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sua mochila está vazia

    • livro do ano

      Em 2015, decidi que faria uma agenda. Não qualquer agenda. Queria resgatar minha relação com o papel e a caneta e entendi que meu processo de criação precisava desse contato. Não bastava ter um calendário online, mil apps de organização e projetos. O momento que me sentia segura, sob controle das tarefas e dominando meus dias, era aquele de pegar a caneta e riscar com toda a plenitude da vida adulta, uma a uma das atividades pensadas praquele dia. A satisfação era tanta, que comecei a aumentar a lista com itens banais como "comprar pão", só pra ter certeza de que riscaria ele no fim do dia com um alívio indescritível.

      Comecei então a perguntar aos amigos quem ainda usava agenda de papel, e me surpreendi com a quantidade de heavy users de redes sociais, smartphones, dropbox e afins que ainda usavam esse instrumento artesanal como apoio. Estava decidido: meu novo projeto seria pensar uma agenda que não só cumprisse a função utilitária, mas também nos inspirasse ao longo do ano.

      A gente costuma pensar a vida em ciclos e na correria do trabalho, da rotina e dos encontros, esquecemos que todo ciclo é composto de pequenos espaços de tempo. Um ano incrível é feito a cada dia e não acontece sozinho. É preciso da nossa atenção, do nosso carinho, dos planos que passamos pro papel e do papel pra realidade. E é por isso que eu chamei a agenda de "Livro do Ano": o livro do seu ano, escrito a cada dia, contando a sua história.

      O Livro do Ano 2016 veio como uma pontinha de vontade, um primeiro desejo de existir. E o mais importante dele foi a lista de 50 mulheres, destacadas nas suas datas de aniversário. Essa seleção me fez conhecer histórias fantásticas! Foi lindo acordar num dia qualquer e descobrir que era aniversário da Frida Kahlo, que ela era canceriana e que eu nasci com só alguns dias de diferença. Ou no meio de uma tarde cansativa e cheia de desafios, ser lembrada de Nina Simone, de como ela colocou sua voz em nome de uma luta e, a partir daí, passar o resto do dia ouvindo sua discografia completa.

      O ano passou, muita coisa mudou e eu estava com uma rotina completamente diferente. Faltando três meses pra dezembro, decidi que a versão 2017 precisava acontecer e comecei uma corrida contra o tempo.

      No ano passado, foi quando me re-conheci como mulher negra. Foi quando prestei atenção em quem assinava os livros que eu gostava de ler, dirigia os filmes que eu assistia e cantava as músicas que eu ouvia. E como eu já esperava, a parcela de autoria feminina era bem menor. Mulheres e negras, ainda menor. Comecei então uma pesquisa intensa e por vezes, dolorosa, em busca de inspiração e referência nessas pessoas.

      Esse trabalho me encheu de orgulho e admiração. E em uma das reuniões que tive com o meu amigo e designer, Luciano Ferreira (Estúdio Triciclo) que assina o projeto gráfico do Livro, chegamos na ideia de fazê-lo todinho em preto e branco. O preto seria luz sob a história de mulheres negras inspiradoras. Branco, o vazio no qual cada um escreve a sua própria história. O Livro do Ano 2017 trouxe esse contexto de luz e força pra uma agenda de papel. A intenção, é que essas mulheres nos inspirem e encorajam com suas trajetórias.

      Pintei 12 aquarelas em homenagem a mulheres negras que admiro e continuei com a lista de mais 50 mulheres ao redor do mundo, de épocas e áreas diferentes. A costura aparente é um pouco da leveza necessária. O calendário lunar, pra nos guiar por transformações. A cada começo de mês, uma página pra sonhar, planejar e realizar, e a cada fim de mês, uma página pra lembrar de agradecer. Páginas livres são um respiro.

      O Livro do meu ano de 2017 tem sido escrito com muito amor e c'alma. É o meu primeiro ano como mulher negra. O primeiro em busca verdadeira das minhas raízes. O ano, que começa com Angela Davis, me lembra que ainda é preciso falar sobre mulher, sobre raça e sobre cor. E termina com Djamila Ribeiro, re-significando nosso lugar na história.

      2017 é meu ano de Saturno, de catalizar toda a energia criativa e iluminar o que é de luz. Meu desejo é que seja assim pra você também.

      O Livro do Ano foi idealizado por Lara Dias (que faz parte do nosso Sotaques!), o projeto gráfico é assinado pelo Estúdio Triciclo e recebeu o apoio da Taquilla Brasil pra existir. Pra comprar o seu, é só ir aqui, ó


       

      18.02.17