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sua mochila está vazia

      categoria: sotaques

    • Um guia para pensar a moda do futuro

      Moda circular, biotecidos, upcycling.
      O quanto esses conceitos são familiares a você?
      Para a Fernanda Jung Thomé, designer de moda e estudante de administração em Porto Alegre, eles são objetos de um estudo dedicado e, pode crer, muito inspirador.


      “Ultimamente eu tenho focado meus trabalhos para a economia circular. Como a economia circular pode ser um agente de mudança dentro da moda sustentável. Tenho feito muitas pesquisas também em bioculturas e como isso pode trazer inovação dentro do campo têxtil para a moda”.

       

      Já bateu alguma dúvida?
      Os próximos parágrafos serão puro aprendizado.
      Contar a trajetória da Fernanda é entrar em contato com uma perspectiva potente sobre a moda, porém (ainda) pouco conhecida*.

      *Ao longo do texto explicaremos alguns dos conceitos que fazem parte desse universo e deixaremos prontinho, no final da matéria, um glossário para você saber mais.

      O princípio na moda sustentável.

      A aproximação com esse universo se deu em 2016, durante uma disciplina da faculdade de moda.
      O desafio na época era criar uma peça a partir de resíduos.
      Como começo de uma jornada, Fernanda buscou alternativas ao patchwork. Queria extrapolar, encontrar métodos com os quais se identificasse mais e assim chegou ao quilting livre. A técnica, uma das vertentes do upcycling¹, permite a união de vários pedaços de tecido numa costura livre e de forma artística. Pensando nos resíduos que tinha em abundância, desfiou algodão cru e calças jeans já fora de uso. Como continuidade da pesquisa chegou a um plástico hidrossolúvel. Aí estava a chave para a criação do seu primeiro tecido sustentável.

      “No decorrer das pesquisas eu encontrei um plástico natural que dissolve quando entra em contato com a água, mas antes disso ele é maleável o suficiente para eu conseguir costurar. Eu fui fazendo testes e descobri que se eu usasse esse plástico hidrossolúvel, colocando o algodão e o jeans desfiados entre essas duas camadas de plástico, alfinetasse e fosse pra máquina, eu conseguia criar um manto têxtil. Se eu entrasse em contato com a água, lavando, eu ia conseguir um tecido produzido com esses resíduos. Pra mim foi incrível ver o resultado. É um processo que permite criar muitas estampas, muitas técnicas. Você consegue produzir o tecido desde o início, no formato do molde que você vai utilizar, minimizando os resíduos que você vai gerar e permitindo que você use esses resíduos na próxima criação”.

      O vestido produzido a partir desse tecido foi para a passarela. Nas palavras da própria Fê, não apenas o feedback externo foi incrível, mas também o interno, que se traduz em motivação, inspiração e a descoberta de muitas novas possibilidades. Foi a certeza que ela precisava: ir a fundo no upcycling e desvendar suas técnicas.

      “Foi aí que eu encontrei a economia circular². Comecei a estudar, me interessar por inovações no campo têxtil e fui cada vez me apaixonando mais. Quando eu estava terminando a faculdade, eu desenvolvi o meu TCC baseado numa das escolas de pensamento da economia circular que é o design cradle to cradle³, entrando cada vez mais dentro da moda sustentável, dentro do que a natureza pode nos oferecer, de como a gente pode se inspirar na natureza para criar moda e design. Isso foi trazendo um sentimento de identificação e de luz de dentro que fez eu querer cada vez mais pesquisar sobre e conectar mais pessoas dentro desse sistema”.

       

      A descoberta da circularidade e a retomada do feminino.

      Luz de dentro.
      É o que transborda quando a designer começa a falar sobre o seu trabalho e todo esse jeito lindo de se conectar a terra para pensar o vestir.
      Parece um paradoxo, não é?
      Porém a segunda maior indústria do mundo tem mais a ver com a natureza do que a gente pode imaginar e é exatamente sobre isso que trata a moda circular.

      “Moda circular é repensar o sistema de produção e consumo de moda para um sistema que não seja mais linear. Quando eu digo linear me refiro a um sistema onde a gente extrai da natureza, produz gerando lixo, consome e descarta. O pensamento de lixo não existe mais no sistema circular, ele volta para dentro do ciclo produtivo. É um sistema que extrai pensando como esse lixo pode retornar para o meio ambiente de uma forma sustentável, que não agrida a natureza. É um sistema em que tudo que for consumido vai voltar pra indústria para ser reutilizado ou vai voltar pra terra pra ser compostado”.

      Quer jeito mais feminino de lidar com a moda?
      O fazer natural abre espaço para uma série de outras questões.
      Pensar na produção de matéria limpa, no respeito ao meio ambiente e no descarte do lixo é uma forma de entrar em contato com os ciclos naturais, esses que nos constituem enquanto mulheres e que foram se perdendo com a aceleração do mundo.

      “Eu vejo que, ao longo do tempo, a mulher se distanciou muito do que é natural dela, do que acontece com o corpo dela, de como funciona ou não o ciclo menstrual. Querer colocar isso numa linearidade não faz sentido. Quando a mulher consegue identificar esses padrões de emoções e se reconecta com a circularidade dela, que tem tudo a ver com a circularidade da própria natureza, isso traz uma luz para a vida, uma beleza que não tem explicação”.

      Pensar numa nova moda é também pensar numa nova atuação feminina. Eu boto muita fé que vivemos uma época de resgates e olhar pra dentro é uma revolução. O desafio agora é encontrar o compasso entre natureza feminina, indústria e conservação ambiental.

       

      A experiência amazônica

      Pra isso, e pra mais um tanto de coisas, a Fernanda foi em Julho para a Amazônia. Como parte de um processo de capacitação em desenvolvimento sustentável, conviveu com as comunidades ribeirinhas e aprendeu desde tingimento natural4 até a necessidade de viver em comunidade para que qualquer transformação seja efetiva. Afinal, nossa essência é social e nossa força se amplia quando atuamos juntos.

      “Eu tinha uma conexão muito forte com a natureza e uma paixãopelas trocas que eu poderia fazer com ela, mas as minhas trocas com o ser humano não existiam muito até aquele momento e de forma tão sincera. Dentro do processo de capacitação que eu fiz, o aprendizado que eu obtive com a comunidade, vivendo e aprendendo deles, trouxe uma outra visão de mundo e do quanto nós somos agentes da mudança antes de tudo. Se a gente não souber se conectar e viver em comunidade, não vai adiantar nenhuma mudança que a gente faça. Nenhuma conexão que a gente tenha com a natureza serve se a gente não souber viver em comunidade”.

      Atualmente, Fernanda busca inovações no campo têxtil através da criação de  bioculturas para o desenvolvimento de tecidos a base de celulose bacteriana. Uma novidade e tanto.

      Afinal, o que são bioculturas?

      A biocultura consiste no desenvolvimento de scobys, comunidades bacterianas sintéticas geralmente associada à produção de kombucha5. Os scobys são peças gelatinosas que, quando desidratadas, dão origem a um material resistente e ao mesmo tempo maleável, ou seja, adequado à costura.

      Scobys do ateliê da Fê (o primeiro em processo de desidratação e o segundo ainda em crescimento)

       

      As peças suportam o tingimento natural feito a partir de chás e ervas, a impermeabilização realizada com banhos de óleo de coco e crescem de forma tridimensional, se adaptando a superfície no qual são colocados para a desidratação.

      “Uma das coisas mais legais da biocultura é que ela seca no formato do lugar onde você colocar para secar. No campo da moda isso é uma super inovação porque permite que você crie peças tridimensionais sem costura.”

      Incrível né?

      Além disso, os biotecidos são ideias para a estamparia botânica – uma técnica natural de impressão ou, como você pode encontrar com uma maior variedade de verbetes, ecoprinting. Nela, folhas ou flores são inseridas entre as camadas do scoby (sim, ele cresce em camadas) para que lá permaneçam pós secagem. Sementes também podem compor essas estampas. Já imaginou ter um tecido biodegradável que germina assim que compostado? É muito amor.

      Passar um dia com a Fê, entre os seus experimentos, todos catalogados com carinho e reportados com entusiasmo, é vislumbrar um futuro mais harmônico entre indústria e natureza, alinhado aos ciclos femininos e, portanto, cheio de poder.

       

      Para mim foi enriquecedor e escrevo esse texto porque, realmente, espero que a visão e a atuação profissional da Fê germinem. Assim como os biotecidos do seu laboratório.

      “Sempre me bate um receio quando eu penso o que vai ser o futuro da moda. Talvez seja inocência minha acreditar que a moda possa ser um agente de transformação no mundo, mas ela já foi, positivamente ou negativamente, na revolução industrial e eu acredito muito que a moda pode e vai ser o agente de transformação do futuro. Outras indústrias vão se inspirar na mudança que a moda vai trazer pra fazer as mudanças dentro dos seus próprios processos de criação e de desenvolvimento”.

      Para mergulhar fundo:

       

      1. Upcycling: Processo de transformação de produtos indesejados em novos materiais e produtos com maior valor social e menor impacto ambiental
      2. Economia circular: Conceito econômico que rompe com a linearidade da indústria. Aqui, a proposta é que o resíduo de uma indústria sirva como matéria-prima reciclada para a mesma indústria ou para outras. Ou seja, o que se busca é o aumento do ciclo de vida dos materiais e uma nova relação com a cadeia de consumo: do design de produtos ao seu descarte.
      3. Cradle to cradle: Do inglês do berço ao berço, o conceito propõe sistemas cíclicos de criar e reciclar ilimitadamente. Como vertente da economia circular, propõe fluxos saudáveis de matéria-prima, tanto para humanos quanto para a natureza.
        4. Tingimento natural: Pigmentação de tecidos através de plantas tintórias.
        5. Kombucha: Bebida produzida a partir de um chá ou infusão adoçado que, a partir da fermentação controlada, oferece qualidades probióticas.
      06.09.18
    • Cura Natural – Gio, Sotaques FARM

      A natureza é fonte de descobertas, conexão e até cura de dentro pra fora. Nem sempre é fácil entender por onde a gente pode começar pra reconhecer os poderes que as plantas, as flores, as frutas… têm na nossa alma e no nosso corpo. Por isso, ler e se inspirar ajuda muito!

      A Gio Simões que é de Recife e faz parte do Sotaques FARM conta pra gente um pouquinho da energia boa que ela vem descobrindo através da cura natural. Olha só!

      Há pouco mais de um ano deixei o centro de Recife para morar no meio do mato, na fazenda onde passei boa parte da minha infância. Tomados pela energia natural daqui, eu e meu marido não conseguíamos mais nos imaginar em qualquer outro lugar. Quando uma mulher artista vive em comunhão com a natureza e se dispõe a ser dela instrumento de criação, sua intuição desperta. Aqui, eu comecei a ouvir a minha.

      Estimulada silenciosamente por esse lugar tão poderoso, passei a criar uma série de imagens intuitivas em diálogo com ele – um emaranhado entre fotografias, colagens e pinturas -, e aos poucos sentia que me tornava cada vez mais parte integrante de todos os elementos vitais desse entorno natural. Passei a estudar e buscar uma maior compreensão dos mistérios das ciências ocultas e iniciei uma jornada mágica de autoconhecimento e cura aprendendo com os melhores mestres: a água, a terra, o fogo, o ar, a Lua, o Sol, os animais e alguns seres elementais.

      O processo de reconhecer e honrar minha divindade interior, assim como as divindades em cada ser vivo ao meu redor, me fez desenvolver meus próprios rituais de transformação.

      No meu jardim – minha farmácia natural -, é meu corpo que encontra cura.

      Já descobri aqui mais de 40 espécies de plantas medicinais que podem ser usadas com infinitas possibilidades em diversas terapias. Pouco a pouco, venho estudando cada uma, suas propriedades curativas, seus efeitos no corpo, indicações, diferentes formas de uso. Não tenho a pretensão de me tornar uma especialista em fitoterapia, vendo os resultados positivos que venho colhendo, acredito na importância de compartilhar e passar adiante o que aprendo.

      Escolhi aqui do meu jardim três ervas medicinais de energia feminina e com qualidades curadoras:

      Lavanda
      Além do perfume delicioso, seu óleo essencial é muito útil no tratamento de pele, com propriedades cicatrizantes e regeneradoras. A Lavanda atua bem em todos os chakras no corpo físico, mental e espiritual. Promove profundo relaxamento, aliviando a energia física e mental. Calmante e ansiolítica, ela também favorece o sono. Energeticamente a lavanda traz paz interior, nos ajuda a desenvolver o potencial empreendedor e a ter uma visão estratégica da vida. Quando defumada, seu aroma é um atrativo feminino, deixa o lar mais suave, limpa, purifica,favorece o romance e o bem-estar da família.

      Formas de uso: Infusão(chá), compressa, escalda-pés, cremes, inalação, vaporização, defumação, banho quente e massagem com óleo essencial.

      Camomila
      Energeticamente a camomila age no coração dissolvendo mágoas, o ódio e promovendo a consciência do perdão, além de afastar pensamentos negativos. Ela restabelece a esperança e a fé, eliminando o estresse emocional. Possui propriedades anti-inflamatórias benéficas e para a pele em casos de irritações, alergias, coceiras e picadas de insetos. Também indicada para aliviar a TPM e outros distúrbios menstruais. Melhora o sono e a qualidade dos sonhos.

      Formas de uso: Infusão(chá), compressa,banhos de assento, inalação, vaporização, defumação, banho quente e massagem com óleo essencial.

      Artemísia
      A queridinha da minha horta farmacêutica! Ela atua na harmonização do sexto chakra (terceiro olho), associado com a intuição. É também considerada uma planta mágica, poderosa e muito ligada a energia feminina, sagrada para os orientais e chamada de “Erva das Bruxas”, “Erva da Lua” ou “a Deusa das planas”, ligada à Deusa Ártemis, das florestas e da caça. Excelente diurético, regulariza o funcionamento do estômago, fígado, rins, bexiga e pulmões, sua melhor amiga durante o ciclo menstrual, ameniza cólicas, sintomas de menopausa e quase todas as doenças ligadas ao ciclo feminino.

      Formas de uso: chá, banho, defumação, massagem com óleo essencial, e vaporização do útero.

      Muitas são as maneiras de desencadear e libertar os poderes inatos de regeneração e cura. Mas é sempre importante a gente levar em consideração o nosso estilo de vida e modo de estar no mundo para que realmente as mudanças ocorram. Acima de tudo, é preciso acreditar no seu próprio poder de cura interior, e nunca, nunca parar de buscar. O caminho é longo, mas gratificante! 

      16.07.18
    • oi, copa! bora pra onde?

      Oba, a contagem regressiva chegou ao fim! É hora de curtir essa copa lindona com os amigos, a família, o match, a galera toda. Até o dia 15 de julho tem muuuuita festa pra celebrar! A gente mostra agora os 3 lugares favoritos dos cariocas pra se jogar na festa e as meninas do Sotaques FARM (sim ele voltou!) contam as 3 melhores dicas das cidades de Salvador, Recife e Porto Alegre.

      Tá na dúvida pra onde ir? Chama a galera e dá um bizu aqui pra escolher 🙂

      As boas do Rio

      Village

      Idealizado e produzido por cariocas que amam e que enxergam a cidade como o maior e melhor cenário de diversão do país, o evento já contou com 2 edições de muito sucesso. Quem aí lembra da Copa de 2014? Bateu saudade né? O Complexo Sheraton, no Leblon, promete ainda mais encontros, magia e alegria. Serão diversas festas, atrações, transmissão dos Jogos do Brasil e o melhor da gastronomia!

      Biergarten

      Lembra da energia suepr alto astral que rolou nas Olimpíadas? O Biergarten foi um dos maiores projetos daquela época e agora tá de volta agora com 3 pistas, sendo a principal no Biergarten em si, somada a mais 2 nas margens da Baía da Guanabara, com uma vista sensacional e um pôr do sol incrível. Além das transmissões ao vivo dos jogos, rolam várias opções de comidas e bebidas num food park especial pra todos os gostos.

      Terraço Lagoa

      Até 15 de julho o Terraço Lagoa vai oferecer uma programação pra lá de animada pro público torcer e curtir muito. Depois dos jogos, as melhores festas tomam conta do Complexo Lagoon com dj’s e atrações super bacanas. Partiu!

      Dicas do Sotaques FARM

      Gio, Recife:

      1 – Arena Cais da Alfândega: No Recife antigo, coração da cidade, a prefeitura está preparando uma espécie de arena para quem quiser acompanhar os jogos. A festa por lá vai entrar no clima do São João, com shows de artistas locais e nacionais.

      2 – Haus Bar: Localizado no bairro do Pina, o Haus é um bar super estiloso especializado em drinks exóticos e bem elaborados, além de contar com um cardápio de petiscos pra ninguém botar defeito! O bar fica na descolada Galeria Joana D’arc, conta 3 ambientes diferentes e é uma ótima opção para reunir a torcida!

      3 – Bud Basement: Aqui a farra promete! Novidade no Recife e inspirada nos porões de NY e Berlim, o Bud Basement já anunciou artistas de nome como Nação Zumbi e Baiana System para comandar os dias de festa, tudo isso regado à muita cerveja. A estrutura conta com telões para transmissão dos jogos que permitem visão 360º e ainda quatro bares, uma barbearia e um estúdio de tatuagem!

      Hury, Salvador:

      1. Largo da Cruz do Pascoal (no bairro do Santo Antônio Além do Carmo) – bairro residencial no centro histórico de Salvador, do lado do Pelourinho. Tem clima de cidade do interior, telão nos bares, cerveja e vista pro mar.

      2. Rua da Mouraria (centro de Salvador) – melhor lugar para comer frutos do mar e assistir futebol entre amigos!

      3. Trapiche Barnabé (espaço cultural no bairro do Comércio) – nos dias de jogos do Brasil vai ter o Bud Basement – Budweiser com telão para assistir aos jogos e show após, galerinha descolada da cidade só fala nisso.

      , POA:

      Brahma Street Viewing – Fan fest que será montada pela Brahma no centro de Porto Alegre, em frente ao Mercado Público, para transmitir os jogos.

      Brechó do futebol – Bar temático de futebol no centro histórico, com transmissão de jogos e venda de camisetas de times do mundo.

      Roister – Bar/restaurante com uma carta enorme de cervejas locais. Para quem quer assistir o jogo mais tranquilo. É um lugar meio bombadinho de POA.

      Eaí, bora pra onde? Prepara o look (vem ver a nossa seleção aqui!), joga pro alto a animação e bora ser pé-quente. Vai, Brasil! 

      14.06.18
    • YES, nós temos BANANADA!

      Na última semana Goiânia foi, pela vigésima vez, palco de um encontro catártico entre música e público. O Bananada, um dos mais tradicionais festivais do Centro-Oeste, fez uma super comemoração pro seu aniversário de vinte anos, e reuniu um público totalmente diverso que ia desde os mais tradicionais apreciadores da tropicália de Gil, até a juventude lacradora fã da musa Pabllo Vittar e do pancadão do ÀTTØØXXÁ. Entre um extremo e outro, claro, muito indie, rock, rap e eletrônico.
      Uma mistureba que é bem coisa nossa 🙂

      No meio do line-up de peso, que reuniu artistas e bandas do Brasil inteiro, Goiânia e o centro do país estavam muito bem representados pra provar que se engana quem pensa que só de sertanejo vive a música local. Vindos de uma cena independente super forte e pulsante, o festival recebeu nomes como Bruna Mendez, BRVNKS, Boogarins e Carne Doce, todos filhotes da capital goiana.

      Nascidos nos rolês no Centro Cultural Martim Cererê, o movimento autoral de Goiânia anda de mãos dadas com os grandes festivais da região, como o Bananada e o Goiânia Noise: “Os festivais são o motor da cena. Desde que eu comecei a tocar, participar dos festivais sempre foi uma meta e isso junta as pessoas. Com os festivais, a gente sempre assistia as bandas de fora e isso retroalimenta e ressignifica nossa arte”. Foi assim que começou meu papo com o Macloys, guitarrista do Carne Doce, banda que teve sucesso de crítica em seu último álbum, o feminista Princesa. Mac, que encabeça a banda junto com sua companheira de vida Salma Jô, enxerga também a importância do traço regionalíssimo do sertanejo pro desenrolar do movimento musical goiano: “É uma inspiração de contraposição. O Bananada começou a acontecer coincidindo com a festa agropecuária de Goiânia. O festival veio como um manifesto de que as coisas podiam ser mais diversas. A indústria do sertanejo é muito opressora: ocupa as rádios, as TVs, as mentes de um modo geral. Acho que é natural que haja uma contraposição onde existe uma força tão grande. Talvez se a gente não tivesse o sertanejo tão forte por aqui, a cena alternativa de Goiânia nem existiria.”


       
      O vigor dos festivais e a dinâmica da música na cidade extrapolam os limites do estado e inspiram transformações que vão bem além de Goiânia. O papo inspirador com Ynaiã Benthroldo, baterista do genial Boogarins, deixou isso bem nítido. Yna, que tem no currículo bandas importantíssimas pra música nacional como o Macaco Bong, é de Cuiabá e mesmo antes de sair da cidade natal já se inspirava na movimentação que a capital goiana irradiava do centro do país. “O primeiro show que eu fiz com Macaco Bong fora de Cuiabá foi aqui e a cidade foi muito receptiva. Essa cena se tornou um espelho pra gente”, conta. A falta de referência artística em cidades fora do eixo Rio-SP é outro problema pungente que as bandas da região enfrentam: “Foi super importante vir pra cá e pra Brasília, porque foram lugares onde entrei em contato com a música erudita e pude conhecer músicos de nível mundial. A referência era muito importante pra que eu voltasse pra Cuiabá e promovesse cursos e festivais inspirados no que vi por aqui. Assim, pessoas que estivessem na mesma situação que eu podiam ter uma visão mais ampla. A dificuldade que a gente tinha em fomentar a cena autoral era global e conhecer outras regiões que passaram por essas questões e superaram incentivou a troca de informações e o fortalecimento da cultura como um todo”. O que era um dificultador foi subvertido em riqueza pelo pessoal da música no Centro-Oeste: “Nesse processo de criar e tentar resolver os problemas das nossas cidades, a gente foi desenvolvendo várias tecnologias que viraram empreendimentos ligados à cultura, educação, economia solidária, festivais de música… Isso virou um catalizador muito interessante de realidades e de troca. Você vira uma referência acessível pra novas gerações que você vê na rua, no mercado, tocando músicas de bandas locais, como Carne Doce e Boogarins”.
       
       
      Agora com uma cena estabelecida e forte, as bandas do centrinho do país ganham projeção nacional, e seguem carregando suas origens nas letras e nos seus temas que são tão locais e globais ao mesmo tempo. Voltando às origens da cena autoral goiana, perguntei pra Salma se existia um paralelismo entre as influências que norteiam a criação da região — será que o sertanejo cantado por mulheres (ou feminejo, pros íntimos) seria resultado da mesma influência que ajudou a trazer Princesa pro mundo? “O feminejo fala muito sobre os mesmos temas do sertanejo tradicional, o ponto de vista da mulher sobre a mesma coisa de sempre. Já a narrativa do nosso meio é muito mais ideológica e de militância.”, explica. “Talvez o feminejo seja ainda mais politicamente eficiente no sentido de trazer discussões. A gente vai estar sempre falando pra um nicho, por mais que mire no mais popular e abrangente possível, a gente sabe que nossa linguagem ainda é muito ligada ao nosso status e estilo, então isso molda muito nosso público”, disse a vocalista do Carne Doce.


      foto: gui guedes (@gguedes)

      Trocando uma ideia com a Bruna, líder do BRVNKS — uma das revelações goianas nos últimos anos — ficou claro que a teoria sobre o alcance do feminejo é real: "Muita gente que não ouve sertanejo começou a gostar, eu inclusive nem ouço em casa sei tudo decorado. Os mundos [do rock e do sertanejo] seguem distantes mas querendo ou não no final das contas todo mundo tá sentindo alguma representação nisso". Pra ela, o momento de reafirmação feminina na música, ocupando os diversos espaços da indústria, é bem palpável pra além de estilos e rótulos: "Eu vejo muita coisa mudando, vejo pessoas prestando mais atenção e principalmente meninas mais novas tendo vontade de tocar e fazer suas próprias bandas. Já recebi muita mensagem de meninas que se sentiram influenciadas por mim e eu sempre digo pra não se preocuparem em fazer algo bom, só fazer algo já tá ótimo! Como mulher sabemos que somos mais cobradas que o normal pra fazer algo "de qualidade". Quanto mais menina fazendo, mais coisa boa aparece, mais coragem outras tem. Vão ter que aceitar e se acostumar que também fazemos as coisas!", concluiu.

      Entender o impacto da música de Goiânia e o quanto um festival como o Bananada contribui pro seu crescimento fez a festa ganhar ainda mais sentido: o festival empurra a cena pra além do entretenimento e se mostra necessário para a diversificação da cultura de massa no Brasil. O fortalecimento das vozes que ecoam fora dos grandes centros vem somar com a força de uma geração de músicos e artistas com fome de mudança e sede de movimento — e quem só tem a ganhar com isso somos nós, o público.

      Essa matéria lindona foi feita pela Déborah Nogueira, colaboradora do Sotaques FARM. E a foto de destaque é da Lara Dias, que também tá sempre com junto com a gente no Sotaques e outros projetos incríveis. <3

       

      23.05.18
    • a festa do boi

      Há uma qualidade de tempo que vem se perdendo em meio ao caos urbano, esquecida entre notificações de WhatsApp, esmagada nos metrôs lotados, chutada por passos apressados de quem anda com a mente em outro lugar. Mas, como disse a designer Paula Dib, existem pequenos portais pra um tempo mais amplo, e um deles pode ser encontrado no contato com as crianças. Quero apresentar a vocês agora um outro portal: aquele que é oferecido pela Cultura Popular

      Vivi um tempo precioso na última festa do Bumba meu Boi, manifestação da Cultura Popular maranhense, que acontece aqui em Sampa, em um bairro chamado Morro do Querosene. Por doze horas, a rua foi minha! As batidas do pandeirão ressoaram no meu corpo e pra onde olhei, vi tecidos e fitas de cetim em movimento. Dancei ao lado de gente pequena e gente grande e no cair da noite vi uma multidão se ajoelhar e ficar bem quietinha observando o batizado do Boi.

      “Quando chega a época da festa sinto nostalgia da infância. Não consigo me ver sem o Boi, sem o Cupuaçu, eles me trazem uma alegria muito grande. Entro num estado de transe do começo da festa até o final, e nos ensaios também. Quando canto uma toada, ou danço, deixo transparecer aquilo que estou sentido no momento, é quase uma sessão de terapia. O boi me mantem sã nessa sociedade cruel.", me contou Juliana Carvalho, integrante do Cupuaçu, grupo de estudo de danças populares brasileiras que organiza a festa há mais de 25 anos. Assim como outros integrantes do grupo, ela nasceu no Morro do Querosene e brinca de Boi desde pequenininha. 

      Também conversei com Ana Flor, filha do Tião Carvalho, fundador do grupo e da festa do Morro. Seu pai veio do Maranhão e seus avós estão lá até hoje. Ela me fala de um tempo onde as manifestações culturais eram algo natural, o brincar estava inserido no dia a dia e cada comunidade tinha suas próprias brincadeiras. Hoje isso vem se perdendo, engolido pela globalização. "É preciso resgatar e preservar. Me preocupo com as pessoas da minha idade que não tem contato nenhum com a Cultura Popular. Aqui no Morro somos uma comunidade de resistência. Minha luta é a manutenção dessas brincadeiras!”.

      A Flor é uma das poucas mulheres que toca o pandeirão durante a festa: “É muito novo isso da mulher tocar no Boi, até dançar se você for pensar, coisa de um século pra cá. As comunidades tradicionais são muito machistas e nelas se crê que a mulher não pode segurar um instrumento pesado. Várias vezes fui tocar em alguma comunidade e tomaram o instrumento da minha mão pra dar pra algum homem. O machismo está muito arraigado, mas aqui no Grupo tem uma galera disposta a desconstruir.”


       

      A Festa do Boi deixou uma marca permanente no Morro do Querosene. Nas últimas décadas,  pessoas com interesses parecidos foram sendo atraídas pro bairro, de modo que hoje ele pulsa arte e cultura e tem um senso de comunidade muito forte. Agradeço ao universo por morar perto e poder fazer parte dessa grande festa. 

      Agradeço às mãos que batem forte no couro do pandeiro.
      Aos cuidadores do fogo que o mantêm aceso a noite toda.
      Aos adultos que viram crianças por um dia.
      E às crianças que correm e dançam em liberdade amaciando o tempo rígido das metrópoles. 
      E especialmente ao Boi por abrir a portinha do brincar.

      Fotos do Boi Mirim, na Festa do Boi, no dia 18 de Junho de 2017. Clicks de Julia Vargas.

      27.06.17
    • traço com sotaque

      Todo mundo tem um amigo mega talentoso, daqueles que você fica vibrando a cada pequeno passo, que torce pra que muita gente conheça ele e o que ele faz. Pra mim, essa pessoa é o Herbert Loureiro, o Herbie! Lembrando agora, ele foi um dos primeiros amigos que eu fiz quando cheguei em Maceió e mesmo antes de conhecê-lo pessoalmente, já ouvia falar sobre suas ilustrações, o traço “tortinho” inconfundível e o humor peculiar que ele carregava no trabalho (e na vida). 

      Eu sempre fico um pouco angustiada quando vou escrever sobre alguém que conheço e que gosto tanto. Mas gente incrível e talentosa a gente deve fazer questão de mostrar pro mundo, né? Então nos encontramos pra conversar e fotografar em um domingo bem atípico em Maceió. Num dia cinza, Herbie foi um ponto de cor no meio do bairro do Farol. Olha só!

      Nem ele lembra direito quando começou a sua paixão por desenhar, diz que é uma coisa que acontece “desde sempre”. “Eu acho que é muito uma forma de me expressar e de poder comunicar coisas que eu não sei dizer verbalmente. É um jeito de mostrar quem eu sou, sem ter que me explicar pra ninguém”. Além de uma forma de expressão, Herbie conta que, quando criança, o desenho era também uma maneira de se proteger. “Maceió é uma cidade muito machista e sempre fui muito discriminado porque não jogava bola na escola. Adorava encher a ficha da biblioteca e ter que pegar uma nova, sabe? Eu ficava lá lendo e desenhando. Daí eu fui crescendo e o ato de desenhar foi uma forma tanto de expressão quanto de proteção. Eu pensava assim: o meu desenho não é o mais perfeito do mundo e eu nem quero que ele seja, na verdade. Daí eu vi que aquilo podia ser a minha qualidade e era como eu me sentia também. Eu acho que reflete muito quem eu sou e acho que descobri um jeito de falar sobre mim na forma de desenhar”.

      Foi no colégio ainda que Herbie descobriu que podia trabalhar com o que mais gostava de fazer. Seu professor de redação, Tainan Costa – que também é poeta – viu os seus desenhos no caderno e falou: “Por que você não ilustra meu livro?”. Depois disso, um universo se abriu. “Mesmo estando em Maceió, eu vi que eu poderia usar o meu traço pra falar sobre diversas coisas e me comunicar com pessoas e marcas de um jeito muito individual”.

      De Maceió, Herbie começou a fazer trabalhos incríveis. Assinou estampas pra marcas como Der Metropol e El Patio, coleção de tatuagens pra Le Petit Pirate, capa de discos (como o da musa Daniela Mercury), cartazes de shows (como da outra musa Gaby Amarantos), revistas, livros infantis, teve exposições individuais e mais um tantão de coisas. 

      Por aqui ele abalou muito, mas aí, há dois anos e meio, Maceió ficou pequena demais pra ele e Herbie resolveu desembarcar em São Paulo pra explorar outras habilidades que carrega (como bordado, tapecaria, projeções, cerâmica e etc). Ele aiu de Maceió, mas nunca deixou – e nem quer – que ela saia dele. Uma das coisas que sempre me chamou atenção no seu trabalho foi o tanto de sotaque que ele insere nas ilustrações que faz. Seus trabalhos, frequentemente, trazem palavras ou expressões bem alagoanas: tem “bilôra”, “gota serena”, “pipoco”… Mostrar o seu sotaque e de onde vem, pra ele, é essencial.

      “Alagoas é também um lugar com uma cultura gigantesca, é um dos estados que tem o maior número de folguedos e manifestações populares (inclusive seu TCC no curso de Jornalismo da Ufal foi uma cartilha ilustrada de todos os folguedos em atividade no estado) e daí eu resolvi incorporar. Eu vi que nascer aqui me tornava diferente e me dava coisas diferentes pra mostrar pro mundo. Eu falo de um jeito diferente, eu tenho um sotaque diferente, eu conheço coisas diferentes. Assim como todas as outras pessoas, cada pessoa tem uma vivência né? E eu gosto que as pessoas tenham uma surpresa quando veem meus desenhos, ou que achem estranho e, sei lá, “descubram” uma palavra nova. Muita gente nunca ouviu a expressão “bilôra” (que é o mesmo que passar mal). Acho que a palavra e o sotaque que eu coloco nos desenhos tem disso, de misturar uma tradição com uma individualidade e com coisas do mundo”.

      Todos os seus trabalhos têm uma característica de humor e também uma paleta de cores muito vibrante. Segundo ele, é assim que vê Maceió. “Maceió é uma cidade muito violenta e muitas vezes é difícil de morar aqui mas, ao mesmo tempo, ela é muito vibrante, tem a natureza, o sol e isso traz uma coisa doida. São paralelos, né? Viver em Maceió é viver em um paralelo constante e acho que isso influencia muito no meu trabalho, independente de onde eu estiver”.

      A nossa conversa foi durante a vinda de Herbie pro lançamento de Forró Pipoco (ó mais sotaque aí), coleção de São João de uma grande marca de decoração, assinada por ele e por outro alagoano, o arquiteto Rodrigo Ambrósio. Nesse dia, minha metade alagoana se encheu de orgulho por ver dois talentos do design daqui sendo devidamente reconhecidos. Pra Herbie, em Alagoas, as pessoas não se deixam abater pela falta, elas criam com a falta. “Eu vejo que o design em Alagoas é uma coisa tão genuína e quase ingênua também. Tipo, se você pensar na Ilha do Ferro como design, eles têm uma pureza e uma ingenuidade inédita e as pessoas são interessadas, coisa que deixa a gente feliz. Eu gosto muito, tenho orgulho e acho que o design aqui tem um olhar muito próprio. Tem uma coisa diferente, tem muito de raiz e eu sinto que vibra de uma forma diferente também. E a falta de recurso cria uma coisa especial nesse design que faz ele acontecer e, principalmente, que tem feito ele dar certo”.

      Que bom, né? A gente sempre torce pra que nossas raízes e talentos brilhem muito por todos os cantos desse Brasilzão! 

      (Agradecimentos mais que especiais ao super Duda Bertho que, mais uma vez, colaborou pra que tivéssemos fotos lindas por aqui)

      22.06.17
    • natália matos e seu sol

      Natália Matos é voz doce que ecoa na cena musical local e nacional. Pra mim, é ainda mais impactante ouví-la porque somos amigas de infância. Lembro de ter sido platéia única de algumas das suas aulas de canto na varanda. A varanda virou um palco, e a plateia e o sonho cresceram. Lindo de ver!

      Natália é formada em arquitetura, morou alguns anos em SP e, durante a montagem de uma exposição da Elis Regina do escritório em que trabalhava, percebeu que queria mesmo era viver do que a transcendia: a música e os palcos. Cortou o cabelo curtinho e decidiu investir na sua carreira. Voltou pra cidade natal, Belém, pra reencontrar suas raízes e construir sua identidade musical e aqui ficou.

      Lançou seu primeiro disco com o apoio da Natura musical, fez parceria com Zeca Baleiro, cantou composições de Dona Onette, Almirzinho, Felipe Cordeiro, entre outros grandes artistas locais. De lá até aqui, passou pelo casulo criativo de auto-observação e construção e retorna aos palcos madura, em um CD totalmente autoral. Na sala da minha casa, conversamos sobre o processo de criação desse álbum. Natália disse que tá em uma fase otimista e positiva, e não à toa, o nome do seu novo single é “Sol”. 

      “Sol” foi gravado pela Marahú filmes, em construções históricas de Belém. Natália esteve mergulhada integralmente no desenvolvimento, inclusive até desenhou o próprio figurino. Ah! E eu colaborei viu? Desenvolvi as joias que ela usou no clipe, olha só! 
       

      Entre um café e outro, devaneamos horas e foi inevitável que acabássemos falando de amor, palavra que está bem presente no novo CD. Curiosamente percebemos que estamos vivendo uma fase em comum, ressignificando o amor, seu peso e seu valor. A gente tende a ver o amor como "sim", como "renúncia", que “tudo suporta" – será? Aceitar e enxergar o amor onde o outro quer dar, nas pequenas coisas, e não exatamente onde a gente quer receber. Equilíbrio brando e honesto de se doar até onde dá, sem forçar e nem doer – amor tem que fazer bem!
       

      O lançamento do clipe aconteceu na charmosa Casa do Fauno, eu fui assistir e me arrepiei em vários momentos do show. Em especial, em duas músicas que foram cantadas e desenvolvidas com parcerias femininas: “A Cura”, com Ana Clara, e “Nós”, com Malu Gadelha, quem tem apenas 17 anos. O futuro parece ser mesmo das mulheres, viu? Por aqui, já tá sendo!

      No outro dia, de manhã cedinho, acordei cantarolando “Eu vi você dormir, eu vi o amor deitar, será que quando acordar, ainda caberá?". Deu uma vontade danada de ter um dia bom. A energia de otimismo que Natália vive, eu consegui sentir. Corri pro Spotfiy pra ouvir enquanto tomava café, e lembrei: ops, ainda vai ser lançado! 

      Pra finalizar e lançar o álbum novo, com produção musical de Léo Chermont (Banda Strobo) e direção artística de Carlos Eduardo Miranda, Natália Matos lançou uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Partio. O CD tá sendo vendido antecipadamente, e ainda tem várias outras recompensas legais. Sempre bom retribuir e se sentir parte da construção da carreira e dos sonhos dos artistas que a gente admira, né? Nesse período de abandono político pra cultura paraense, um coro lindo de pessoas faz acontecer a vibração de arte da cidade, que não para! Vamos contribuir!? 

      * P.S.: O single “Sol” entrou em destaque de visualizações no Deezer, junto com grandes artistas nacionais. Já deu pra ver que essa garota não tá pra brincadeira, né?

      21.06.17
    • se tu quer, vai lá e faz!

      Uma vez me disseram que Floripa é uma cidade onde ou você fica e faz acontecer, ou você vai embora e acontece. Por aqui, a indústria criativa não tá tão consolidada como no Rio ou em São Paulo, e é difícil conseguir apoio e engajar a comunidade. Vemos grandes festivais de arte, de cinema e de música nos estados vizinhos, mas poucos deles visitam as terras manezinhas. Mesmo assim, não desanimamos.

      Uma prova disso é o Parque Gráfico, uma feira de artes impressas independentes que aconteceu nos dias 19, 20 e 21 de maio. Apesar de já existirem outros eventos similares na cidade, como no caso da Feira Flamboiã e da Projeto Armazém, até pouco tempo não existia uma feira de maior porte, que acolhesse artistas com uma linguagem mais popular

      A Parque Gráfico nasceu da vontade da Camila Petersen (26) e do Thiago Vieira (28) de incluir Florianópolis no mapa brasileiro das feiras de publicações independentes. Além de destacar o trabalho de artistas locais, o evento também convida artistas de outras cidades pra compartilhar conhecimento – tanto que o Parque Gráfico também oferece oficinas, que extrapolam o espaço expositivo e favorecem a troca de ideias.

      "Muita gente vem aqui com vontade de fazer uma publicação, mas não sabe nem por onde começar. Então, elas fazem as oficinas e já saem com alguma ideia, produzindo. Isso ajuda a fomentar a produção local”, explica Camila. 

      Esta foi a segunda edição da feira. Dos 60 expositores, apenas 15 eram repetentes. "O foco da segunda edição são novos artistas ou artistas convidados, que estão começando a se arriscar nesse universo das artes independentes, que nunca expuseram em eventos assim ou muito pouco, ou que só expuseram em eventos pequenos. Ou seja: gente que precisa de um empurrãozinho". 

      Mas por que dar abertura pra artistas que “ninguém conhece”?

      A Parque Gráfico encoraja a diversidade de temas. Aqui não há filtros de editora, nem de mercado. Durante a seleção, o trabalho é avaliado pelo seu conteúdo. Eu mesma participei desta edição como expositora, com o projeto Lunares, no estande do Bendita, um coletivo feminino de arte. Na mesma ao lado, o designer gráfico Pedro Brucznitski (25), e a Julia Brustolin (26), fundadora da Brustozines, apresentavam zines, desenhos e adesivos com temáticas sobre o universo LGBT. Na mesma fileira, a Brunca Grannuci (32), autora de colagens políticas e lisérgicas, também expôs seu trabalho numa feira grande como esta pela primeira vez. 

      Pra Ju e pro Pedro, foi uma oportunidade de falar sobre temas que ninguém quer (ou tem coragem de) falar: desde sexo virtual à reprodução de homofobia e machismo dentro da própria comunidade gay, assim como a representatividade lésbica. Já a Bruna descobriu nas colagens uma forma de manter-se criativa em paralelo à maternidade.

      A primeira edição da Parque Gráfico foi em maio de 2016 e foi viabilizada pelo Edital Elizabete Anderle, criado pelo governo catarinense pra fomentar iniciativas culturais locais. Porém, pra segunda edição, a Parque Gráfico teve que contar com recursos próprios e com o apoio de outras pessoas que acreditam na proposta e no potencial do evento – lembra que eu comentei, no começo do texto, que aqui em Floripa ou você vai ou você racha?

      “Em 2016, o edital Elizabete Anderle não abriu. Aí, eu comecei a ir atrás de patrocínio privado, mas não consegui apoio.. Quando eu me deparei com essas dificuldades, eu lembrei que muitas das iniciativas culturais que começam aqui em Floripa, depois de um tempo, morrem ou deixam de ter periodicidade. Parece que não é tão sério assim. Então, vejo isso como um investimento."

      Será que teremos mais edições da Parque Gráfico nos próximos anos? Espero que sim! E espero que a comunidade e os novos artistas frequentem cada vez mais estes espaços.Quanto mais pessoas participarem, maior será o apoio – e quanto maior o apoio, mais produções autorais nós teremos. Assim, quem sabe, Floripa será reconhecida, também, pelo seu potencial criativo.

      (Obrigada, Evelyn Vereen, pela parceria de sempre e pelas fotos deste post! )

      14.06.17
    • elas querem criar!

      Se você fabrica coisas com as próprias mãos, provavelmente já ouviu falar do Movimento Maker, que tem como base a cultura do "Faça você mesmo". Aos poucos, iniciativas inspiradas neste modelo estão tomando conta das salas de aula, empresas, espaços de coworking e até mesmo das nossas casas!

      E quem pensa que, pra ser maker precisa manjar de programação e eletrônica, tá muitíssimo enganado: o Movimento Maker abraça a tecnologia, mas também métodos tradicionais de produção, lá do tempo da vovózinha! Pesquisando na internet, encontramos muitos vídeos, tutoriais e passo a passos explicando como fabricar (quase) todo o tipo de coisa. O exercício criativo é bastante válido, mas muita gente quer dar um passo adiante, transformando suas ideias numa marca, num modelo de negócios.

      Estive em Curitiba em abril e aproveitei a viagem para trocar uma ideia com o BDNT(você viu?) e com a Laís Graf, criadora da Make Mag, um portal de conteúdo pra mulheres makers. Vem ler!  

      “Eu trabalhei na Endeavor e o meu interesse pelo empreendedorismo começou lá, quando ainda estava na faculdade (de jornalismo). Na mesma época, comecei a me interessar por produção de conteúdo. Eu queria muito abrir um negócio, mas sabe quando você tem uma dúvida e não sabe nem por onde começar a pesquisar? Eu percebi que esse mesmo problema era comum entre outras pessoas que tinham essa mesma vontade, pessoas sem formação em administração e coisas do gênero”. 

      Até que o livro Girl Boss caiu nas mãos da Laís: “a partir dele, comecei a pesquisar mais sobre empreendedorismo e encontrei muito material explicando como abrir o próprio negócio. Mas não um negócio gigante, um negócio pequeno, como um estúdio de conteúdo, um ateliê, um café…"

      O noivo da Laís tem uma startup e, recentemente, ele passou num processo de aceleração em São Francisco, nos EUA. Ela foi para a meca do empreendedorismo com ele e, durante 5 meses, aproveitou a oportunidade para fazer cursos e frequentar eventos.  A Make Mag começou a dar seus primeiros passos quando a Laís voltou pro Brasil, no início de 2016, e demorou uns 6 meses até que o site ficasse pronto. 

      No comecinho desse ano rolou mais uma viagem pros States, onde Laís participou de 2 eventos sobre empreendedorismo feminino: o Girl Boss Rally e o Create and Cultivate. “Eu nunca tinha ido num evento com tanta mulher num mesmo lugar, e nunca senti uma energia tão sensacional. Era um clima de todo mundo querendo se ajudar. Conversei com mulheres do Congo, do Panamá, da Costa Rica, do Canadá e não fiquei sozinha um minuto, porque todo mundo queria conversar e trocar ideia. Sororidade mesmo, sabe? Foi muito emocionante!”
       

      E se você pensa que só na gringa acontecem coisas boas, está enganadíssimx! Eu perguntei pra Laís que iniciativas locais ela indicaria pra gente – dá só uma olhada nessa lista: 

      – Botanique – nasceu da junção do Borealis, uma loja de plantas, com o Negrita Café Bar, ou seja, é um café, um bar e uma loja de plantas lindas! Tudo junto e misturado. 
      – Curitiba Cool – um projeto criado pela Mari Smolka, que divulga fotos da cidade pelo olhar das próprias pessoas que vivem nela.
      – Noiga – uma marca independente de acessórios impressos em 3D. Quem disse que essa tecnologia é só pra fazer protótipo, hun?
      – Novo Louvre – um escritório de design de moda e que, recentemente, abriu espaço para outros designers dividirem o ateliê, tendo acesso, ainda, a uma rede de colaboradores modelistas e pilotistas. 
      – Aldeia – mais do que um coworking, eles são uma rede de pessoas e empresas que querem ganhar o mundo (aliás, eles também tem uma pegada bem maker!).

      Durante a nossa conversa, eu e a Laís reparamos numa nova tendência que tá começando em Curitiba e em outras cidades do Brasil: “negócios casados”, a soma de duas ideias diferentes, porém, complementares. Ideias que unem forças e oferecem novas experiências pras pessoas – fica a dica, hein? A Laís deu mais um conselho: “Imagine uma persona. O que ela gosta? Disso, disso e daquilo. Como juntar tudo o que essa pessoa gosta num único espaço? Como fazer com que este espaço se torne a segunda casa dela?”

      Além da Make Mag, a Laís tem outros 2 projetos que serão colocados em prática ainda esse ano: o primeiro é um evento em Curitiba, sobre comunicação e marketing, só com palestrantes mulheres. A ideia surgiu quando ela percebeu que, em muitos eventos desse tipo, a maioria dos palestrantes são homens – sendo que uma mulherada trabalha com isso! O segundo projeto, por sua vez, é um livro contando a história de mulheres makers no Brasil, que são muitas, muitas mesmo (e nós queremos que sejam cada vez mais!).

      Depois de conversar com a Jade Quoi do BDNT e com a Laís, voltei para Floripa inspirada, com vontade de colocar a mão na massa e materializar projetos que estão escondidinhos na minha gaveta há algum tempo. É incrível perceber que a natureza criadora da mulher consegue dar vida a todo tipo de ideia que se possa imaginar. Podemos não saber o que nos espera no futuro, mas de uma coisa temos certeza: estamos apenas florescendo

      12.06.17
    • natureza de Brasília

      Brasília é a rainha das cachoeiras escondidas e dos córregos que você nem sabia que existiam! E pra comemorar o Dia do Meio Ambiente, nada melhor do que passar umas horinhas do dia com os pés na água e a cabeça em paz, né? 

      Saindo pelo Lago Norte, a gente tem o Córrego do Urubu, que fica a 14km da Rodoviária. Se você puder andar mais um pouquinho, vale chegar no Poço azul, que fica ali na saída pra Brazilândia. 
       

      Já no caminho da saída pra Unaí, no Lago Sul, tem o Tororó, cachoeira delícia com trinta minutinhos de caminhada no meio da mata.

      E se o dia tiver corrido demais pra um banho de cachu, ainda tem o Lago Paranoá, que é uma delícia nessa época do ano, e o conjunto de piscinas naturais do Parque da Água Mineral, onde a entrada custa R$13! 

      Num dia tão importante de conexão com a Terra, você não tem desculpa pra não dar um pulinho na natureza aqui da capital do país! 

      10.06.17
    • natureza de Maceió

      Lagoas, mar com todos os tons de azul que você possa imaginar, água quentinha o ano todo (há quem goste e quem não goste) e, nas piscinas naturais, você ainda pode nadar com os peixinhos depois de andar de jangada numa das praias urbanas mais lindas de todas, a Pajuçara. Isso é Maceió!

      E, em um bairro super antigo e fora da rota dos turistas, o Bebedouro, você ainda encontra o Parque Municipal, uma super reserva de Mata Atlântica com várias trilhas incríveis e bichinhos pelo caminho, como preguiças, tamanduás e raposas. Por lá, de vez em quando acontecem aulas de yoga, relaxamento e bons piqueniques. É um lugar incrível pra relaxar e se desligar um pouquinho de tudo.

      Pra respirar ar puro enquanto sente uma brisinha da praia, um programa delicioso é andar de bike na ciclovia da orla, de Cruz das Almas até o Jaraguá, olhando o mar e (re)conhecendo as paisagens de Maceió. No fim da tarde, a melhor coisa é ver o pôr do sol no bairro do Pontal, enquanto toma um caldinho de sururu ou uma água de coco na beira da lagoa Mundaú. O amarelo vai refletindo na lagoa e se transformando num dourado absurdo de lindo 

      Maceió tem toda essa natureza assim, bem pertinho da gente, e acho que isso é uma das grandes marcas da cidade. A gente vive cercada pelo verde dos coqueiros e das árvores, pelos tons de azul do mar e pelo azulzin do céu (menos no inverno, infelizmente). Não sei vocês, mas só colocar os pés na areia, num fim de tarde, pra mim, já é um grande encontro com a natureza. Das melhores sensações!

      09.06.17
    • natureza de Beagá

      BH é cercada pelas montanhas que são cartão postal de Minas. Com poucos quilômetros de estrada, também encontramos várias cachoeiras lindas pra se banhar e renovar as energias. Mas não é preciso sair da cidade pra ter contato com a natureza. Algumas das nossas ruas (ainda) são bem arborizadas e dá pra curtir um pôr do sol incrível entre um cantinho e outro das avenidas movimentadas, ou do alto das serras que nos lembram porque nossa cidade-jardim faz jus ao nome de Belo Horizonte. 

      Pra quem é do pedal, se arriscar pelas subidas e decidas das nossas ladeiras pode ser uma aventura e exige fôlego. Mas alguns passeios mais curtos, sentindo o vento bater no rosto, são um presente no meio da rotina corrida. E há sempre um ponto no meio do caminho pra admirar o horizonte bonito. 

      Aqui vão algumas dicas: 

      – Há pouco tempo, finalmente liberaram bikes no Parque Municipal, nosso pulmão verdinho no meio do centro meio cinza da cidade. Se quiser esticar um pouco a rota, comece pela Praça da Liberdade, descendo a João Pinheiro pela ciclovia. 

      – Pertinho do Parque, o viaduto do Floresta (meu preferido!) dá acesso à Sapucaí. No fim de tarde, o pôr-do-sol é emoldurados pelos prédios do centro e atravessa cada cantinho, aquecendo o céu com aquele dourado incrível! 

      – Uma vez por ali, a melhor dica é se acomodar em frente aos bares da rua (que servem de ponto de apoio), mas a maior parte das pessoas prefere continuar pela mureta e passar a noite ao ar livre

      Coisa linda, né? 

      08.06.17