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sua mochila está vazia

      Tag: FARM entrevista

    • FARM entrevista: auroras

      Nem museu e nem galeria, nem uma instituição e nem um lar, quase isso tudo ao mesmo tempo, mas ainda além, o auroras é um espaço de arte independente, onde a arte mais do que ocupar ou se exibir, habita confortavelmente e se sente em casa. Assim como Ricardo Kugelmas, que depois de dez anos como art advisor em NY, voltou a São Paulo pra compartilhar com a gente o belo casarão modernista de sua família, num projeto generoso e apaixonado.

      Apadrinhado por ninguém menos que Tunga, o auroras abriu as portas no ano passado ao público apaixonado não só por arte, mas por todo o processo artístico. De lá pra cá, as salas por onde Ricardo correu na infância já foram preenchidas pelas pinturas de Alex Katz e David Salle, pelas esculturas de Lydia Okumura, por uma coletiva que reuniu pequenas obras de artistas como Ana Elisa Egreja, Luiz Zerbini, Jac Leirner e Janaina Tschäpe, entre outras atividades criativas definidas com a ajuda de um senhor conselho consultivo, recheado por nomes como Antonio Dias, Lenora de Barros e Charles Cosac.

      Conversamos um pouco com Ricardo pra saber um pouco mais sobre esse espaço, que estala de boas ideias e intenções:

      Quais suas primeiras memórias da casa?
      A casa, construída em 1957 e projetada pelo arquiteto Gian Carlo Gasperini, foi onde minha mãe e tia (Lenny Niemeyer) cresceram, então ela vem carregada de memórias muito antes de meu nascimento. As primeiras lembranças que tenho da casa são dos almoços que lá aconteciam todos os domingos, uma tradição herdada pela Lenny. Lembro de me jogar do segundo andar da biblioteca e cair deitado em um sofá de couro (que está lá até hoje). Só de pensar em uma criança fazendo isso hoje em dia, fico de cabelo em pé.

      Como é compartilhar um lugar que guarda tantas memórias afetivas, familiares e pessoais?
      É uma experiência muito especial. Apesar da casa estar praticamente sem móveis, existe uma energia incrível no lugar. Fico feliz em ver a casa viva e ser o guardião do espaço.

      O que diferencia auroras de uma galeria de arte tradicional?
      O auroras não é uma galeria, é um espaço de arte independente. O auroras não representa e não representará quaisquer artistas, assim como não participa de feiras de arte. O espaço existe pra fazer projetos com artistas. Numa cidade de 20 milhões de habitantes, devem existir muitos espaços de arte que não sejam galerias ou instituições. Acredito nisso e estou fazendo a minha parte.

      O que te fez se apaixonar por arte?
      A casa dos meus avós (onde hoje funciona o auroras) era recheada de arte sacra e pinturas modernistas brasileiras, e esse ambiente sempre me fascinou. Quando tinha uns 8 anos, meus amigos só queriam jogar Banco Imobiliário, mas eu só queria jogar Leilão de Arte, onde os jogadores compravam e vendiam obras de arte, e curiosamente todas as obras são do acervo do Masp. Em 2006, o artista italiano Francesco Clemente me convidou para dirigir seu ateliê em NY, e foi aí que comecei a me dedicar integralmente a minha grande paixão.

      O que te trouxe de volta ao Brasil?
      O Tunga foi o grande responsável por meu retorno ao Brasil.  Um grande amigo e mentor, ficou anos me incentivando a voltar ao Brasil e começar um espaço de projetos onde eu pudesse compartilhar um pouco da experiência que tive trabalhando por 9 anos com um grande artista em NY.

      O que torna a arte brasileira única, o que a faz diferente do que é criado no resto do mundo?
      Aprendi com o Tunga que arte não tem nacionalidade. Arte é arte, independente do lugar onde ela é produzida. Pessoalmente admiro muito os artistas cuja produção não "entrega" sua nacionalidade.  A quantidade de ótimos artistas que temos no Brasil é impressionante.

      O que te empolga no mercado de arte atual?
      O mercado não me empolga. O que me empolga é a importância da arte e dos artistas na construção de um futuro melhor.

      Como são criadas as exposições da casa?
      Quando criei o espaço, convidei uma série de artistas e algumas pessoas ligadas a cultura pra formarem o conselho consultivo do auroras, e junto com este conselho debatemos a programação do espaço.

      Qual seu espaço preferido na Auroras?
      A biblioteca, que tambem era o espaço preferido de meu avô. Curiosamente, a biblioteca é um "puxadinho" construído em 1972, ano em que minha mãe se casou com meu pai justamente nessa casa.

      Até Agosto, quando reabre com uma nova exposição, a casa segue aberta à visitação sob agendamento, onde é possível, além de conhecer o espaço, passar um tempo na biblioteca, que reúne uma coleção impressionante de livros de arte – e entender porque ela é o cantinho preferido do neto e do avô. 

      Promessa absoluta de novas inspirações e memórias, agora também acessíveis a nós! 

      05.07.17
    • o cara das marmitas

      A parceria da FARM com a Bento Store é um assunto que acelera o nosso coração. Tanto que fomos perguntar ao Carlos Ferreirinha, sócio da Bento, se do lado de lá a sensação é recíproca, e aproveitamos também pra conhecer um pouquinho mais da marca Ficou curiosx? Então olha só

      – Ferreirinha, a gente ficou muito feliz com a parceria, mas queremos saber de você: curtiu?
      Então, curtir é pouco. Na verdade a parceria com a FARM nos emocionou, aqueceu a alma, abriu sorrisos! Amamos!

      – E qual a importância que você vê nisso? angel
      É muito bacana quando marcas apertam as mãos, encontram caminhos juntos, acreditam na complementariedade… Todo mundo ganha e ainda mais o cliente, no final. É força de diferenciação e competitividade!  

      – Conta um pouco pra gente de como surgiu a Bento! 
      A Bento Store vem da inquietação de dois caras amigos que, juntos, se permitiram ter vontade de criarem um novo negócio, absolutamente inovador, em todos os sentidos. Estudamos oportunidades de forma geral por quase dois anos e nesse tempo "esbarramos" em produtos para "take away", as marmitinhas cool, modernas… Decidimos então focar nisso, desenhar um projeto arrebatador e, acima de tudo, surpreender com um conceito jamais visto.

      – Qual os maiores diferenciais da Bento pra outras marmitas convencionais?
      São muitos: modelos, cores, design, tecnologia. Tem modernidade tecnológica pra poderem ser colocadas no microondas, na lava-louças… Possuem também revestimento térmico, são sustentáveis e responsáveis com o meio ambiente, já que são BPA free.

      – Além de incentivar um estilo de vida mais saudável, a Bento tem toda uma preocupação com a causa ambiental também. Você pode contar um pouco mais disso pra gente? 
      Essa é uma preocupação forte nossa. Os produtos não podem ou não deveriam ser apenas bonitos. Precisam ser responsáveis, gerar menos lixo, menos uso do papel e do plástico. Produtos que sejam livres de BPA, o bisfenol-A (prejudicial ao meio ambiente e a nossa própria saúde).

      – A gente quer saber: e você, no seu dia a dia, também é adepto das marmitas?
      Se não era, passei a ser! Já #soumarmiteiro ou melhor #vireimarmiteiro sim! 🙂

      – Fique a vontade pra contar o que mais quiser, tá? 
      Uma coisa a mais… ter a FARM conosco foi a realização de um sonho! Admiração total pela marca! Inspiração! 

      A gente não poderia ficar mais feliz com essa entrevista, né? Vida longa à Bento, vida longa à FARM!  
      15.05.17
    • em paz e em silêncio

      Você já ouviu falar em meditação mindfulness? A técnica, que tem feito cada vez mais sucesso por aí, ajuda a recuperar a qualidade de vida e reencontrar o equilíbrio, cada vez mais prejudicado por toda a correria do dia a dia. Aliás: você lembra a última vez em que ficou em absoluto silêncio, conversando consigo mesmx? Esse momento é mais importante do que imagina e a Fabi Gomes, do blog Via Integrativa, nos ajuda a entender o porquê. Vem ver!

      – Fabi, conta pra gente: o que é a meditação mindfulness, afinal?
      Mindfulness é um termo em inglês que significa "atenção plena", ou seja, é como se define a habilidade de colocar atenção integral no que quer que a gente faça: ao comer, tomar banho, ouvir, falar, sentir sensações no corpo e respirar. Também é conhecida como Sati, na língua páli, que era usada na Índia há dois mil e quinhentos atrás: atenção plena, sabedoria e ética eram os três "pilares" ensinados por Sidarta Gautama, o Buddha (que significa "desperto") para aqueles que quisessem conhecer melhor a si mesmos e se libertar da confusão mental, num mundo que deveria ser tão caótico quanto o nosso, com guerras, conflitos e incertezas. O bacana desse boom de mindfulness hoje é que a prática conta cada vez com mais adeptos na área de saúde, e esse apoio embasado nos conhecimentos e tecnologias atuais, como a neurociência e psicologia cognitiva, ajuda a comprovar resultados ainda melhores da prática diária de alguns minutos de atenção plena.

      – E como a gente pode incluir esse tipo de meditação no nosso dia a dia?
      No momento em que estamos fazendo qualquer coisa: lavando a louça, no vagão do metrô, no sinal de trânsito. Se pudermos pausar, nos abrir para o que estamos sentindo no corpo e na mente e tentarmos relaxar onde estiver tenso, já estamos usando a habilidade da atenção plena. Ela é como um guarda na porta de um prédio observando todos que entram e saem. Se há pensamentos, percepções, emoções, a atenção nos ajuda a nos dar conta de que estamos sendo "visitados" pela raiva, ansiedade, alegria ou pela sede, bem estar, etc.

      – Quais são os principais benefícios que a meditação mindfulness traz pra vida? 
      Sair do piloto automático é a principal vantagem, que nos leva a todas as outras habilidades. Não reagir automaticamente, seguindo o padrão de fuga x ataque, é uma grande mudança para a maioria dos praticantes, segundo as pesquisas que tenho feito e acompanhado. Na pesquisa que fiz com três turmas de 20 pessoas, que praticaram por 8 semanas no Hospital Phillipe Pinnel, com o apoio do Dr. Marcos Miceli, psiquiatra especialista em neurociência, registramos uma lista de resultados experienciados na visão dos participantes do programa:
      – Melhoria da qualidade do sono;
      – Mais capacidade de perceber estados emocionais e padrões de pensamento não saudáveis;
      – Redução de ações baseadas em impulsividade (raiva, impaciência) e compulsão (alimentar etc.);
      – Melhor capacidade de prevenir e de retornar após crise emocional;
      – Melhoria na digestão de alimentos;
      – Redução da incidência de gripes e outros problemas de saúde ligados a baixa imunológica;
      –  Melhoria geral do estado de bem estar e maior equilíbrio emocional.

      – A atenção plena também favorece a vida profissional, os relacionamentos… Você pode contar um pouquinho mais de como ela atua nesse sentido? 
      Aprendemos desde a infância, na família, a nos regular interagindo com os outros. Para agir de maneira a criar conexões de confiança, que ajudem na colaboração e trabalho em equipe, precisamos do olhar, da escuta, aprovação e reconhecimento dos outros para nos sentir importantes, ou fazendo parte de um grupo. Algumas pessoas precisam mais disso. Outras, menos. Chamamos essa conexão com nosso próprio  "sentir" e o sentir do outro de empatia.

      Num mundo cada vez mais caótico a anomia (ausência de empatia) se torna uma  epidemia. No ambiente de trabalho, por exemplo, é onde passamos grande parte do nosso dia e os nossos estados de ânimo mudam de maneira muito dinâmica, nos altos e baixos dos acontecimentos. Quando aplicamos mais atenção as nossas percepções, vemos que muitas vezes agimos de maneira agressiva ou passiva em relação aos outros. Com a prática, paramos de reagir no impulso e de nos machucar e machucar os outros com ações e palavras que não necessariamente solucionarão o problema. Conhecer novas ferramentas para se comunicar de maneira mais assertiva é um ponto chave da prática de Atenção Plena. 

      – E você, Fabi, qual a sua formação? Como se aproximou da meditação? 
      Me formei em relações públicas pela UERJ e fiz pós em antropologia e desenvolvimento cognitivo pela UFF.  Trabalhei 15 anos com RH, em Inovação e Projetos Sociais de Educação em grandes empresas. Comecei a meditar aos 21 anos, na faculdade, levada por uma amiga a um templo budista. Acabei virando presidente da Sociedade Budista do Brasil e hoje apoio como membro da diretoria. O centro oferece cursos e retiros  gratuitos e quer fundar um mosteiro no Brasil.

      – E como a meditação ajudou você, na vida?
      Minha mãe era psicóloga, meu pai, psiquiatra, ambos filósofos. E uma família bem disfuncional, ou seja, com muitos altos e baixos. Eu desenvolvi sindrome do pânico e tive um hipotireodismo devido ao estresse, e a meditação me ajudou a entender meus próprios padrões não saudáveis e a me comunicar de outra maneira, o que a Comunicação Não Violenta (Marshall Rosemberg) me ajudou ainda mais. Em 2015 decidi fazer um ano sábatico e morei em mosteiros budistas, o que foi muito desafiador para mim. Hoje ensino yoga, meditação e cuido de pessoas que, assim como eu, sofrem por às vezes não saber se dar limites e se escutar, escutar suas necessidades, angústias, e as daqueles que nos cercam.

      – No dia 07 de maio a gente celebra o dia do silêncio e queremos saber: qual a importância do silêncio pra você? 
      Silêncio é pausa. É espaço. Compartilhar um momento de silêncio com alguém, meditando, tomando um chá, um sorriso, um pôr do sol, pode ser um momento de troca profundo, onde as palavras não são necessárias. Na medicina chinesa falamos do equilíbrio yin (dentro) – yang (fora). Vazio e cheio. Frio e quente. Na nossa cidade especialmente, estamos sempre no "fora", na extroversão. Há pessoas que nunca ficam 10 minutos sozinhas em silêncio em nenhum momento da vida. Apenas ao dormir. E ficar sozinho em silêncio é um momento de contato com nós mesmos: observar como a respiração acontece, a sensação do corpo e os pensamentos que passam na cabeça. É como criar um espaço interno, perceber um frescor e o equilíbrio que sempre está ali, disponível, mas que nunca vemos. 

      Fabi, a gente amou o bate-papo!  Agora é hora de praticar, shhh… 

      07.05.17
    • FARM entrevista: Fernanda Mello

      Foi passeando pelo Instagram que encontramos o perfil da nutricionista Fernanda Mello e aí, não teve jeito: nos encantamos de cara! Pratos lindos, saborosos e coloridos dominam o feed da Fê, que compartilha dicas pra lá de espertas que ajudam seus seguidores a terem uma vida mais natureba. Paulista e formada pela Universidade São Camilo, em SP, ela tem pós-graduação em nutrição esportiva e mora atualmente na Califa, nos EUA. Por lá, a moça ainda se formou como Health Coach pelo Institute for Integrative Nutrition e é certificada como "Specialist in Fitness Nutrition" pelo ISSA (International Sports Sciences Association). Pois bem: foi essa musa, cheia de diquinhas boas pra dar, que conversou um pouco com a gente sobre nutrição, estilo de vida e cuidados com a saúde. Vem ver! 

      Oi, Fê! Você pode começar se apresentando um pouco pra gente? Conta sobre a sua formação, experiências etc! 
      Sou nutricionista formada há 10 anos pela Universidade São Camilo, em SP, fiz pós graduação em nutrição esportiva, alguns cursos de especialização em nutrição funcional e aqui nos Estados Unidos me formei também como Health Coach, pelo Institute for Integrative Nutrition. Também fiz outros cursos de culinária funcional, raw, e sou certificada como "Specialist in Fitness Nutrition" pela ISSA. Desde que me mudei pra Califórnia, inovei o meu atendimento, buscando uma maneira mais holística de cuidar dos meus clientes, porque sentia que ajudar só na alimentação me limitava um pouco. Aí criei o blog, pra continuar incentivando as pessoas em uma alimentação com menos industrializados e mais comidas de verdade! Sempre atendi em consultório com consultas presenciais, mas hoje em dia 90% dos meus clientes são online. O mais engraçado é que tenho muito mais contato com meus clientes do que antes. Amo muito o que faço, seja em atendimentos, testando receitas, postando no Instagram ou escrevendo no blog. 

      Como você aconselha as pessoas a serem mais saudáveis no dia-a-dia? Com a rotina corrida que temos, muitas vezes fica difícil conciliar…
      Supercomum pensar que só porque somos ocupadas não temos tempo pra sermos saudáveis. Isso é um bloqueio mental bem comum de qualquer pessoa que ainda não tem o hábito de cozinhar ou comer com consciência: transformamos em um bicho de 7 cabeças e isso impede que muitas pessoas pelo menos tentem começar a mudar. Mas eu juro que é muito mais simples do que imaginam e o mais importante é começar aos poucos, ao invés de querer mudar tudo de uma só vez, da água pro vinho. 

      Temos que aprender a nos priorizar, saber a hora de descansar, de desconectar do trabalho, de nos exercitar e, principalmente, de se organizar! Organização na vida pessoal é tudo, ainda mais em relação à alimentação! Pra ajudar, tenha um calendário. De preferência de papel, não eletrônico, e, se possível, coloque em um lugar que você possa visualizar com frequência (geladeira é uma boa!). Marque um dia pra fazer o mercado e outro pra fazer a preparação de alimentos pra semana (pode ser no mesmo dia também), e tente ser fiel a esses dias pra se tornar rotina com mais facilidade. Umas semanas serão melhores que outras, mas o mais importante é não desanimar! 

      Separem de 2 a 3 horas pra deixar algumas refeições prontas pro seu dia a dia (tenho um guia no blog pra isso, inclusive!): essas horas irão te poupar muito tempo durante a semana inteira! Não tem melhor maneira de melhorar a sua alimentação do que aprendendo a cozinhar coisas básicas com as próprias mãos. Tente também fazer pelo menos duas refeições em casa – sugiro o café da manhã e o jantar. Pro almoço, tente levar marmita pro trabalho ou escolher restaurantes com buffet de salada, por quilo, ou aquele restaurante com opções saudáveis. 

      E quem pratica atividades físicas diariamente? Precisa ter que tipo de cuidados especiais com a alimentação?  
      Todo mundo precisa ter cuidado especial com si próprio e valorizar a coisa mais importante que temos: nossa saúde. Existem atividades físicas que podem gerar mais inflamação nos tecidos musculares, outras que podem levar maior desidratação, ou então aquelas que requerem uma preparação especial pra competições, por exemplo. Portanto, fica difícil dizer de uma maneira geral, mas com certeza quanto mais usamos o nosso corpo, mais temos que cuidar dele! Vamos ao essencial:

      Boa hidratação, priorizar alimentos que são naturalmente antiinflamatórios (gengibre, cúrcuma, açaí, salmão, óleo de coco, abacate, folhas verdes escuras, caldo de ossos de peixe e mais uma serie de alimentos) e adequação dos macronutrientes na alimentação de uma maneira inidivualizada (tomando cuidado com privações e ou excessos, por exemplo). 

      Aquela pergunta que todo mundo quer fazer pra nutricionista: quais são os dez alimentos que não podem faltar na sua casa, aqueles que você não vive sem? 
      (Risos) Eu vario bastante e adoro conhecer alimentos novos e de culturas diferentes, mas aqui seguem os que nunca faltam na minha casa: folhas verdes escuras; polpa de açaí sem açúcar; ovos (sempre priorizo orgânicos e como com a gema sempre!); coco (em todas as formas: seco, óleo, água); abobrinha e couve flor (superversáteis); salmão selvagem; queijo de cabra; chocolate amargo (de 70 a 80% de cacau); tahini; um bom vinho tinto (também priorizo uvas orgânicas).

      E mais um segredinho: tem alguma coisa que você não resiste? Aquela besteirinha permitida só de vez em quando? rs 
      Hm, eu não sinto que seria besteira, porque até mesmo o que consideramos "besteiras" eu naturalmente prefiro em versões mais naturebas. Adoro cookies! Gosto daqueles de aveia, com gotas de chocolate e etc. Docinhos em geral, mas prefiro os mais azedinhos, como chocolates com sal marinho, em geral os mais amargos! Minha família por parte de pai é mineira então cresci em volta de bolos, doces e etc… Hoje em dia adaptei meu paladar e as minhas receitas e, fora isso, temos mil versões mais saudáveis, então fica mais fácil! 

      No seu insta, você compartilha muitas receitinhas vegetarianas. E por mais que o vegetarianismo cresça tanto, muita gente ainda tem dúvida sobre como repôr as proteínas sem carne. O que você indica?
      Sim, minha alimentação é com menos produtos de origem animal em geral, mas não me privo e algumas vezes como carne sim! Consumo bastante ovos orgânicos e esporadicamente carne vermelha (frango não como há anos porque não gosto mesmo). Mas sempre opto por orgânicos! Acho importantíssimo saber a origem dos alimentos  e apoiar a produção consciente de animais. O maior problema da indústria alimentícia está na produção em massa, no confinamento e no mau-trato de animais, além do impacto no nosso ecossistema. Portanto, sim, nós como consumidores, que criamos a demanda, precisamos incentivar a produção de orgânicos, dos pequenos produtores e de alternativas com menos produtos animais. 

      Voltando à pergunta, alguns alimentos de origem vegetal que podem ser usados como fonte proteica: semente de chia, semente de abóbora sem casca, amêndoas e outras oleaginosas, amendoim, lentilhas, quinoa, spirulina, feijões (azuki, preto, branco, etc), grão de bico, tofu orgânico e Hemp Seeds (conhecida como semente de cânhamo, infelizmente ainda não foi liberado o consumo no Brasil, mas tem um perfil nutricional incrível de proteínas e ômega 3!). E aqui vale uma dica legal: sementes e oleaginosas quando deixadas de molho em água podem ter sua biodisponibilidade de proteínas e nutrientes aumentada! Pra leguminosas sugiro deixar pelo menos 8 horas, lembrando sempre de dispensar a água de molho antes de cozinhar ou consumir!

      A gente viu também que você ama bowls! Ensina a gente a preparar?  
      Eu AMO comer em bowls e estimulo os meus clientes a fazerem o mesmo! Seja pra açaí, smoothies ou almoço mesmo! Acredito que bowls trazem uma sensação de conforto ainda maior, deixam a sua refeição ainda mais bonita e, de quebra, é uma boa maneira de aproveitar as "sobras" da geladeira. Ó como eu faço: 
      Primeira camada, que chamo de cama: sempre coloco folhas verdes (com pelo menos um tipo verde escuro);
      Segunda camada salpico alguns legumes assados, refogados ou crus;  
      Em um dos cantos do bowl incluo algum carboidrato como grãos ou raízes;
      Por cima sempre coloco a proteína (vegetal, ovo frito, peixes e etc) com uma pitada de pimenta do reino ou pimenta caiena;
      E, pra finalizar, molho (azeite com vinagre balsâmico e fio de mel), ervas frescas ou secas e algum tipo de semente (chia, linhaça, gergelim e etc).
       
      Yummi! Deu até vontade de correr pra cozinha, né? Obrigada, Fê, pelas dicas  A gente mal pode esperar pra colocar todas elas em prática! 

      Ah! E aproveita pra preparar seu bowl e levar nas nossas marmitinhas! Lembra que a gente falou delas aqui?  
       

      07.04.17
    • amor canino

      Pra quem vê os olhinhos da Mell brilhando quando ela fala sobre a sua "profissão", não restam dúvidas: ela é completamente apaixonada pelo que faz. Também, pudera: ela passa o dia em contato com uma das suas maiores paixões, os animais   E fazer o que a gente ama torna tudo mais especial, né? 

      Quando percebeu isso, Mell largou emprego, estabilidade e sucesso profissional pra se arriscar em uma coisa completamente diferente, e até inexistente até então: a Mell se tornou – sim, acreditem!  – personal-trainer de cães

      – Sua profissão é um tanto quanto… inusitada, rs. Você pode explicar melhor pra gente?
      (Risos) Então, eu tenho um peludinho (super marrento, que anda balançando o ombrinho), chamado Pep. Eu adorava levar ele pra todas as atividades físicas que eu fazia: ver ele aprendendo a andar de skate, subir trilha, entrar no mar…. era super gratificante! Quando saí da casa dos meus pais, o Pep ficou e eu comecei a hospedar cachorros por um aplicativo. Ensinava essas coisas pra todos os meus hóspedes e me divertia muito fazendo, mesmo que nenhum dono tivesse me pagando por isso. Foi quando surgiu a ideia de "Personal Trainer de Cachorro". Eu ensino pros cachorros coisas mais divertidas do que sentar e dar a pata e, ao mesmo tempo, eles gastam toda aquela energia acumulada dentro de um apartamento. 

      – E como foi "largar tudo" pra viver daquilo que ama? 
      Foi a melhor e mais natural decisão que já tomei na minha vida. Eu era "Personal Trainer" só aos finais de semana, e uma vez tirei férias de 15 dias do escritório e trabalhei como personal durante todo esse período. Não voltei pro escritório depois disso. Pedi demissão no meu primeiro dia de volta. Claro que as vezes dá um medão, rebolo pra pagar as contas, mas parece que o dinheiro vem; ele aparece. Eu faço a coisa com amor REAL, trabalho literalmente da hora que acordo a hora que vou dormir e nem percebo que trabalhei.

      – Você sempre foi apaixonada por animais, né? Tem alguma história legal pra compartilhar?
      Eu sempre fui louca por animais, desde criancinha me comovia com qualquer cachorro que via na rua e o primeiro filme que chorei assistindo foi Free Willy no cinema (eu tinha 5 anos e minha mãe sempre conta essa história, rs). 

      Cara, a primeira coisa que ensinei ao Pep foi a me acompanhar no skate, eu não sabia muito bem o que tava fazendo, era na intuição mesmo. Como não ensinei bem os comandos, ele danou a correr atrás de uns pombos que estavam no calçadão, me arrastando pra cima daquelas pedras portuguesas. E, eu lá, fazendo o estilão carioca, loira, de óculos de sol e tal, me estabaquei (cai) no meio das mesas do quiosque! Foi mesa pra um lado, skate pro outro, Pep me embolando na coleira, eu toda ralada…. uma beleza! Mas fiquei determinada a ensinar aquilo direito. Fui estudar mais comportamento canino, entender que comandos eu tinha que dar antes e minha profissão começou a nascer ali.

      – E sempre praticou atividades físicas? Por qual atividade é mais apaixonada?
      Sempre. Eu sou aquela pessoa que completa o time de qualquer coisa, mas não é muito boa em nada! rs Ultimamente eu tô numa vibe futevolei. Jogo altinha razoavelmente bem, completo uma quadra de futevolei, mas nada do tipo "nossa, chama a Mell que ela carrega o time". Isso nunca, rs. Nesse ritmo já joguei volei, handball, fiz kitesurf, peguei onda e até do circo eu já fui. Eu gosto da curva de aprendizagem, depois desanimo e quero aprender outra coisa. 

      – Como é feito o treinamento dos cãezinhos? Isso é: como é a sua rotina de treino com eles? 
      Eu pego os peludos por no mínimo 3h e no máximo 6h. Eles levam um tempinho até virar a chave de comportamento (cães são bem diferentes longe do dono), por isso o tempo mínimo. O máximo é porque as vezes o dog tem muita energia, e aí passa o dia comigo enquanto o dono trabalha.

      No primeiro encontro, eu levo num parque de cachorros, pra ver o comportamento dele sem coleira e longe do dono, e aproveito pra ganhar um pouco da sua confiança. Pra conseguir entrar no mar, por exemplo, precisamos ser melhores amigos. O bichinho tem de confiar em mim e acreditar que vai dar tudo certo na água. Nunca obrigo ele, de alguma forma só convenço.

      Depois disso, vai mais na preferência do dono e dos limites do cachorro. Algumas raças simplesmente não são aquáticas. Eu até tento, mas se eu perceber que realmente não é pra ele, peço desculpas pro dono e digo que ele não vai nadar. SEMPRE respeito os limites do peludo. Alguns donos amam andar de bike, outros querem subir trilha, outro gostam daquela voltinha de skate no calçadão, ai eu ajudo os dois a serem mais parceiros na vida.

      – Os cãezinhos geralmente levam quanto tempo pra "aprender" alguma atividade nova?
      Isso varia bastante. Tem uns prodígios, que se jogam em tudo e são superatentos aos comandos, geralmente já recebem bastantes comandos em casa e no mesmo dia aprendem a acompanhar o skate, a bike e ainda a andar na cestinha dela. Isso tudo em 3 horas! Mas tem uns que levam mais tempo. Vai da personalidade do filhote (chamo todos de filhote, independente de não serem, rs), da criação que ele tem em casa e também do nível de confiança que já tem em mim.
       

      – Mell, você me contou que se tornou vegetariana há um tempo. Queria saber mais sobre esse processo, como foi a transição e o que mais te motivou! 
      Acho vegetarianismo uma atitude linda pro mundo, sempre me interessei, mas não tinha muita força de vontade pra começar. Os médicos me desencorajavam por eu ser magra; diziam que poderia ficar doente e perder muito peso. Quando comecei a trabalhar com animais foi simplesmente impossível viver a felicidade que eles me proporcionam e logo em seguida comer um bichinho. Mas é claro que mudei aos poucos… procurei a minha nutricionista e ela entendeu, na hora, minha motivação maior. Quando me questionam, não dou grandes estatísticas do meio ambiente, da soja ou da pecuária. Simplesmente digo que a gente não precisa comer um bichinho pra ser bem nutrido. Detalhe: não perdi um só quilo nessa transição. Fiquei com uma fome louca e com um pouco menos de energia, mas em poucas semanas tudo se adaptou e to me sentindo bem melhor comigo mesma agora. 
       
      – Cachorros, esportes, vegetarianismo… Mell, conta pra gente: que outras paixões você tem? 
      Pareço ser uma pessoa bastante agitada, eu sei. Mas costumo dizer que sou ativa, mas não agitada. Adoro dormir e ficar de bobeira na rede da varanda, tendo ideias pra qualquer coisa, desde pratos de comida até coisas que posso ensinar pros peludos. Detesto televisão, ela me atrapalha a pensar. Eu gosto muito de descobrir, de procurar e de experimentar qualquer coisa que seja. "Mell, vc já ouviu falar naquilo…?"; pode crer que vou procurar saber, se ainda não tiver ouvido. Santo smartphone que me deixa pesquisar qualquer coisa em qualquer lugar!

      – E quais são seus próximos passos, Mell? Seus objetivos, motivações?
      Eu tenho um sonho giga de dar a volta ao mundo fazendo trabalho voluntário em abrigos pra animais. Vou realizar, com certeza absoluta, custe o que custar. Minha motivação maior é o "sorriso" que os bichinhos tem de gratidão, coisa que dinheiro nenhum no mundo paga. Não sei bem ainda se essa minha profissão vai virar uma empresa, uma escola ou qualquer outro empreendimento grande, mas sei que nunca mais trabalho com outra coisa que não seja com os bichos. Nunca mais.
       

      Mell, a gente  demais conversar com você! E quem quiser continuar de olho no trabalho da moça e até entrar em contato, é só visitar o site aqui, ó. Lá você fica por dentro de todas as aventuras e serviços da Mell! 

      Quem mais ficou com vontade de dar uma volta com o peludo? 

      26.03.17
    • já conhece a calma monga?

      Ainda no mês das mulheres, o adoro! entrevistou a pernambucana e colorida Gabi Fiuza, quase a mais nova mamãe do Recife, e dona de uma das marcas mais bacanas da cidade do frevo e do maracatu: a Calma Monga

      Marca de acessórios vegana, a Calma Monga produz todos aqueles acessórios que a gente sempre quis usar, como bolsas, malas, pochetes e mochilas, com uma pitada divertida e surrealista única. A Gabi contou, por exemplo, que já produz pochete há quase 5 anos, ou seja: muito antes de voltar à ativa. Que olhar, hein? É Pernambuco lançando tendência e a gente amando! 

      Como surgiu a Calma Monga na sua vida?
      A Calma Monga surgiu em 2008, quando eu procurava uma bolsa que não fosse de couro e não encontrava, além de perceber uma modelagem padrão se repetindo em várias lojas. Achava tudo muito sem graça e usava todo tipo de substituto para as bolsas, desde sacolas de supermercado até pequenas caixas de sapato!
       
      E de onde vem esse nome tão louco? 
      A Monga é uma atração de parque de diversões, onde uma mulher muito bonita se transforma em uma gorila raivosa (a monga), que sai correndo atrás da plateia, causando pânico geral. Muito comum no Nordeste, a lenda da Monga fez parte da minha infância. Eu ficava muito intrigada nessa transformação de mulher a monstro aterrorizante e o porquê das pessoas terem tanto medo do que, na verdade, era apenas uma mulher transformada/transtornada. Ao dar vida à marca, eu fiz um manifesto onde dizia que tudo bem as mulheres surtarem um pouco e se transformarem em Monga. Ninguém precisa ter medo da mulher que sai do padrão e sai gritando pro mundo que existem outros mundos. A mulher pode ser quem ela quiser, até uma Monga. 
       
      Como a cultura pernambucana influencia a sua criação?
      Recife é a maior cidade pequena do mundo! Por aqui temos muito orgulho da nossa história e como conseguimos empreender dando nó em pingo d'água (o famoso "jeitinho"), sem contar com a ajuda dos governantes. Além da tríade carnaval+sol+praia, acredito que somos seres criativos, fazemos de tudo pra “viver de arte”, e o mais legal é que, aqui, consumimos com paixão a produção local. A música é uma grande inspiração e tem pra todos os gostos, e é muito lindo ver pequenas e grandes casas de show lotadas com bandas locais, todo mundo cantando junto. Acho que o empreendedor pernambucano é empoderado pelo seu público e isso influencia diretamente na sua criação.

      Como é a sua rotina de criação com a marca? E onde você busca inspiração para criar as coleções?
      A Calma Monga sempre foi rebelde em relação a coleções. Nunca entendi como alguém no Recife pode pensar numa coleção de outono/inverno se por aqui só temos duas estações: muito sol ou muita chuva com calor. No começo eu não fazia coleções de jeito nenhum, apenas bolsas atemporais, mas depois fui me rendendo a criar com base em temas específicos e gostei. Então hoje busco me inspirar em pessoas e movimentos que brincam com a surrealidade do cotidiano e que entendem que a vida é feita de curvas, brincadeiras e muita arte.

      Qual a importância da sustentabilidade e da produção local pra marca?
      Acredito que os homens e as organizações têm a mesma responsabilidade com o meio ambiente, mas o peso é ainda maior pras pessoas jurídicas, por sobreviveram do sucesso da equação produção x consumo. Criar o desejo do consumo nas pessoas faz a produção aumentar e o negócio prosperar. Crescer com sustentabilidade é o meu grande desafio. Na produção da Calma Monga, procuro aproveitar ao máximo todo o tipo de material, usando até os retalhos, para diminuir a produção de lixo. Os costureiros também entram na cadeia da sustentabilidade e são pagos justamente pelo trabalho que executam. Trabalhamos com a política do fair trade (comércio justo). Não usamos produtos de origem animal. Incentivamos o consumo de empreendedores locais para que a renda gerada se espalhe na mão dos pequenos. 
       
      Você já enfrentou algum preconceito por ser mulher no seu trabalho?
      O mundo da costura é dividido: mulheres costuram roupas e homens costuram bolsas e sapatos. Ou seja, o meu dia a dia é entre homens costureiros. No começo eu me sentia um pouco acuada por eles, e já cheguei até a levar figuras masculinas a tira colo pra impôr aquele respeito extra. Mesmo que a companhia não interferisse em nada, só uma presença masculina ao meu lado já equilibrava a situação. Com o passar dos anos, ganhei mais força e aprendi que poderia, sozinha, manter uma relação de trabalho e respeito com eles.

      Que causas você apoia?
      Sempre fico um pouco confusa com o caos que está o mundo hoje, e queria mesmo que só existisse uma causa “vamos todos juntos agora dar um jeito nesse mundo”, sabe? Mas entendo que é através do micro que atingimos o macro, então só me resta fazer a minha parte e aprender com os inúmeros exemplos de pessoas e organizações que estão trabalhando pra mudar a nossa realidade. Sou amiga do vegetarianismo desde os 12 anos, quando parei de comer carne por simples abuso, que depois cresceu pra uma bandeira ambientalista. A relação indústria x animais x meio ambiente é muito cruel, injusta e devastadora, então eu não conseguiria ter uma empresa de outra forma. Acredito muito, apoio e incentivo o empoderamento das minorias, a luta diária da sociedade contra o machismo e o fortalecimento dos movimentos sociais. 

       
      Quais são os planos da Calma Monga e da Gabi pra um futuro próximo?
      Este ano tem sido de muita mudança para mim e pra marca, então o grande plano é se adaptar aos novos tempos! A Calma Monga está em processo de mudança: estamos saindo de um casarão cheio de árvores e espaço livre pra uma loja de galeria. Mudança radical, mas estou feliz. A marca tem muito a ganhar com a nova localização. No começo do ano abrimos uma loja linda em Boa Viagem (zona sul da cidade, longe da nossa zona de conforto, que é a zona norte do Recife), no projeto Rosa Amarela (que é uma parceria com as marcas amigas Duas e Trocando em Miúdos) e ainda estou grávida, ou seja, gerenciando o projeto mais maluco desse mundo – que é fabricar um ser humano

      Estar grávida tem influenciado criativamente/sensivelmente as coleções?
      O que muda pra mim com a gravidez é que agora já quero criar tudo pra mães e crianças. Já vejo que em geral as “bolsas de maternidade” não são muito práticas e que as crianças poderiam ter mochilas mais legais. 

      Que conselho você dá pras meninas que estão começando com suas marcas agora?
      O melhor conselho é: ampliem seus horizontes criativos! O mundo das referências é infinito e ninguém precisa copiar ninguém. O mercado é grande e tem espaço pra todo mundo, cheguem para fortalecer o mercado autoral e pra conscientizar os consumidores que o design pernambucano é forte, criativo e comercial!

      A gente adorou conhecer esse mundo carregado de sotaque (e que sotaque lindo!) da economia criativa e colorida pernambucana  Se você quiser conhecer mais da Calma Monga pode acessar o site da marca por aqui

      A gente deseja toda sorte do mundo pra Gabi, pra Monga e pro seu bebê! 

      25.03.17
    • FARM entrevista: Maíra Senise

      Na maioria das vezes vira uma tela, mas vez ou outra uma forma salta do plano, teima em subir pela mesa, enfeitar o pescoço, ou sabe-se lá. Que seja de pendurar na parede, de vestir, tocar ou folhear, que continuem sendo múltiplas as criações da Maíra Senise, que continuem não se bastando, que sejam tudo que podem ser.

      Em 2015 fomos bater na porta de seu atelier pra ver de perto seus seres docemente estranhos que, apesar da carreira fresca, já apontavam pra uma assinatura pessoal, irresistível e inconfundível. De lá pra cá, a artista se instalou em NY pra estudar arte, criou a coleção Seres do Mar pra nossa Fábula e deu rumos ainda mais concretos pra carreira na gringa, com uma expô na Galeria Machete no México, com direito a ninguém menos que Kim Gordon, do Sonic Youth, como visitante. 
      Filha da cineasta Paula Gaitán e do pintor Daniel Senise, irmã do cineasta Eryk Rocha e da cantora Ava Rocha, o incrível DNA da artista não é suficiente pra justificar toda a sua potência artística. Os traços, que já viraram criações de moda, zines, objetos de cerâmica ou quadros, são dela e partem de um universo particular, por onde circula uma fauna meio cute, meio punk, com liberdade infantil e cores que você quer ter e vestir agora. 

      Pra saber um pouco mais sobre os próximos voos de Maíra, batemos um papo superanimado com ela. Vem ver! 

      Rio e NY são cidades com energias muito diferentes. Como cada uma te inspira?
      Sim, totalmente. Rio é casa, é o lugar que eu me conecto direta e inevitavelmente, e com o qual eu tenho um vinculo familiar muito forte. Apesar disso tudo, foi Nova York que me tornou adulta, e é onde consigo me encontrar com mais potência e em mais contato com o que eu sou. Acredito que mais que tudo essa sensação vem pelo fato de estar longe de um lugar confortável pra mim (como era o Rio), e ter que reconstruir tudo novamente, amigos, trabalhos, casa, etc. Sempre tem períodos mais divertidos, outros mais difíceis, mas no fim, foi muito importante para mim me entender longe da minha cidade natal e conhecer novas pessoas, totalmente neutras sobre outros pontos pessoais da minha vida. 

      O calor familiar do Rio me inspira, assim como meus lugares favoritos de lá: Saara, brechós do Largo do Machado, passear de carro pelo Aterro. Nova York me inspira pelo proprio dia-dia, poder transitar por varios pontos da cidade, alguns mais lindos outros mais industriais, muitos lugares novos todos os dias, restaurantes de todas as nacionalidades, e minha casa nova, pela qual estou totalmente apaixonada. 

      A moda ainda permeia sua vida? É comum sentar pra pintar e sair um croqui, ao contrário de quando o estilo era carreira principal e a arte um hobbie?
      Pintando nunca saem croquis, mas saem desejos de usar roupas como suporte pra algumas ideias que saem em telas. Saem muitos desejos de padrões, bordados. Penso muito algumas peças únicas como túnicas, jeans e bonés com bordados industriais. Sempre fico adiando concretizar esses projetos, vamos ver se saem até o fim desse ano. 

      Como foi criar uma coleção pra crianças, despertou memórias? Como foi o processo de criação?
      Foi incrível. Nunca fui tão realizada fazendo estampas como foi para a Fábula. A Marta (Rodrigues, diretora criativa da Fábula) me deu um tema base, e a partir dele total liberdade pra fazer estampas usando meu traço mais ilustrativo e figurativo. Tentei explorar o lado mais naif dos meus desenhos, usando materiais mais leves como pastel e aquarela. Depois disso, eu e Marta fomos trocando alguns esboços, até chegar no resultado final, que entrava de acordo com a cartela de cor da Fábula.
       

      Sua família transita (incrivelmente) por diversas expressões artísticas. Como é a troca, o que a arte deles traz pro seu trabalho?
      Eu converso muito com minha mãe sobre meus projetos. Eu admiro muito ela, por toda sua radicalidade e dedicação com sua obra. Ela sempre colocou a arte na minha vida de uma maneira muito orgânica e muito sensorial, muito no dia-dia. Mesmo quando eu trabalhava com moda ela me pressionava pra manter o máximo do meu espirito intelectual ativado, por meio de filmes, livros e exposições. A transição pras artes plásticas foi um processo um pouco conturbado pra mim, porém natural, e a minha mãe e meus irmãos sempre me apoiaram nisso. 
      Meus irmãos e eu também temos um diálogo muito rico. Eles sempre me apoiam, e tentamos fazer alguns trabalhos juntos: com a Ava fiz a capa e ilustrações do seu ultimo disco, com meu irmão mais velho Eryk, já fiz alguns dos figurinos dos seus filmes, e com meus irmãos mais novos sempre conversamos muitos, temos algumas ideias de trabalhos em grupo, até relacionados à música. Eu tenho sorte de estar rodeada de pessoas tão admiráveis. 

      E os zines (espécie de livretinho independente – a gente já falou deles aqui!), ainda tem tempo pro desejo impresso?
      Volta e meia faço um zine ou outro, alguns com tiragens bem pequenas e impressões bem artesanais. Gosto muito da independência que o zine te dá: depende de você produzir o conteúdo, imprimir e tentar vender por aí, por um preço justo. Agora estou no processo de um trabalho gráfico, que até podemos chamar de zine, mas com menos desenho e muitos textos e entrevistas. Em breve vocês verão por ai 

      E quem não vai querer ver (ter, usar, ler..)? 
      24.03.17
    • de cerâmica e outras coisas


       

      O barro arde-se na boca do incêndio até se mudar. E quando vira taça,  já é terra adulta, madura, evoluída. Terra Adulta.
       

      É assim que Valter Hugo Mãe (nosso escritor xodó) fala do barro em seu último livro, "Homens imprudentemente poéticos". Pegamos carona na sua poesia pra apresentar o trabalho de Sofia Oliveira

      A Sô tem 28 anos, é de Ribeirão Preto e mora em São Paulo, onde fica o ateliê Olive Cerâmica, sua marca de produtos de cerâmica feitos à mão. “A cerâmica é o bairro queimado”, explica a Sô. A gente bateu um papo com ela  pra entender como é esse trabalho de perto e compreender mais do universo do feito à mão, esse artesanal que transforma a terra em produtos cheios de vida e que requer muito amor, conexão com o presente e com a terra mãe 

      Primeiro conta pra gente do adoro! como, quando e onde começou a sua relação com a cerâmica. E quem é a Sofia antes e depois de descobrir essa arte?
      Eu sou formada em propaganda e marketing e, alguns anos depois de trabalhar na área, senti que não estava no lugar certo. Larguei meu trabalho, mantive uns freelas, e fui fazer cursos de coisas que eu gostava. Fiz jardinagem, agricultura orgânica, compostagem, até que cai meio que sem querer na cerâmica e me apaixonei de cara. Comecei a fazer o curso com a ceramista maravilhosa Sara Carone e, depois de mais ou menos um ano, uma amiga me chamou pra participar de uma feirinha. Depois de fazer minhas primeiras vendas, me dei conta que queria investir naquilo. Fui pra França pra fazer um curso de especialização em torno (aquele do Ghost) e na volta a Olive começou oficialmente, com ateliê próprio e CNPJ. A Sofia de antes e de depois são muito diferentes. Ter seu próprio negócio te obriga a assumir muitas responsabilidades de uma vez só e é um grande crescimento. Além disso, a cerâmica é um material que faz a gente lidar com muita frustração, o que é supercansativo, mas também terapêutico. Muda o seu jeito de olhar pra tua vida inteira.

      E o que te inspira?
      Depois de se conectar com o material, a inspiração vem de todos os lados. Quando estava no início, pegava mais inspiração de trabalhos prontos (de cerâmica mesmo, em museus, livros e internet da vida). Hoje em dia, agora que aprendi o processo e domino mais o material, a inspiração vem de outros lugares. Uma forma, uma cor, qualquer coisa que eu veja enquanto estou andando na rua ou mesmo em casa pode ser uma inspiração.

      Conta pra gente um pouco da sua rotina no ateliê?
      A rotina do ateliê é bem gostosa mas também é cansativa. Eu divido uma casa com outros criadores, e isso ajuda a dar um respiro. Normalmente eu chego um pouco mais tarde no ateliê, porque curto tomar café da manhã com calma e responder meus emails. Depois vou pra lá, boto minha rádio favorita (FIP ) e começo a trabalhar. A rotina se divide normalmente entre tornear, dar acabamento, esmaltar e montar forno, dependendo de qual momento do produção estou. Na hora que bate a canseira, sempre rola uma pausa pro cafézinho com o pessoal do ateliê.
      Qual a importância de um trabalho manual na sua vida? E a importância de ter um trabalho manual em uma cidade como São Paulo?
      Pra começar, a mudança de sair da frente do computador o dia inteiro já é maravilhosa.  Ter um trabalho manual me proporciona desfrutar de dois mundos diferentes. Eu tenho acesso a tudo que a cidade me proporciona e, ainda assim, consigo ter um equilíbrio com um trabalho que é completamente desconectado disso tudo. Trabalhar no torno me obriga a me concentrar no presente, o que ajudou também a diminuir minha ansiedade, algo que só tende a piorar na vida corrida de cidades grandes como São Paulo. Ter que respeitar os tempos da cerâmica (de secagem, queima, etc) é uma desaceleração importante e que traz de volta uma noção de respeito ao tempo.
       
      Quem são as mulheres que você admira, suas principais referências? E onde você busca essas referências?
      A primeira pessoa que me vem a cabeça é sempre a ceramista Helen Levi. Quando estava começando a fazer cerâmica e me deparei com o trabalho dela, me deu muita força pra continuar. Ela é uma mulher jovem com uma empresa incrível e que me fez pensar: se ela consegue, por que eu não conseguiria? Além dela, apesar de ser clichê, com certeza diria minha mãe. Eu vi ela trabalhar pesado a vida inteira e construir uma empresa incrível praticamente sozinha. Ela é uma das pessoas que mais me ajuda hoje em dia, tanto me ensinando coisas burocráticas do dia a dia de uma empresa quanto dando um ombro amigo. Minhas referências são em grande parte mulheres: além da Helen Levi, também curto muito o trabalho da Josephine Noel, Bridget Bodenham, Leah Jackson, Laurette Broll, Alb Ceramique, Noni, Rocha do Campo, Renata Miwa e a grande e maravilhosa Lucie Rie.
      Você já enfrentou alguma dificuldade ou algum tipo de preconceito por ser mulher no mundo artístico?
      Eu tenho o privilégio de circular em um meio bastante aberto, mas preconceitos e discriminação muitas vezes acontecem pelo não dito, então fica difícil de perceber. Acredito que por ser um meio com muitas produtoras e consumidoras mulheres, tudo fica mais leve. O que já aconteceu foi ter sido assediada numa feira, e foi bem assustador por estar sozinha ali, mesmo com um monte de gente ao seu redor. E também um recente assédio online, que chegou até mim através da página da Olive.

      Quais são os planos de 2017 para Sofia e para a Olive?
      Quando as coisas começaram a rolar pra Olive eu achei que tinha que abraçar o mundo e pegar todos os jobs possíveis. Depois de alguns meses bem loucos, vi que esse não era o caminho. Esse ano eu quero ir com mais calma. Pegar os trabalhos com os quais me sinto mais conectada, ter tempo de dar aulas, ter tempo de desenvolver novas coleções e conseguir montar uma empresa estruturada. Pra Sofia, os planos são aprender a separar a vida pessoal do trabalho (desde que abri a empresa parece que penso nisso 100% do tempo) e aprender japonês, pra ir pro Japão daqui a uns anos estudar cerâmica. 

      É ou não é pra se apaixonar por esse universo que nos conecta com a nossa ancestralidade? A gente tá só amor pelos potinhos da Olive!

      Ó, e pra conhecer mais o trabalho da Sofia na Olive Cerâmica, é só ficar de olho na sua página do facebook, no instagram @oliveceramica e no site.  E se você mora no Rio, pode ficar feliz! A Olive está sendo vendida na loja PLURI no Humaitá, que fica na Rua Capitão Salomão, 63. A gente deseja toda sorte do mundo pra Sô e pra Olive 

      23.03.17
    • FARM entrevista: Gui Poulain

      Basta visitar o instagram do Gui Poulain pra ficar feliz da vida. Também, pudera: o rapaz compartilha imagens lindas, superbem cuidadas e coloridas, cheias de vida e alegria em vários lugares diferentes. E receitinhas também, porque além de fotografar, escrever e desenhar muito, o Gui também cozinha! Ufa! Como não amar? 

      Sorte a nossa, que pudemos contar com o Gui pra gravar um vídeo de receitinha com a marmita da Bento, nossa nova parceria (a gente mostrou tudo aqui!). É que ele tem tu-do a ver com a gente! E nas próximas linhas, você vai entender o porquê. Vem ler!  

      – Gui, conta pra gente: como você começou a fotografar?
      Eu sempre gostei de fotografar e, quando era pequeno, ganhei dos meus pais uma câmera do Mickey, que fazia fotos analógicas quadradas. Sempre que eles me davam um filme de 36 fotos eu ficava tentando fazer imagens que achava interessantes. Mas acho que foi só na época do começo do instagram que comecei realmente a querer fotografar pequenas coisas que via por aí. Não me considero nem de longe fotógrafo, mas fico contente quando alguém diz que gosta do meu olhar.

      – E a gastronomia, como entrou na sua vida? Você sempre gostou de cozinhar?
      Comecei a cozinhar desde pequeno também. Ninguém de nenhuma das minhas famílias cozinha, exceto minha avó materna. Ela era vó do tipo Dona Benta, sempre de avental, cabelos brancos penteados e camisas de linho em tons pastéis. Sempre na cozinha, fazendo doces. Lembro de me sentar na cozinha dela e ficar vendo. Nos meus aniversários costumava pedir livros de receita (ou filmes pra câmera do Mickey!) ao invés de brinquedos, e aos poucos fui começando a cozinhar. Não acho que eu tenha um real talento pra isso, acho que aprendi a cozinhar na base do esforço mesmo. E hoje, mais de 20 anos depois que fiz meu primeiro pudim de leite condensado, sei que ainda aprendo, todo dia, novas coisas na cozinha.

      – Você é formado em algum curso na faculdade? Se sim, qual? Conta um pouquinho da sua vida acadêmica pra gente!
      Sou formado em Design Gráfico há 10 anos. Há 8, numa crise pessoal, resolvi fazer um curso de gastronomia intensivo. Não quis mais voltar ao design e passei dois anos vendendo massas frescas e molhos pra juntar recursos e poder estudar confeitaria em Paris. Então sou formado em Design Gráfico, em Cozinha e em Confeitaria (os dois últimos são cursos técnicos).
       
      – A gente soube que você se mudou pra São Paulo recentemente. Como tá sendo essa mudança? O que você foi buscar na capital paulista? 
      Estou em São Paulo há 6 meses. Dois amigos videomakers se mudaram de BH pra SP e me chamaram pra morar com eles. Eu, como free lancer, pensei: “por que não?”. Vim procurar novas experiências. Não gosto de me sentir acomodado e acaba sendo um desafio constante: buscar novos clientes, fazer novos amigos, morar com pessoas que amo há tanto tempo. É gostoso também achar novas esquinas, ver novos sorrisos e criar uma rotina toda de novo.
       
      – O que mais te inspira na hora de produzir – sejam vídeos, fotografias ou receitas?
      Eu preciso passear na rua, onde quer que seja. Eu nunca fui a pessoa que entra num carro ou ônibus e abre o celular ou o livro, sabe? Quero ver a senhorinha de pano na cabeça lavando a janela, o que está pichado nas paredes, a flor que insiste em nascer no meio de um buraquinho no concreto. Acho que me inspiro nisso tudo: no dia a dia. É algo que parece tão ‘viajado’, mas é meio por aí: acho que as melhores experiências acontecem se abrindo pro mundo e observando a beleza em coisas que, no geral, você não dá muita importância. Sabe quando você viaja pra algum lugar e tira muitas fotos porque tudo é diferente e curioso? Então, eu gosto de fazer a mesma coisa pelos caminhos que passo todo dia, no caminho da padaria ou da academia. Sempre tem algo novo pra se ver. E uma cor nova também. Amo as cores e isso faz parte demais do meu trabalho.
       
      – Como foi o processo de criação do seu livro "Cartas Amarelas"? A gente tá   por ele! 
      O Cartas Amarelas conta as histórias de quando morei em Paris. Eu costumava escrever cartas online para os meus amigos aqui no Brasil poderem entender um pouquinho do que eu estava vivendo. A diferença é que eu não queria contar o meu dia a dia em si, mas os sentimentos por trás do que eu vivia: me apaixonar pelas coisas; ficar feliz ao ver o sol sair numa cidade tão cinza. Nessas cartas fui agrupando receitas: quando sentia falta da minha família, fazia receitas de família; quando a primavera chegou, receitas de piquenique; ao me apaixonar, receitas pra se fazer e comer a dois. Então é assim que agrupei as receitas: juntei minhas fotos, minhas cores, meus desenhos e o livro é uma amálgama disso tudo.
       

      – A série "a cozinha afetiva dos signos" (tem post aqui no blog, ó!) também fez muito sucesso nas redes sociais. Como surgiu essa ideia?
      A Cozinha Afetiva dos Signos foi ideia dos meus amigos/roomies. Mudamos pra SP os três, ainda meio sem clientes e querendo aproveitar o tempo livre pra fazer algo que fosse nosso. Eles sugeriram receitas dos signos e eu entrei de cara nesse mundo pra criá-las. Cada cor, paninho e potinho foi pensada pra combinar também com cada signo: os signos de fogo tem tons de amarelo e laranja; os de terra, muita madeira e verde. Escrevi pequenos textinhos sensíveis pra acompanhar os vídeos. Pra mim, tudo que faço tem que ter coração. Pra continuar sendo o garoto quieto que adorava escrever cartas e cartões e criar mundos em papel, o menino falante mas muito tímido que andava sozinho pela escola e se esforçava muito pra tirar notas boas nas provas, o homem responsável que quer construir o seu próprio mundo com as escolhas certas guiadas por muito amor e gentileza no coração.
       
       
      – Mata a nossa curiosidade: qual a sua comida favorita na vida? 
      Minha comida favorita é hambúrguer! Me dê pão, carne, queijo, bacon e salada e conseguirá me tirar o maior sorriso do mundo 
       
      Diz aí: quem mais ficou com uma supervontade de cozinhar e fotografar tudo por aí? o/  Gui, a gente agradece o carinho e o afeto – palavra chave! – de sempre  e espera ter ainda mais encontros felizes com você!

      Pra ficar de olho no trabalho dele, é só acompanhar o instagram, o blog e o youtubeangel

      22.03.17
    • FARM entrevista: anavitória

      A gente tá amando muito o som da Anavitória e ficamos super felizes em vestí-las pro festival Queremos Tropical no Rio (lembra que a gente falou dele aqui?). A música – e a energia – das meninas é incrível! Não perdemos a oportunidade e descolamos um bate papo sobre música, inspirações e parcerias com elas, que vieram lá do interior do Tocantins pra encantar o Brasil – e o mundo – com o seu "pop rural"! Vem ver! 

       

      – Como foi tocar no Rio? Cês curtiram?

      Foi a terceira vez que voltamos ao Rio e a receptividade é sempre incrível. O público carioca sempre faz a gente voltar pra casa meio aérea, meio besta. Todo mundo cantando tudo e se fazendo presente ali. Quem tava lá sentiu a energia boa daquele canto.

      – A gente sentiu sim!  Mas vem cá, como surgiu essa relação de vocês com a música? É tão natural…

      Vitória: Nossa relação com a música não tem um tempo, é bem desde sempre. Ana tem uma família super musical, o irmão toca violão, mãe também, a irmã canta, e sempre teve influência por aí. Meu pai tocava bateria e sempre foi um apaixonado por música, quando eu era pequenina já andava pelos cantos vendo ensaios, shows, e ouvindo muita música, então sempre tive isso muito presente em mim.

      – Que lindo! Mas como as músicas surgem? Existe um processo criativo e tal?

      Ana: Não existe um processo. As músicas favoritas sempre vieram do nada, não sei como funciona isso em mim. Acho que quando tu vive o que a música conta, é mais fácil o desenrolar dela. Prefiro escrever sobre as minhas histórias, mas amo imaginar outras também.

      – Ah, sim! E o som de vocês é chamado de "pop rural", coisa que a gente não conhecia. O que vocês entendem por isso?

      Esse nome nasceu da necessidade de classificar nosso som. É popular por ser de quem quiser e de fácil compreensão; rural pelas nossas origens e por todas as influências que passeiam na nossa música. No fim das contas, a gente só quer uma casa no campo pra ouvir muitos pops rurais, rs! 

      – E ao longo desse tempo, vocês migraram dos covers do Tiago Iorc pra parcerias. Conta um pouco dessa relação pra gente?

      Temos uma conexão bonita com ele. O carinho e a admiração que temos uns pelos outros torna o projeto bem especial e de verdade. Tiago sabe das coisas, tem uma vivência enorme nesse universo e uma musicalidade massa.

      – Vocês são novinhas! Como tá sendo conciliar esse sucesso repentino com a juventude?

      A gente conversa muito sobre isso. E tem tanto dentro da gente que pulsa e fala sobre onde se deve estar. E é muito claro isso! Seu lugar no mundo é seu, a vida te prepara pra isso, com suas anormalidades se tornando amigas. Tem uma parada que vai além da gente, que não se explica, então você recebe. E quem é que nega presente?

      – Aproveitando, há quanto tempo se conhecem? Como tudo começou, como se conheceram e se juntaram?

      Ana: Nos conhecemos de verdade em 2012. Antes disso, só nos conhecíamos de vista porque estudávamos na mesma escola. Tudo se deu por conta da música. Eu tinha um canal no YouTube, onde colocava minhas composições e um dia chamei a Vitória pra gravar alguma coisa comigo, porque tinha visto, pelos feeds a fora, que ela cantava. Ela topou e gravamos um primeiro vídeo. O terceiro foi uma canção do Tiago e, como Vitória é bem fã do trabalho dele e  tinha o contato do Felipe Simas (empresário dele e, agora, nosso), enviou pro Fe, na intenção do Tiago só assistir. No fim das contas, ele não só assistiu, como quis trabalhar com a gente. Os dois nos convidaram pra gravar um EP em São Paulo, viemos e o Anavitória nasceu.

      – E como é viver na casa dos 20 anos? O que isso significa pra vocês?

      É um brilho doido nesse tempo, muitas certezas e muitas dúvidas, auge das coisas lindas, talvez. Eu ia falar de descoberta, mas a vida sempre é. Acho que o cotidiano impede um pouco essa distância pra se ter consciência "do que é viver os 20", e vai ser assim quando estivermos nos 30 e nos 80. Eu tentei pontuar algumas coisas e desisti, porque o tempo é um. Agora. Ou pelo menos deve ser. A gente vive essa tentativa, de viver o que se tem, né?

      – Vocês já conheciam a FARM? O que acham da marca?

      Conhecíamos e somos encantadas por todo universo de estampas e cores das roupas. Nós tentamos consumir cada vez menos fast fashion, por todas as coisas ruins que isso camufla. A gente acredita que a FARM é do bem por causa das estampas exclusivas e etc. Mas temos essa curiosidade, a linha de produção de vocês se inicia na própria empresa? Vocês detém todas as etapas de produção? Porque se vocês forem do bem, a gente é mais encantada ainda por tudo! Cheiro em tu! 

      E depois desse presente de entrevista, não podíamos deixar as minas sem resposta. E sabe, a gente tem pensado muito em tudo isso…

      Acabamos de fazer a avaliação de impacto socio-ambiental do sistema b (vocês conhecem? aqui tá o site, ó). Eles usam “b", de benefício, e mapeiam no mundo as empresas que buscam não apenas gerar lucro, mas gerar benefícios pros funcionários, comunidade e meio-ambiente. Temos muito a evoluir, é verdade, mas ficamos felizes de perceber que temos bons resultados em alguns índices importantes. 
       
      A gente trabalha com reaproveitamento de matéria-prima, por exemplo, com uma linha que é feita só de sobras da nossa produção, a re-FARM (já falamos sobre ela aqui!). Além disso, somos uma empresa com grande número de mulheres, muitas em cargos de liderança, e cuidamos bem delas. Isso é lindo! Aqui no escritório, oferecemos aulas de yoga, manicure e shiatsu. Apoiamos projetos como o "Menos um lixo", e usamos copos reutilizáveis, buscando sempre diminuir nosso descarte. 
        
      Quanto a nossa cadeia, por ser muito grande e pulverizada, não é totalmente própria, mas valorizamos fornecedores locais, principalmente do Rio e São Paulo, nossos dois maiores pólos de consumo. Temos pensado muito sobre como sermos ainda mais sustentáveis e estamos sempre abertos a mais trocas 
       

      Apaixonantes, né? Se você ainda não conhecia a dupla, é só dar um play no vídeo acima e ser feliz! É tão singular… 

      23.02.17
    • adoro farm entrevista: Durval Amorim

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      Hoje é dia de entrevista com mais um artista que inspira! Já falamos do Durval Amorim por aqui – somos apaixonadas por seu olhar leve e colorido do Rio. Dessa vez, a gente foi visitar o cantinho criativo do aquarelista e registrar cada detalhe em vídeo.

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      Formado em publicidade e propaganda, o Durval acabou caindo na área de design de interface digitais. Quem diria que seria na simplicidade da aquarela que ele iria se encontrar, né? Mas não é difícil se apaixonar por toda a leveza desse trabalho manual e claro, pelo contato diário com todas as cores. Vem descobrir mais desse universo lindo no vídeo produzindo pela absolem:

      https://www.youtube.com/watch?v=8WE7ohfcEXI&feature=youtu.be

      E pra acompanhar o trabalho do Durval, é só seguir o artista lá no instagram e se encantar com mais aquarelas. 😉

      30.09.15
    • farm entrevista – luna •{tribe}•

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      Este post é sobre o poder da beleza, do poder feminino, do poder de conhecer as raízes a fundo e se amar. Bem, é sobre a Luna, uma das criatoras do •{Tribe}• , que aqui, melhor que ninguém, conta sua história incrível e seu projeto, do qual todas nós vamos querer fazer parte!

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      “Eu nasci aqui no Rio, em Duque de Caxias. Quando eu tinha um ano de idade, meu pai foi transferido para a Bolívia e a partir daí morei em vários lugares na América Latina. A minha babá era da Tribo dos Quechua e até a língua nativa deles eu aprendi! Tive influências muito lindas dos povos ameríndios, aprendi a absorver cultura desde que nasci.

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      Passei 20 anos da minha vida viajando! Falo quatro idiomas e às vezes eu embolo tudo. Morei em Roma e em NY por cinco anos. Fiz faculdade de dança. Desenvolvi um trabalho de dança e consciência corporal pra mulheres que sofreram violência doméstica e dancei em uma companhia de dança moderna por três anos.

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      Nos EUA fui adotada por uma família da Nigéria, e sempre ia de NY pra Boston, onde passava os dias aprendendo a fazer aqueles turbantes incríveis que Mami fazia. Passei a usá-los e achava o máximo! Sentia uma realeza muito grande, fora as amarrações, a criatividade, e a conexão com a deusa feminina…é quase um mantra, é a celebração das raízes afro-descendentes.

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      Então ano passado tive uma experiência que mudou minha percepção de realidade, que foi lançar a minha marca de turbantes, a Crowns of Nyanga em NY. Dei aulas de amarrar tecido até por Skype! Eu sabia que o meu propósito me estava sendo revelado, através dessa conexão com as minhas raízes. E a confirmação disso, foi eu ter viajado para Johannesburgo por 2 meses e conhecido o Nelson Mandela e presidente Obama, na mesma semana!

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      Mas, subitamente, fui empurrada de volta pra minha terra! Tudo apontava pro Rio, então só obedeci! Daqui conheci a Vanessa da @thebazaarbohemian, minha sócia no •{Tribe}•, nos conectamos através do Instagram. Ela tinha a marca dela e eu a minha, mas queríamos que nossas marcas representassem muito mais do que só estética. Nós só nos conhecemos “ao vivo” depois de 3 meses que o Projeto estava em andamento!

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      Eu já cultivava a filosofia de que o turbante é um símbolo dessa realeza e dessa energia de liderança que a mulher tem, daí que nasceu o •{Tribe}•, dizendo, your crown inspire! Hoje temos o nosso trabalho do dia a dia (ela é visual merchandiser na Bloomingdale’s, e eu Coordenadora internacional do Instituto EixoRio), o Tribe, e nossas vidas pessoais. Ufa!

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      As mulheres que nos seguem, estão completamente alinhadas com tudo o que agente acredita. A força feminina, a deusa interior que agrega e celebra a beleza, finalmente parece que a união está fazendo a força!” É isso, essas mulheres superpoderosas-e-lindas, como eu e você, fazem a diferença por serem lindamente o que são!

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      Pra confirmar o poder das meninas e dos turbantes, vejam a colab delas pra incrível Chichia London em Miami. Ah, e logo a gente vai poder encontrar os turbantes na Void ali no Leblon. Estamos de olho!

      11.08.14