boys como Miguel Afa, Kid, Memi, ….pintoras como Frida Kahlo, escritoras como Alice Ruíz…. Poderia escrever uma página aqui de gente incrível. 

      Opa! E a gente apoia a lista e acresce a Camiz como nossa inspiração também. Que venha um livro de imagens… 

      21.05.18
    • lições de tinta e spray

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      O que grafiteiros renomados e escolas municipais têm em comum? Eles se juntaram pra ensinar o graffiti aos estudantes e, juntos, colorir os muros das instituições. Com curadoria do artista, Toz, baiano radicado no Rio de Janeiro, internacionalmente reconhecido e um dos fundadores do coletivo Flesh Beck Crew, o P.A.Z (Paredes Art Zone) é um projeto que vale conhecer!

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      Idealizado pela franco-brasileira Elodie Salmeron, produtora cultural e diretora da Valeu Produções, o P.A.Z conta com a participação de três outros grandes nomes do graffiti além de Toz: Bruno Bogossian – o BR, Marcelo Jou – o Fins e Wark. Durante este mês vai rolar uma oficina de graffiti em quatro diferentes escolas municipais da cidade,pra incentivar a criatividade dos estudantes e levar às salas de aula mais sobre essa arte urbana.

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      A gente bateu um papo com o casal Toz e Elodie pra entender mais do projeto, vem saber:

      Pra vocês, como a cultura do graffiti pode mudar a vida de uma criança que ainda está na escola?

      Lolo: Muitos artistas graffiteiros, eram “estudantes problemáticos”, não gostavam de escola, não gostavam de estudar, começaram com pixação… E no final, se tornaram artistas reconhecidos que vivem da arte deles. Eles são um exemplo bem interessante pras crianças, mostrando que o importante é se esforçar, não desistir… se você se dedica a o que você gosta, você consegue e arrasa!

      Toz: Acho que pode abrir novos caminhos, sim e fortalecer aqueles que já tem algum talento pro desenho. A ideia é colocar arte na vida deles. Isso faz bem pra qualquer um em qualquer idade.

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      Como costuma ser a recepção das crianças quanto às aulas de grafite? 

      Toz: É sempre muito calorosa. Nunca dei aulas em escolas particulares, mas nas escolas públicas e comunidades que passei sempre é uma festa. Todos querem tentar pintar e se expressar. Já passei por bons momentos. Os alunos são sempre intensos. Sei que as professoras sempre se impressionam com o desempenho dos alunos que em aulas normais são ruins e na aula de graffiti o empenho e interesse são enormes.

      Toz, conta pra gente um pouco qual o sentimento que bate na hora de fazer um grafite em um muro da cidade?

      Toz: Eu amo pintar na rua. Pra mim cada muro é especial. Sempre procuro os abandonados e esquecidos. Me sinto um soldado das cores na missão de colorir meus caminhos. Sempre uma emoção diferente, nunca vou me cansar de pintar na rua.

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      Como enxergam o cenário do graffiti no Rio?

      Lolo: O cenário no Rio é muito vivo, e bem misturado, entre letras, personagens e pixações. Muitas peças pintadas com sprays. Quem graffita um muro no Rio vai ganhar os parabéns dos pedestres ou até da policia, isso é a primeira coisa que reparei quando cheguei aqui. Este “apoio” ao graffiti permite se deparar com peças grandes e trabalhadas dentro da cidade: murais grandes, com muitos detalhes… Coisa que é rara de ver em Paris por exemplo, onde a repressão é tão forte.

      Toz: Eu acho que o Rio está cada vez mais forte, tanto em evento como em artistas, hoje temos diferentes artistas e muita qualidade entre eles, do cara que só faz painel ao que só faz bombs nas ruas. O Rio cresceu e o graffiti aqui também. Tenho orgulho de participar e ver isso tudo acontecer, acho que hoje a cidade já faz parte da cena mundial do streetart.

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      Quais os muros da cidade que são mais interessantes pra vocês e os eventos culturais de arte de rua em que vale marcar presença?

      Lolo: Têm dois bairros históricos do graffiti no Rio: Jardim Botânico e a Zona Portuária. É só passear pelas ruas desses lugares que você vai ver muitos graffitis, uns bem velhos, outros novos. Fora disso, Santa Teresa é também um bairro bem grafitado. Não posso esquecer o painel de 2000 m2 na Praça Mauá. Para os eventos, recomendo os eventos do Flesh Beck Grill, que mistura tinta, burgers e musica, o melhor da cultura graffiti!

      Toz: Eu atualmente tenho pintado perto da minha casa-ateliê, que fica em Santa Teresa. Mas para o lado do Catumbi. Lá existem muitos muros e pouca gente pintando, pelo menos por enquanto. Existem painéis clássicos como da Pedra do Sal (Zona Portuária) na sede da B2W e também o de Santa Teresa, na Rua Almirante Alexandrino, próximo ao Bar do Serginho (Curvelo). Tem também o murão do CAP, na Lagoa, e o do Jóquei também. Esses são os maiores e mais legais em minha opinião.

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      fotos: reprodução

      Ficou curioso pra ver o resultado desse projeto tão bonito? Fica ligado nos muros das escolas Benjamin Constant, no Santo Cristo, José Pedro Varela, na Pavuna, Paula Brito, na Rocinha e Pedro Ernesto, na Lagoa. Vai ter pintura, e alma, renovadas! 😉

      19.05.15
    • graffiti pra todos

      farm-bienalgraffiti-1O Parque Ibirapuera, em Sampa, ganhou uma explosão de cores novas graças a uma exposição de graffiti. Afinal, foi-se o tempo em que a arte de rua ficava somente nas paredes de cidades urbanas. É claro que a gente fez uma visita e vem contar como tá a mostra:

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      O graffiti invadiu galerias e museus, e a 3º Bienal Graffiti Fine Art segue o sucesso que foi a último expo. São mais de 60 grafiteiros vindos do mundo inteiro. Uma mistura incrível!

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      São murais gigantes e quadros pintados com spray e estêncil, além de algumas instalações e esculturas diferentes, porém igualmente coloridas, que se espalham entre os murais.

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      Alguns artistas retratam uma brasilidade moderna, outros, preferem se inspirar na cultura pop. Sem dúvidas, a diversidade é o ponto mais forte da exposição, além de agradar pessoas de todas as idades.

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      O graffiti é visto e analisado de outros ângulos, já que dá pra chegar pertinho e espiar todos os detalhes intensos de tinta. E esse é o objetivo da bienal, idealizada pela produtora Mega Cultural.

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      Fotos: Ju Kang/Girl Etc

      A exposição fica no Pavilhão das Culturas Brasileiras até o dia 19 de Maio. E a entrada é gratuita. Programão, vai lá! 🙂

      28.04.15
    • galeria – criola

      Potência, orgulho e beleza talvez sejam os principais temas da artista mineira Criola. Pelo menos, é o que nos salta num primeiro olhar sobre suas artes que se espalham pelos muros de BH. Potência feminina, orgulho negro, a beleza da raça, a potência da arte, o orgulho feminino, a beleza negra… as palavras podem se misturar infinitamente, assim como as cores que Tainá usa pra se expressar, e pra expressar sentimentos de tantas mulheres que se identificam com sua força, com sua beleza, com seu orgulho

      http://youtu.be/IjlEljbPK40

      Assim como nós nos inspiramos, e vamos acompanhar cada vez mais de perto 😉

      05.02.15
    • uma flora

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      Hoje é a vez de contar a história da Flora Didonet, jovem artista que começou de maneira delicada e modesta, mas já conquistou o amor do  Adoro. Estudante de Design da PUC Rio, Flora tem colorido as pessoas e o Rio de Janeiro com o projeto @umaflora!

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      Filha de pai gaúcho e mãe carioca, ela nasceu  em Mato Grosso, morou muito tempo em Macaé, e hoje encontrou o seu refúgio na casa do avô no verde do Alto da Boa Vista. A relação com a natureza sempre foi algo muito importante e esta ligação diária interfere na sua rotina, humor e energia!

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      Relação passada por gerações na família, já que Flora sempre fez viagens com os pais e os três irmãos pra destinos ecológicos, de onde são suas melhores lembranças da infância e a sua grande inspiração! O apreço pela arte também é influência da família,  principalmente pela mãe arquiteta, que desde o início patrocinou e estimulou seus riscos e rabiscos.

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      O novo projeto, Uma Flora, surgiu de um imprevisto em sua última viagem, um mochilão no Chile. Após ter furtada sua câmera e celular, Flora se viu sem meios de registrar os detalhes que encontrava pelo caminho e foi com o resgate do papel e das canetas que descobriu um novo olhar.

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      Ao longo do processo, ela percebeu que só a observação e ilustração não expressavam tudo o que ela sentia e foi daí que nasceu também sua poesia. Sensibilidade e inspiração que transbordam o papel! O feedback super positivo do público e o amadurecimento de seu personagem incentivaram vôos  maiores, como o uso de novas técnicas; a aquarela, a acrílica, a gravura e o grafite.

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      Com a ajuda do amigo Bernardo Martins, o Snitone, ela botou sua arte na rua! Ao  postar  nas redes sociais a identificação das pessoas foi ainda maior e a partir daí ela não parou mais. Sempre em busca de novos desafios,  Flora promete não se acomodar em uma só linguagem e estar sempre buscando melhorar e produzir novidades. Até por que, como ela gosta dizer “o final é apenas o começo!”.

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      Pra acompanhar as andanças e até mesmo garantir um exemplar é só acompanhar o instagram @umaflora e a página no facebook Flora Didonet.

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      E quem quiser conferir ao vivo é só ficar de olho nos muros pelo Alto da Boa Vista, Cosme Velho, Lagoa e Gávea!

      17.10.14
    • muros e grafites do rio

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      O Rio conseguiu ficar ainda mais colorido. É que os muros da cidade estão cada vez mais preenchidos com desenhos, cores vibrantes e até quadrinhos! Olha só esse muro amarelo, cheio de abacaxi assinado por Leonardt. Lindo! Ele fica no Flamengo, na Rua Machado de Assis.

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      Lá em Copacabana também tem alguns pontos bem bacanas! Quem pega o metrô da Siqueira Campos pela Rua Figueiredo Magalhães já deve ter notado o Paginário, um muro onde as pessoas colam as páginas favoritas de seus livros queridinhos. O paginário também tá presente na rua General Glicério, em Laranjeiras.

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      Ali pertinho, na esquina da Rua Tonelero com a Rua Figueiredo Magalhães, achamos uma arte iradíssima do artista Alberto Serrano, mais conhecido como Tito, que espalha seus quadrinhos e personagens próprios por aí!

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      Ainda por Copa, a praça Sarah Kubitschek, recentemente revitalizada pelo projeto “Te Vejo na Praça”,  ficou muito mais charmosa com as novas intervenções artísticas.  Quem conhecia antes sabe que o lugar andava meio abandonado, cinza… e agora está feliz que só!

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      Na Lagoa, o novo muro do Jockey Club está chamando a atenção de quem passa por ali! Lembra que a gente já contou aqui? O muro está com artes hipnotizantes, alegres e cheias de detalhes.

      06Fotos: José Felipe Gasparian e Vanessa Mello

      Não é segredo pra ninguém que a gente adora arte urbana e quando é no Rio de Janeiro, nem se fala! Fica tudo ainda mais bonito! ♥

      23.08.14
    • galeria – um panorama urbano

      A partir desse sábado a CAIXA Cultural vai trazer ao Rio a expô “Street Art – Um panorama urbano”, reunindo obras de alguns dos maiores nomes do graffiti internacional. Até dia 5 de Outubro vamos ver de pertinho trabalhos de: Jef Aerosol e Rero (França), Pixel Pancho e a dupla StenLex (Itália), os irmãos HowNosm (EUA), ±MaisMenos± e Vhils (Portugal), e os brasileiros Herbert Baglione e Nunca. Sem contar, duas obras dele, o homem, o mito: Banksy!

      Fora das quatro paredes da expô, os artistas Jef Aerosol, ±MaisMenos±, Rero e Herbert Baglione já estão no Rio de Janeiro deixando intervenções pelos muros da cidade.

      Pra ver ao vivo, pra não perder!

      31.07.14
    • arte de rua na galeria

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      Uma dupla conhecida mundialmente, mas que é coisa nossa, os gêmeos Otávio e Gustavo Pandolfo abriram em São Paulo uma exposição inédita, cheia de cor e inspiração para quem curte arte urbana.

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       A ópera da lua” traz 30 pinturas, três esculturas, uma instalação musical e um vídeo-instalação 3D. Essa, que é a terceira exposição da dupla em solo brasileiro, abusa de outras técnicas além dos grafitis dos artistas já conhecidos das ruas por aí, trabalhando também esculturas e instalações.

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      Até 23 de agosto, a exposição acontece no Galpão Fortes Vilaça, mesmo local onde os artistas fizeram sua primeira exposição.

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      Aproveitando o tour, tem mais trabalho das ruas que foram parar dentro delas:

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      Na Galeria Zípero grafiteiro paulistano Zezão, que começou pintando galerias pluviais em São Paulo apresenta pinturas, uma instalação e objetos que discutem os limites da vida urbana, em obras criadas com materiais e objetos encontrados em esgotos, rios e córregos da cidade.

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      Hoje, dá pra achar os grafites de Zezão em muros, paredes de esgotos e viadutos de cidades como Nova York, Paris e Londres, entre outras.

      Vale a visita!

      02.07.14
    • farm entrevista: airá ocrespo

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      foto: Dani Dacorso

      Há pouco mais de um mês o Rio é oficialmente apoiador do grafite, porque em janeiro o prefeito assinou o decreto “Grafite Rio”, que tem dado o que falar. Apesar de já colorir e inspirar o dia a dia das paisagens do carioca há décadas, só agora essa arte começa a ser reconhecida legalmente pela política. A notícia, no entanto, provocou rebuliço no meio artístico e levantou questões pra lá de polêmicas.

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      “Mas e a essência transgressora?”, “E precisa lá de decreto pra fazer arte?”, “Vai mudar alguma coisa?”. Entre questionamentos válidos e acalorados, chamamos o Airá (que já trabalhou com a gente na Casa de Verão) pra contar melhor essa história. “O decreto manifesta publicamente a importância que o grafite tem pra cidade. Isso pode render bons frutos pra nossa arte”, ele explica.

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      O cara tá na cena há anos e já espalhou muitas de suas ideias pelos muros da cidade. No Grafite Rio, ele participou das reuniões de formatação do projeto. Além disso,  é curador do GaleRio, que vai cobrir toda a linha 2 – de São Cricri até Pavuna – com grafite e promete se transformar na maior galeria a céu aberto do planeta.

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      São mais de 40km de arte pra quem enfrenta essa jornada todos os dias. Sobre o Grafite Rio, ele figura entre o grupos dos otimistas: “a médio prazo essa iniciativa pode transformar a gente em pólo mundial da arte urbana”. Se liga!

      Conta pra gente o que o decreto Grafite Rio significa.

      O Decreto é criado pra manifestar pública e oficialmente que o grafite tem grande importância pro Rio e principalmente pra balizar as decisões e procedimentos internos do poder público sobre essa arte. Ele também institui meios de fomentar a arte urbana na cidade, como através da liberação de determinadas áreas para a livre prática de grafite, dando suporte pra catalogação virtual da arte urbana pelo #StreetArtRio, com o projeto GaleRio que é uma plataforma de revitalização urbana por meio da arte e também com o apoio a um Conselho Carioca de grafite.

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      Qual a importância dessa iniciativa?

      É grande em vários aspectos, vai fazer com que os projetos de grafite sejam vistos com outros olhos em meio aos processos burocráticos de editais e autorizações da Prefeitura. Também vai permitir que os artistas urbanos tenham mais tranquilidade pra realizar suas ações, sem temer uma abordagem brusca da lei. Além disso vai potencializar um site que está mapeando a arte urbana na cidade permitindo que esta se eternize pela rede através do GaleRio. A iniciativa também ajuda a abrir um canal direto e desburocratizado de diálogo dos artistas com o poder público, através do Instituto Eixo Rio.

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      O que você acha da polêmica que foi criada em torno da novidade?

      Acho que a polêmica foi desnecessária, mas de certo modo ela é natural. As pessoas estão bem chateadas com a Prefeitura e por melhor que seja uma iniciativa tomada por ela, gera uma série de desconfianças. Além disso o grafite tem caráter transgressor e uma origem livre. Daí muita gente especulou achando que o decreto estava vindo para regular a ação dos artistas, o que não é verdade. Muito menos dizer o que é arte e o que não é, como até noticiado foi. Isso foi um equívoco, é o inverso da nossa proposta que é a de agregar valor.

      Eu me Vendo

      O que você acha da aceitação arte urbana hoje no Rio?

      Eu vejo que é um movimento que está se consolidando, a cidade acata muito bem ao grafite. As pessoas passam e nos elogiam enquanto estamos pintando, pegam nosso contato, pedem pra tirar foto junto. E isso vai da Zona Sul ao extremo da Zona Norte ou Oeste. Pra citar um bom exemplo o Profeta Gentileza, que foi o primeiro grafiteiro da cidade, teve suas obras tombadas como patrimônio e o seu lema “Gentileza gera Gentileza” se tornou praticamente um slogan do Rio.

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      O que pode mudar com esse decreto?

      Nas ruas, influi pouco mais significativamente, pois melhora a visão que qualquer tipo de agente repressor possa ter em relação ao nosso ato. No próprio lançamento do decreto, foi enfatizado que o documento era um ato simbólico pra dar mais respaldo a ação dos artistas na prática e na hora de tentar conseguir apoio para realizar ações maiores. Mas olhando como um todo, creio que o decreto potencializa a cena do grafite do Rio e a médio prazo pode transformá-lo num dos maiores pólos dessa arte no mundo.

      Qual o cantinho do Rio que você acha mais a cara do grafite?

      A Lapa, porque tem essa atmosfera informal e despojada que o carioca possui e que é típica do grafite. A Lapa tem uma cultura de Rua muito forte e é um bairro que tem importância fundamental na história da cena por ser um aglutinador. Locais como a Fundição Progresso, por exemplo, já abrigaram movimentos estratégicos em diversos momentos.

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      Onde você vai mandar a sua próxima arte?

      A gente não planeja, as pinturas acontecem espontaneamente. Mas em março vai rolar a primeira fase do projeto GaleRio e eu estarei com uma equipe pintando próximo a estação do Metrô de Triagem. Criaremos um corredor cultural lá, vai ser uma grande empreitada. Fora isso eu tenho grandes trabalhos como por exemplo no muro da Usina do Asfalto, na Leopoldina, no muro do Museu Histórico Nacional, na Praça XV e na Lapa, no mural dos Boêmios em frente ao Circo Voador.

      Quais são as suas referências na hora H?

      Minha principal referência é a música, pois sou MC também e me ligo muito nas sonoridades e ritmos. Gosto de arte em geral, poesia, literatura, dança, performance… sou aberto a tudo que for bem criativo e original, pois gosto de inovar sempre. Meu traço caminha cada vez mais pra uma estética impressionista e essa é uma escola distante do grafite. Muitas vezes a moda e a publicidade também me inspiram, então eu procuro estar sempre antenado em tudo pra ir processando e produzindo do meu jeito.

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      O que mais falar? Viva o grafite! \o/

      10.03.14
    • banksy @brasil!

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      Não que a gente vá saber se esbarrar com ele na rua, mas dizem as boas línguas que está confirmada a presença (anônima, óbvio!) do mestre dos magos do street art no Brasil!

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      É isso mesmo, o artista inglês Banksy prometeu não dar as caras, mas trazer a sua arte pras ruas durante o Concreto, Festival Internacional de Arte Urbana de Fortaleza que vai rolar a partir do dia 15 desse mês.

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      Tudo bem ao seu estilo, segundo a produção, ele não quer mídia, vem por conta própria, inclusive bancando a própria passagem e hospedagem. Fino!

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      A gente não vai saber se esbarrar com ele, mas vai reconhecer direitinho sua arte. E se causar um quinto do rebuliço que andou causando nas ruas de NY, estamos feitos!

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      Por lá, além de espalhar seus desenhos cheios de crítica social pelos quatro cantos, Banksy fez esculturas, circulou um caminhão com um jardim (com direito a borboletas!) e outro com bichinhos de pelúcia a caminho do “abate” ( 🙁 )…

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      … fez arte com os brazucas Osgêmeos, e ainda foi responsável pela melhor pegadinha dos últimos tempos: vendeu suas obras a preço de banana numa barraquinha no Central Park. E como ninguém sabia que eram originais, as obras encalharam!

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      Bem, se vir algum estande vendendo esses grafites em Fortaleza já sabe: compra uns pra gente! 😉

      11.11.13
    • o avesso do avesso

      Uma casinha de vila, as janelas abertas, uma escadinha receptiva e a gata Pura pra nos receber. Assim é o estúdio de Mateu Velasco, pintor, ilustrador e artista gráfico e urbano que abre a exposição Avesso do Avesso, amanhã na Galeria Movimento.

      Ao entrar, a cena é típica de um recanto de artista: telas espalhadas, esculturas que enchem a sala, gravuras, algumas de própria autoria e outras de amigos… praticamente uma exposição particular.

      Mateu, que desde a adolescência tinha a arte como certeza, começou nas ruas do Rio com seus grafites hoje reconhecidos facilmente. Com o tempo, a ilustração passou a ter o seu lugar de fé e as gravuras e telas começaram a dividir e, por pouco, substituir, o lugar dos muros.

      Os trabalhos que protagonizam a mostra foram resultado de um momento de introspecção.

      As imagens, que retratam momentos cotidianos como andar de skate, nadar e dançar, ganham um toque lúdico e abstrato, atributo novo nas suas obras. Diferente de quando definia um tema, dessa vez Mateu deixou fluir e a inspiração veio do trabalho e da reflexão.

      Se criar era um momento de silêncio e calma, hoje os dias são comandados pela rapidez e instantaneidade – a sociedade virou do avesso. Mas foi num momento de “parar e pensar” que Mateu conseguiu combustível pro processo criativo. E, por isso, o avesso foi virado do avesso.

      Com muito trabalho, Mateu também está participando da Multigrab Expo Shape e vai, mês que vem, pra Budapeste. Quem curtiu a prévia, vale conferir as telas, que vão estar à venda com direito a caixa de colecionador. E fica um beijo pra Juliana Rocha, responsável pelas imagens do post 😉

      Mateu inaugura no dia 2 de agosto a exposição, Avesso do Avesso, na Galeria Movimento, no Cassino Atlântico. Nos vemos lá!

      01.08.12
    • arte no shape

      Tá rolando até o dia 14 de setembro uma exposição imperdível pros amantes da arte de rua, ilustrações e skate. É a Multigrab Expo Shapes que abriu na última quinta feira ali no Galpão das Artes Urbanas Helio G. Pellegrino, na Gávea.

      A mostra faz um panorama da arte urbana carioca na atualidade e tem trabalhos de 42 artistas representativos na cena atual.

      Shapes de Madruga e João Bives

      Entre eles está Acme, Mack, Mateu Velasco, Doria e Ment, além dos idealizadores do evento Luís Otávio ‘Madruga’e João Bives e o produtor Bruno Big.

      E, além da mostra, o dia da abertura contou com área de obstáculos de skate, música, customização, painel de graffiti e muitas outras atrações inéditas no evento, que está na sua 4a edição.

      Pra quem se animou, a expo é ali em frente ao planetário e a PUC e fica aberta de segunda à sexta, de 9h às 17h. A entrada é gratuita!

      31.07.12