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      Tag: casório

    • minas casamenteiras

      Nem padre, nem pastor e nem juiz de paz – a nova onda agora é casar com celebrantes. Mas como assim? A gente explica: em vez de casar na Igreja ou de chamar um juiz de paz pra oficializar o seu grande dia, você chama uma celebrante, que pode ser poeta, escritora ou simplesmente uma amiga (ou amigo) que leve jeito com as palavras e curta falar em público.

      Dá pra entender de onde surgiu a demanda, né? Pra quem não tem religião ou não se imagina casando na Igreja por algum motivo, a única opção que sobrava eram os juízes de paz. Os mais legais e desenvoltos foram ficando disputadíssimos, porque a verdade é que mesmo não querendo casar na Igreja, quem sonha em colocar véu e grinalda e andar até um altar quer mesmo é que seja emocionante, para si mesma e para os convidados. E nem sempre acontece, né? Tem Padre que erra o nome do noivo, tem juíza que quer fazer tudo rapidinho porque tem outros cinco casamentos naquele mesmo dia. E aí um momento que devia ser inesquecível acaba ficando meio estranho. Isso sem contar os casais homoafetivos, que não podem casar na Igreja e até outro dia não podiam também no civil.  

      Entram as celebrantes. Minas boas de texto e de microfone que assumem o papel de abençoar os pombinhos – pelo poder investido nelas pelo amor. Tem valor legal? Não tem. É lindo lindo lindo? Pode apostar! Conversamos com algumas delas pra saber como a coisa funciona! 

      A poeta Maria Rezende, do Casar com Poesia, já até apareceu aqui no Adoro. Ela começou casando primos, depois casou amigos e, quando viu, já estava casando amigos de amigos, até que resolveu oficializar a profissão. Perguntamos o que ela mais curte nesse trabalho, e só a resposta já deixou a gente toda arrepiada!

      “As pessoas compartilham comigo coisas que às vezes nem os amigos e a família sabem. A gente tem uma ideia muito idealizada de amor, e celebrando os casamentos eu descobri que são tantas possíveis histórias de amor. São tantos caminhos possíveis que levam as pessoas a tomar a decisão de que elas querem viver juntas. E isso tem sido muito rico pra mim.”

      Maria também contou que já chorou junto com os convidados num casamento, quando um noivo super piadista resolveu falar sério na hora dos votos, surpreendendo a todos. Também já pediram pra ela ler um de seus poemas mais eróticos, o famigerado “Pau mole”, e que mesmo parecendo estranho, fazia todo sentido pro casal e para o tipo de cerimônia que eles queriam, então foi lindo. 

      E não é incomum a celebrante se emocionar junto com os amigos e a família. A Carla Vergara, que também é poeta, contou que no casamento de um casal que se conheceu no colégio e estava há 12 anos junto, ela conduziu um momento de votos coletivos, onde as pessoas tomavam o microfone para desejar algo aos pombinhos. Só que o depoimento do irmão do noivo foi tão intenso que pôs todo mundo a chorar, inclusive ela. Depois, o voto do noivo foi super bem humorado, e todos gargalharam. Quer coisa melhor?

      A Carla também começou casando amigos, e aí foi parar num episódio do delicioso “Chuva de Arroz”, programa sobre casamentos no GNT. Desde então passaram a chover mesmo convites pra que ela celebrasse casamentos. Pedimos pra Carla nos contar uma história inusitada sobre a profissão, e nos apaixonamos pelo casal que não queria escrever votos e acabou cedendo, mas de um jeito diferente. Olha que sacada incrível da moça:

      “Um tinha receio de que voto do outro não fosse na mesma 'linha', que ficasse um disparate entre um e outro em função do estilo pessoal – bem diferente – de cada um. Sugeri que cada um escrevesse os votos para si mesmo, e que na hora eles trocassem os papeis, assim cada um escutaria exatamente o que gostaria de escutar. Foi superdivertido, porque eles acabaram levando essa proposta com muito humor. Na cerimônia, apenas eu e os noivos sabíamos da brincadeira.”

      Já a Ilana, do Casamento Colorido, tem uma história diferente sobre como entrou pro ramo. Ela era redatora publicitária e vivia ouvindo da chefe que seu trabalho estava “poético demais”, que tinha que refazer pra ficar mais pé no chão. Como ela gostava mesmo era de escrever, e sonhava (como todas nós!) em um dia trabalhar com alguma coisa que realmente amasse e que a fizesse dar uma contribuição mais sensível pro mundo, Ilana ficou atenta. E aí, quando duas amigas resolveram se casar, ela viu ali sua oportunidade, e pediu pra celebrar. 

      “Acho que por trabalhar com criatividade, me incomodava muito a mesmice das cerimônias de casamentos que eu ia até então. Pouco se via da história do casal, pouco se via da identidade dos noivos. Quando me vi naquela função tão nobre, celebrando, com tanta alegria, o casamento de duas amigas, de um jeito único pra elas, pensei que poderia fazer isso por outros casais também. Foi uma sensação muito forte de 'é isso!!', sabe? Acho que ali todas as pecinhas se encaixaram. Era a possibilidade de trabalhar com histórias de amor, com pessoas reais, com criatividade e fazendo o que eu mais amo, que é escrever.”

      E aí, já te convencemos? Até a Luiza, nossa colaboradora aqui no Adoro, está entrando pro time de escritoras-celebrantes. Aconteceu com ela da mesma forma que com a Maria e a Carla – primeiro casou uma prima, depois amigos, e aí já viu – virou casamenteira também. Ela conta que a melhor parte é receber o carinho e os abraços dos parentes e amigos dos noivos depois.

      “É tanto amor direcionado a você que dá quase uma onda, sabe? Fazer parte do dia mais feliz da uma pessoa, de maneira tão íntima, é um privilégio que não dá muito pra explicar. Você se eterniza junto com a promessa deles naquele momento, e esse desejo de resistir ao tempo é algo que eu já buscava quando escrevia literatura, então foi um encontro muito feliz”. 

      E aí, quem é a próxima a subir no altar? Que tal apostar nas minas celebrantes?  #ficaadica!
       

      27.12.16