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      Tag: antonia pellegrino

    • farm entrevista – antonia pellegrino

      bola_antonia

      Você olha pra essa morena gata, equilibrada no salto com a Iolanda pelas mãos e o Lorenço nos braços e já fica admirada. Aí então recorre ao currículo e a primeira pergunta dessa entrevista se torna inevitável.

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      Aos 35 anos ela parece ter tudo. Escritora e roteirista de novelas da Globo, séries de TV e filme incríveis como Bruna Surfistinha e Vale Tudo sobre Tim Maia (que vem por aí!), mãe de duas fofuras e cronista da revista TPM, Antonia acaba de lançar seu livro pela editora Foz Cem ideias que deram em nada.

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      Algumas ideias parecem reais, planos que partilhamos diariamente (meditar todos os dias por 15 minutos!), algumas lúdicas e tristes, engraçadas, outras concretas como uma lista de compras. O impossível é não se identificar, e não devorar essas ideias que deram um delicioso livro.

      Como você consegue?

      Aprendi a tocar as coisas em paralelo, com disciplina, mas sobretudo, preservando o que eu estou fazendo de possível invasões, como telefone, sms, whatsapp, email, etc. Ouço muita reclamação por não responder imediatamente aos diversos chamados do mundo, mas é o meu jeito de me conectar ao que estou fazendo.

      antonia3

      Como foi pra uma mulher de 1000 sucessos escolher, e encontrar!, essas 100 ideias que não deram em nada?

      Imagina quantos chutes a gol o Pelé não deu para chegar aos 1000 gols marcados? Provavalmente uns 100.000. Pra emplacar uma ideia, é preciso passar por 100 ideias até encontrá-la. Só que a sacada deste livro é perceber a beleza do treino, do chute que ninguém viu, do gol fora do jogo.

      O livro foi definido pelo novelista João Emanuel Carneiro como uma autocrítica da “geração-projeto”, a nossa, que sonha mais que realiza, afinal, o consumo interminável de conteúdo ao mesmo tempo que nos instiga, nos desconcentra, como manter o foco?

      Meditando 15 minutos por dia! Pra quem consegue. E pra quem não consegue, como eu, tentando parar e se ouvir. Acho que não é o excesso de consumo que atrapalha. Mas a falta de conexão com alguma coisa que realmente mobiliza, a ponto de nos fazer consumir menos, desacelerar para realizar com calma, tempo, sem a ansiedade ingênua de quem quer abraçar o mundo. Estamos sempre perdendo muito, o tempo inteiro, então melhor assumir o prejuízo e tentar ganhar o próprio presente.

      antonia3

      Como você acha que as mídias sociais reforçam a nossa fome de sucesso imediato, logo, a proliferação de ideias “geniais” que acabam antes mesmo de alcançarmos a caneta?

      O que mais se vê hoje é artista plástico sem obra, escritor sem livro, cineasta sem filme. É como colocar a carroça na frente do boi. O grande problema desta aceleração da vida é que pra fazer uma obra, um livro ou filme, é necessário tempo e lentidão. E aí dá curto circuito com o desejo, que não sustenta este tempo nem esta lentidão.

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      A gente se emociona lendo o livro, mas também ri de nervoso, ri de verdade, é de alguma maneira uma sugestão de como lidar com nossos fracassos?

      Acho que se emociona e faz rir é porque cria identificação. Ou seja, não sou a única a ser acometida pelos sintomas da geração projeto! Então, a melhor sugestão que o livro pode dar é a de iluminar este mecanismo nos leitores.

      Qual a próxima ideia a sair do papel?

      Tenho um documentário em fase de captação e termino nos próximos meses um outro livro.

      E bem, a gente não tem mais desculpa nenhuma pra não tirar (ou colocar) aquela ideia do papel!

      04.09.14