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    • Escrita potente e feminina: 7 autoras da Flip pra ler e reler

      Semana passada rolou mais uma edição, da sempre esperada Flip – Festa Literária de Paraty que oferece pra todo mundo uma experiência única imersa no universo tão rico da literatura. E quer saber o que é mais bacana? A voz e escrita feminina deram o tom! Por isso, a gente convidou a jornalista Natalia Albertoni, da produtora Conspiração, que abriga o hub criativo de mulheres Hysteria, pra dar vida a um conteúdo mais do que especial: autoras mulheres que foram destaque no evento que você precisa conhecer – e ler muito!

      Conta pra gente, Nat 🙂

      A Flip 2018 foi mais feminina. Assim como no ano passado. Dos 33 autores escalados para as 18 mesas da agenda principal 17 foram mulheres e 16 homens. A escolha naturalmente refletiu no público e até nas vendas. Tanto que sete dos dez livros mais vendidos na livraria oficial do evento, a fofa Livraria da Travessa, são escritos por mulheres. Três são da homenageada do ano, Hilda HilstMemória, Noviciado e Paixão (Companhia das Letras), De Amor Tenho Vivido (Companhia das Letras) e Pornô Chic (Casa Europa) -, e dois de Djamila Ribeiro, O que É Lugar de Fala? (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Companhia das Letras).

      As mulheres também foram destaque na programação paralela, que cresceu muito. Mais de 20 casas parceiras ofereceram debates e saraus, entre elas a Casa Hilda Hilst. Novidade no evento, a casa foi o primeiro espaço exclusivo dedicado inteiramente ao autor homenageado – autora neste ano, no caso. Criação do Instituto Hilda Hilst (IHH) e da Hysteria, hub de criação de mulheres dentro da Conspiração, o endereço formou fila todos os dias, além de atrair nomes como Tainá Muller, Nanda Costa, Alessandra Negrini e Julia Lemmertz.

      A Casa Insubmissa de Mulheres Negras também chamou a atenção. O espaço de vivência entre escritoras, artistas, pesquisadoras e autoras negras, reuniu atividades culturais, mesas e lançamentos com o intuito de ampliar a rede de diálogos e incentivar a leitura e a produção das mulheres negras.

      Passada uma semana do evento restam as saudades de respirar literatura. Então, segue uma lista de sete mulheres que estiveram em evidência em Paraty, nesse que é um dos maiores eventos literários do país, para você conhecer.

      Hilda Hilst
      Aos 35 anos, Hilda Hilst (1930-2004) foi morar numa chácara em Campinas, a Casa do Sol, para se dedicar à literatura, já que sua vida boêmia como frequentadora da alta sociedade paulistana a tirava do foco com frequência. E essa é apenas uma das curiosidades em torno dessa figura emblemática que deixava gravadores ligados para registrar a voz dos espíritos e viveu cercada de de amantes – e cachorros. Homenageada da 16ª edição, ela fez poesia, prosa e teatro em torno de temas como o amor, a morte, Deus e a finitude, temas tão atuais que talvez justifiquem o renovado interesse por sua obra. Não dá para não ler. Nem que seja para não gostar. Um bom início é “Da Poesia” (Companhia das Letras), que reúne toda a sua produção poética, além de textos inéditos.

      Djamila Ribeiro
      Djamila é pesquisadora na área de Filosofia Política da Unifesp e autora de O que É Lugar de Fala? (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, o segundo e terceiro livros mais vendidos na livraria oficial da Flip. Considerada uma das vozes mais ativas do feminismo negro brasileiro, em seus textos ela estimula a leitura da produção de outras mulheres negras, caso de Patricia Hill Collins, Grada Kilomba e Sueli Carneiro. Na Flip, participou da concorrida mesa Amada Vida com a argentina Selva Almada.

      Selva Almada
      Aplaudida muitas vezes no encontro com Djamila, a escritora argentina é um dos nomes mais fortes da nova literatura de seu país. A violência contra a mulher e a conclusão de que é no abuso cotidiano que se sustenta o assassinato foram pontos centrais de sua fala. Para conhecer um pouco do seu texto, experimente O vento que Arrasa (Cosac Naify) e Garotas Mortas (Todavia), que trata da história de três casos reais de feminicídio na Argentina da década de 1980. Trash!

      Liudmila Petruchevskaia
      A escritora russa que teve obra banida da União Soviética até o final dos anos 1990 fez uma mesa-espetáculo na Flip. Sim, ela até cantou, num estilo meio karaokê, versões de clássicos como “Only You”. Mas de volta à literatura, Liudmila, que fez todo mundo rir no último sábado, é conhecida por suas histórias sobrenaturais que retomam a tradição dos contos folclóricos, com humor e uma carga política. É dela Era Uma Vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha: Histórias e Contos de Fadas Assustadores (Companhia das Letras). Para quem já escolheu um livro pelo título, já fica a provocação.

      Júlia de Carvalho Hansen
      A astrologia é ganha-pão, inspiração e parte do processo criativo da poeta, astróloga e editora. Autora de cantos de estima (Douda Correria), O túnel e o Acordeom (Não Edições), alforria blues ou Poemas do Destino do Mar (Chão de Feira) e Seiva Veneno ou Fruto (Chão de Feira), ela sentiu maior receptividade com o seu texto primeiramente em Portugal. Foi ao morar por lá que ela, inclusive, (re)conheceu a língua mãe e passou a reinventar a sua escrita. Júlia é dessas figuras fantásticas, que encontra a si mesma no texto, toma ayahuasca, estuda i-Ching e a filosofia do tantra, e retorna tudo em poesia. <3

      Laura Erber
      Para Laura, estamos sempre nos tornando poetas. Alento até para os capricornianos mais práticos. Escritora, artista visual e editora, ela também é professora do Departamento de Teoria do Teatro e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UNIRIO. São dela: Os corpos e os Dias (Editora de Cultura) e A Retornada (Relicário), Esquilos de Pavlov (Alfaguara) e os infantis Nadinha de Nada (Companhia das Letrinhas) e O Incrível Álbum da Pulga Picolina (Peirópolis) – este em parceria com Maria Cristaldi.

      Isabella Figueiredo
      Filha de portugueses que retornaram para Lisboa depois da independência de Moçambique, Isabella estudou línguas e literaturas lusófonas, sociologia das religiões e questões de gênero. O seu Caderno de Memórias Coloniais (Todavia) se tornou obra central no debate sobre racismo e o passado colonial português. Na Flip, a autora participou de um encontro forte, no qual contou nunca ter conseguido enfrentar o racismo e a violência com que seu pai, colono, tratava os negros. E sobre a experiência de pôde denunciar o preconceito depois da morte dele. É dela também o recente e comendato A Gorda (Todavia).

      Uma lista e tanto! Aproveita o fds pra colocar a leitura em dia e garantir as obras dessas autoras, mulheres criativas, que prometem fazer ainda mais sucesso pelo mundo afora 🙂

      03.08.18