• Tire suas dúvidas sobre pedidos, trocas e devoluções.
    Atendimento nos dias úteis das 9h as 18h.
  • Receba dicas de estilo, via Whatsapp, para realizar uma compra personalizada!

sua mochila está vazia

    • Você sabe o que é plantar a lua?

      Natureza Feminina é sobre (re)conexão com o que há de natural, essencial e intuitivo de dentro da gente e também da própria natureza criadora ao nosso redor. A Gio Simões, do Sotaques FARM, compartilha com a gente sobre um tema muito especial – plantar e lua. Se você já sabe o que é, vem se inspirar ainda mais e se você não sabe, que tal abraçar essa ideia?

      Gio, conta pra gente, o que é plantar a lua?

      Há pouco menos de um ano eu comecei a plantar minha lua. Finalmente adaptada ao coletor menstrual, demorou um pouco até que eu conseguisse retirar o copinho sem derramar o conteúdo no chuveiro. Quando consegui pela primeira vez, uma fascinação incomum tomou conta de mim. A cor, a textura e o cheiro… pensei: não me lembravam em nada aquilo que me acostumei a ver nos absorventes descartáveis! Essa sensação de novidade foi, no entanto, se transformando em melancolia à medida que, limpando meu coletor, percebi meu sangue escorrendo pelo ralo. Imediatamente senti como se tivesse jogando fora algo sagrado. E esse sentimento me soou como um chamado da mãe terra.

      No dia seguinte resolvi fazer diferente: eu coletei o sangue do copinho e o coloquei num pequeno pote de vidro com um pouco de água. Fiz isso até o final do ciclo. Levada pela intuição de que aquele sangue deveria ser devolvido à terra, despejei o pote na raiz de uma árvore que fica em frente ao meu quarto. Aquele ritual mexeu comigo de uma forma mágica e profunda, me fazendo sentir, mais do que nunca, conectada com a natureza, com a fonte criadora, e sobretudo, comigo mesma. A sensação que tive, de pronto, era como se já fizesse isso há anos.

      Conversando com algumas amigas e pesquisando estas questões, descobri, no entanto, que essa sensação não era gratuita: soube que estava resgatando um saber ancestral, que milhares de mulheres têm feito o mesmo, e que inclusive existe uma antiga profecia afirmando que no dia em que todas as mulheres devolverem seu sangue sagrado para a terra, as guerras chegarão ao fim. Seguindo minhas pesquisas sobre o tema, descobri também que o sangue é um excelente biofertilizante para a terra, e as plantinhas ficam muito felizes e respondem muito bem a este gesto de amor.

      Plantar a lua é um ato revolucionário de amor-próprio e cura e ressignificou completamente a minha relação com meu sangue menstrual e meu corpo. Foi como recuperar o meu poder e minha força intuitiva e me deu um senso de auto responsabilidade muito grande. Também a partir deste processo pude testemunhar a sincronização da minha menstruação: há 4 anos deixei de tomar anticoncepcional e meu ciclo andava completamente desregulado. Há 8 meses que menstruo durante a lua cheia. Isso fez com que tomasse consciência do quanto o tempo para nós mulheres é cíclico e como passamos por um processo de vida-morte-vida a cada ciclo, assim como a Lua.

      Todas essas experiências também mudaram a minha forma de lidar com os fenômenos que tomam o corpo durante os ciclos menstruais. Passei a entender e respeitar as dores do ciclo, a ouvir meu corpo, e a deixar de renegar e de me assustar com minha TPM. Hoje, ela é mais do que bem-vinda: é quando eu entro em contato com o meu mundo subterrâneo, e consequentemente com todas as minhas sombras. Passei a enxergar este processo como uma grande oportunidade de crescimento. Eu silencio, me recolho e me acolho. E quando meu sangue finalmente desce, me sinto grata por mais um ciclo e pela chance de transmutar tudo aquilo que veio à tona durante a TPM. Esse é o melhor momento para fazer uma pausa e avaliar o que eu quero no novo ciclo, e também de olhar para trás e me perguntar o que eu não quero mais que me acompanhe. Desta forma a gente vai aprendendo a lidar com as situações de forma mais consciente.

      Bem, e como plantar sua Lua?

      O Ritual é bem simples, só não dá para fazer se você ainda utiliza absorventes descartáveis de plástico. Inclusive, esta é uma das várias razões que fazem do ritual um ato revolucionário, meninas. Não só jogamos nossa energia vital no lixo que se dissipa e enfraquece, como precisamos pensar que cerca de 3 milhões de absorventes são descartados diariamente. A gente já produz tanto lixo, por que não aproveitar e deixar de produzir esta parcela? A Mãe Terra agradece e seu corpo também, até porque estes absorventes descartáveis contêm inúmeros componentes químicos que fazem muito mal à saúde da mulher.

      Mas vamos lá, voltando ao ritual…

      Para as que usam coletor menstrual – como eu, apesar de que acabo de comprar os absorventes de pano e devo migrar a partir do próximo ciclo – basta transferir o sangue do coletor para um recipiente de vidro, metal ou cerâmica (que você vai utilizar especialmente para isso) e diluir com água, que acaba entrando como elemento protetor.
      Se você utiliza os absorventes de pano ou toalhinhas, basta deixa-lo de molho na água sem adicionar nenhum produto químico e depois despejar sobre a terra. Só depois disso que você poderá lavar normalmente seu absorvente com um sabão neutro.

      Caso deseje guardar o sangue por alguns dias para coletar o ciclo inteiro, você pode pingar algumas gotinhas de óleo essencial de Tea Tree para ajudar a conservar.

      Algumas coisas são importantes ter em mente, sua intenção é o que irá determinar a potência deste momento. Traga sentimentos como amor e gratidão para seu ritual. Se você intencionar cura, terá cura de uma forma que a medicina não é capaz de explicar. Outra coisa importante: escolha um lugar especial e plantas que também sejam especiais para você, que tenham significado para o seu feminino, como Artemísia, Camomila, Mirra, Lavanda, ou simplesmente alguma outra com a qual você se conecte. Eu planto a minha lua nesta Acácia que fica em frente ao meu quarto, e só depois de algum tempo descobri que era uma árvore sagrada e símbolo do sangue menstrual. Quando me dei conta que eu estava ritualizando com uma árvore de energia feminina poderosíssima –  plantada, podada e cuidada pelo meu pai e que incrivelmente tomou a forma de um útero -, tudo isso tornou este ritual ainda mais significativo para mim. Entendi também que não só estou fortalecendo minha essência como mulher e resgatando minha ancestralidade, como também curando todas as minhas relações com outras mulheres e com o masculino.

      Outro ponto importante:

      TODA mulher é sagrada, cíclica e poderosa, agora e sempre, independente de ainda menstruar ou não, seja qual for o motivo – mesmo que tenha precisado retirar o útero, ovário, trompa, ou nascido sem. Saibam que em seu corpo energético existem todos esses órgãos, com suas memórias, informações e principalmente poder. Tudo isso pode ser acessado através de uma conexão com o seu chakra sexual, e ao invés de plantar sua lua com o sangue da menstruação, você pode fazê-lo com algo que simboliza o sangue – pode ser vinho, um suco escuro, ou fazendo uma oferenda à Mãe Terra: faça isso à cada Lua Nova.

      No dia 5 de agosto será o Dia Mundial do Plante a sua Lua, um chamado visionado por Morena Cardoso, criadora da DanzaMedicina, que tem como objetivo disseminar este saber ancestral e reforçar a idéia de que nosso sangue menstrual, assim como nosso Ser Mulher, não deve e não pode ser motivo de vergonha, ou repulsa, mas sim de orgulho, gratidão e poder de magia! Vamos todas?

      03.08.18