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sua mochila está vazia

      Tag: gambiarrista

    • mestres do fazer – getúlio damado

      bola_getulio

      Nosso segundo Mestre do Fazer é mineiro da cidade de Espera Feliz, mas vive aqui pertinho, em Santa Teresa, num lugar que ele próprio apelidou carinhosamente de Cantinho do Céu.

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      Criado em um ambiente familiar artístico eminente (o pai era marceneiro e a mãe fazia bordado, tecelagem, peneira e mais um monte de coisas), ainda na infância Getúlio fazia os próprios brinquedos, pequenas previsões de seu futuro como artista. Tentou de um tudo: foi catador de lixo, vendedor de balas ambulante, trabalhou em rede de supermercados… Até que, inspirado pelo sobe e desce do bondinho de Santa Teresa, resolveu replicá-lo, quase sem querer, e não parou mais.

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      O primeiro, feito de sucata “na mão e na faca”, como ele diz, ainda está ‘guardado à chave’ e desse ele não abre mão: “Já rejeitei uma dinherama por ele, é a única peça que não está à venda, o resto fica tudo aberto aqui”, conta apontando pras várias miniaturas que viraram sua marca registrada, além de outros mil bonecos e objetos feitos de tampinhas de garrafa, embalagens de plástico e ripas de madeira, que ele cata pela cidade. Tudo guardado no seu bonde, o Bonzolândia, uma cópia do famoso bondinho em tamanho real e que faz vezes de ateliê, loja, depósito e obra de arte, claro.

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      Aliás, os bonecos são uma história à parte: a ideia de criá-los veio depois que um amigo eletricista montou uma oficina na rua e pediu a ele que o indicasse à clientela. O artista resolveu fazer propaganda à sua moda. Pegou madeira, garrafas e tampinhas, transformou em cabeça, tronco e olhos e, concluído o boneco, fez uma seta apontando pra oficina: “Conserta-se televisão”. Virou sucesso. Cada um têm seu nome e história: Maria Rita, Cheroso, Peixoto, Carlito, Chico Muricó, até Pelé e Dilma.

      getulio

      Já participou de várias exposições e, apesar da fama (inclusive lá fora), continua fazendo seus trabalhos todos os dias. Pra conhecer o universo colorido do Getúlio pessoalmente, passa lá na Rua Leopoldo Fróes, número 15, que ele recebe com muito carinho clientes e curiosos. 🙂

      26.09.15
    • mestres do fazer – dona efigênia

      bola_efigenia1

      Essa semana a gente falou por aqui de como nasceu a coleção Mestres do Fazer, inspirada nas histórias de quatro gambiarristas do nosso país. Hoje, nós vamos apresentar nossa primeira personagem, a carismática Dona Efigênia, mais conhecida como ‘A Rainha do papel de bala’.

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      Mineira de Abre Campos, se mudou pra Curitiba nos anos 60, passando de lavradora a moradora de rua. Lá pros seus 60 e poucos anos, já viúva e trabalhando na Feira do Poeta (ah, ela também faz vezes de poetisa), encontrou um papel de bala brilhante, que, na hora, pensou se tratar de uma joia. Quando percebeu que era apenas um papel ouviu um vozinha no coração dizendo: ‘é muito mais que uma joia‘.  Logo depois achou um chinelinho de dedo, uns palitos de dente… Foi catando tudo, amarrou com os fios da própria roupa e fez sua primeira obra de arte: a árvore dos sonhos.

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      Desde então, não parou mais. Foram mais de duas mil peças: cria roupas, chapéus, sapatos, bonecas, peças lúdicas e todo um universo poético e cheio de cores do que acha pelas ruas.“Tudo o que respira tem vida. Sempre procuro passar uma mensagem educativa nas minhas obras, a educação no ambiente. As pessoas não tem discernimento sobre a vida ecológica. Eu catei aquele papel e isso pode ser algo grande. Se fizer isso todo dia, são 365 papéis a menos. Posso plantar uma semente no lugar de onde tiro o papel, se eu cuidar do planeta, cuido de mim”. Linda, né?

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      Já foi tema de documentários premiados, participou de uma exposição no Museu Oscar Niemeyer e sempre participa de encontros de cultura popular Brasil afora. Além de ter criado em seu ateliê o museu A Vida do Papel de Bala.

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      Dona Efigênia é do tipo que tem o espírito jovem e diz que o segredo, aos 82 anos, é não parar de trabalhar. Ama contar histórias e falar em versos: “Pelas ruas isoladas/ ninguém me conhecia/ sentei lá na calçada/ e declamei poesia”. Não é de se apaixonar? ♥

      24.09.15