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sua mochila está vazia

    • rádio farm turnê – mohandas – belém

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      Como você já leu por aqui, a turnê do mohandas por Buenos Aires, Recife e Paraíba foi só amor… agora eles vêm fechar a série de posts contando mais sobre os shows em Belém. Se liga:

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      “Em Belém do Pará, última parada da turnê, rolou uma situação curiosa: descobrimos que éramos uma banda desconhecida, cuja música,“Saudades do Pará”, no entanto, era conhecidíssima do público, uma espécie de hit oculto nas rádios locais, com refrão conhecido e autoria ignorada. Reza a lenda que até Tom Zé já a havia cantado por lá.

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      Nas entrevistas de rádio que fizemos, conforme íamos conhecendo as pessoas, e principalmente durante os shows, fomos sendo identificados como “a banda de Saudades do Pará” – “ah, então são vocês!” –, o que foi nos inundando daquela sensação incrível de estar chegando em um lugar que já sentia nossa presença. Via de mão-dupla, fomos saudados, acarinhados, e finalmente conhecidos e reconhecidos! Nos últimos dias, um profundo sentimento de gratidão tomou de assalto nossa relação com a cidade.

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      Belém respira uma cultura interessantíssima em que o moderno e o tradicional, o popular e o erudito, o antigo e o novo, constroem um modo único de expressão cultural. Cidade tropical, abastecida e delineada por um dos maiores fluxos fluviais do mundo, se ergue como um porto aberto para o mundo, abraçando a circulação de pessoas, coisas, sons, gostos, costumes.

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      A Belle Époque do ciclo da borracha ainda se faz presente nos traços da belíssima arquitetura colonial, nos casarões de alto pé-direito às praças amplas e arborizadas, na fachada imponente do Theatro da Paz ao gracioso e convidativo Teatro Waldemar Henrique. Ao mesmo tempo, toda a magia e riqueza dos mercados populares encontra em Belém uma espécie de ápice, no formidável Ver-o-peso, no Mercado municipal de São Brás, nas diversas aglomerações de barraquinhas de rua espalhadas pela Cidade Velha.

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      A música paraense há muito deixou de ser periférica pra constituir-se em mais um dos polos centrais na atual produção musical brasileira. O Brasil vem descobrindo tardiamente (mas antes tarde do que nunca!) uma terra de mestres: Pinduca, Vieira, Verequete, Laurentino, Cupijó, Curica, Aldo Sena, Dona Onete, a lista é farta e assombrosa e a raiz é profunda. O tecnobrega e o tecnomelody de artistas como Gaby Amarantos e Gang do Eletro já viraram produtos de exportação.

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      Belém tem uma cena forte de experimentação eletrônica, que misturada aos gêneros populares locais, como carimbó, brega, siriá, guitarrada, lambada e etc, encena novas linguagens e novas maneiras de produzir o novo a partir do repertório de tradições buriladas por décadas. Por sinal, a cidade é roqueira, tem apreço por altos decibéis, frequências sub-graves, programações eletrônicas invadindo a música orgânica, o sabor caribenho do reggae e toda a herança da musicalidade indígena: Belém é um laboratório vivo!

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      Nossa passagem pelo belo casarão onde fica o Café com Arte, foi apenas o esquenta pro que estava por vir. Na noite seguinte, num lugar lindo (Hotel Goldmar, às margens do Rio Guamá) e abarrotado, vibramos com o calor do público que dançou e cantou conosco. Foi um show animado, com som e luz de primeira, coisa fina!

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      Na sequência, subiu ao palco a Orquestra Contemporânea de Olinda, uma power orquestra com repertório autoral e vibrante, de excelentes músicos, realmente um trabalho que promete ainda dar muito caldo na música brasileira. A noite marcava o lançamento do novo disco de Felipe Cordeiro, artista paraense radicado em São Paulo, que fechou com seu repertório caliente e inventivo e não deixou ninguém parado.

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      Pra fechar com chave de ouro a turnê, no domingo tocamos num lugar delicioso, a Galeria Gotazkaen, dentro do Poukaz Trancaz, um evento de livre mostra e troca de artes. Os donos dessa galeria, que fica perto da Praça da República, foram muito amáveis e fizeram da nossa estada em Belém um porto seguro com sua amizade e atenção. Nosso muito obrigado a eles!  A noite não poderia terminar melhor, com o pessoal devorando uns sanduíches de rua, maravilhosos, no Rosário Lanches. O “X-leitão” virou um xodó da galera!

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      Aliás, comida em Belém é um assunto que dá água na boca. Você já experimentou tacacá, tucupi, caldeirada, peixes como Tucunaré e Tambaqui, o açaí com tapioca (que apenas na cor se assemelha ao que temos aqui no Rio), a maniçoba, o arroz paraense? Comer esses pratos é um acontecimento em si, evocam sensações inesquecíveis, fazem você imergir na cultura amazônica e sentir um pouco da magia que a torna única e especial.

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      Ah, claro, não poderia deixar de fazer uma ode à grande estrela do lugar, o Jambú! Uma hortaliça cujas folhas, talos e flores são ingredientes onipresentes na culinária local. O Jambú tem a peculiaridade de deixar a boca dormente, por isso tem ficado famosa uma cachaça artesanal inventada por lá, vendida e patenteada pelo Léo, uma figura super simpática que faz jus à sua invenção. Você precisa conhecer o Jambú!

      https://www.youtube.com/watch?v=guatwYq6678

      Trema daí que eu tremo de cá, tudo em nós é o gosto e as saudades do Pará! Avante mohandas!”

      Agora aproveita que a playlist deles na nossa rádio tá atualizadíssima!

      26.05.14