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sua mochila está vazia

      categoria: mulheres

    • Conselho de mãe é tudo!

      No próximo domingo a gente comemora o dia das mães! Sabemos que todos os dias deveriam ser delas, que durante todo o ano são tão invisibilizadas.

      A verdade é que nossas mães são um grande baú de conselhos. Pode vir da experiência de vida que elas carregam, do cuidado que elas tem com os filhos, ou sabe-se lá de onde. Colo de mãe sempre vem acompanhado de algo bom, que na hora a gente pode até não ligar, mas faz todo sentido.

      A gente perguntou pra galera daqui do escritório qual o conselho mais inesquecível que elas ouviram, e as respostas foram ótimas. De conselhos “tradicionais” aos mais diferentes, vem ver os conselhos das mães daqui!

      A mãe da Marina, do marketing, tá sempre preocupada em mantê-la hidratada!
      Pelo visto, a Graziela, da comunicação, curtia mesmo andar descalça.
      A mãe da Duda, do estilo arte, tava sempre ali pra garantir um pensamento positivo!
      A Livia, estagiária de marketing, aprendeu com a mãe a entender o que vem dos outros.
      A mãe da Anna, designer, injetou coragem na filha!
      A Isabella, do marketing, aprendeu com a mãe a acumular conhecimento, poupar dinheiro e muito +!
      A mãe da Maria, do marketing, mostrou que as verdadeiras amizades são raras!
      A Ju aprendeu com a mãe que ser independente é o melhor caminho.
      A Bia, do estilo arte, foi ensinada pela mãe a fazer sempre o bem pra que a vida seja boa.

      São muitos os conselhos e ensinamentos ao longo da vida. A gente só agradece, né? Feliz dia das mães!

      10.05.19
    • Dia da Mulher



      Neste dia da mulher, homenageamos mulheres que tem nos apoiado na bonita jornada em direção a uma conexão cada vez mais profunda com a natureza. A nossa e a do mundo!

      Chiara Gadaleta

      Chiara Gadaleta foi a mulher inspiradora que escolhemos pra nos ajudar a entender a pegada ambiental da @adorofarm. Especialista em moda sustentável e grande comunicadora de hábitos e ideias mais sustentáveis, foi ela quem nos incentivou a transformar a linha RE-FARM em nossa plataforma de sustentabilidade, deixando RE-FARM ainda mais potente. Repensar, reduzir, reutilizar, reciclar para transformar!

      Bia e Romina

      Bia Saldanha e Romina Lindemann são as mulheres maravilhosas por trás da nossa parceria com as mulheres yawanawa. Podemos dizer que graças à amizade em comum delas com o povo yawanawa e com a gente, conseguimos realizar este sonho tão lindo de apoiar e valorizar a arte dos nossos povos ancestrais. é lindo ter elas pertinho!

      Marcia Hirota

      Marcia Hirota é a força feminina que nos conectou à Fundação SOS Mata Atl, parceira do qual nos enchemos de orgulho e que vem nos ensinando a cuidar desta nossa floresta tão linda e especial. A Mata Atlântica abriga mais de 70% da população brasileira e sete das nove maiores bacias hidrográficas do país. O fato triste é que hoje restam apenas 12,4% da floresta original. No entanto, Marcinha nos ensina a ser otimistas vislumbrando o desmatamento ilegal zero e a regeneração da floresta através da ação humana. Vamos juntos com ela abraçar a Mata Atlântica?

      Mariazinha Yawanawa

      Mariazinha Yawanawa é a primeira mulher a liderar seu povo. foi ela também que nos ensinou que o espírito de liderança feminino, cuidador e integrador por natureza, é o que a leva e pode também nos levar a criar pequenas revoluções capazes de transformar nossas famílias, nossa comunidade e o mundo a nossa volta. ihuuuuuuu, mulher querida, amada e admirada que tanto nos ensina a viver em harmonia com a energia suprema da vida!

      Bebel, Carol e Van

      No ano passado tivemos a honra de contar com o apoio, inspiração e paixão de três mulheres muito especiais na nossa coleção natureza feminina. Com Bebel Clark aprendemos a valorizar o nosso feminino mais íntimo. Nossos corpos, nossos ventres, nossa força criadora. Bebel nos ensinou a olharmos umas para as outras com amor, empatia e sororidade. Este olhar generoso e cuidadoso transbordou a FARM e esperamos ter chegado até você. Junto com ela, estava Carol Bergier, que nos trouxe a importância de reconhecermos a potência que existe em cada uma de nós. Nosso propósito e nossa vocação, que vira esta força criativa coletiva que tem muito orgulho de ser brasileira, e a Vanessa Moutinho, que nos estimula a honrar nossas ancestralidades, a reconhecer nossos privilégios e a abrir nossos braços, mentes e corações pra todas as cores, corpos, jeitos e sabores que a nossa natureza tem. juntas, esta trinca nos despertou o olhar de admiração para cada uma de nós mulheres!
      Honramos com esta homenagem todas as mulheres e homens que elas nos ajudaram a reunir e que fizeram tanta diferença em nosso trabalho de conexão e reconexão com nossas diversas naturezas femininas: Malu Lobo, Karina Miotto, Surian dos Santos, Alline Cipriano, Fernanda Sol, Vanessa Cruz, Adriana Ocelot, Nat Muguet, Bel Saíde, Maína mello, Gil Santanna, Nath lima verde, Renata Diehl e Nath Tupinambá. ❤

      Luana Genot

      Luana Genot é a incrível fundadora e diretora executiva do ID_BR- Instituto Identidades do Brasil, que este ano, começa oficialmente um trabalho lindo e profundo de promoção da igualdade racial dentro da FARM. Hoje, homenageamos ela, assim como todas as mulheres que fazem parte do time ID_BR e todas as mulheres negras que vem nos ensinando a compreender as diferenças, respeitar e admirar cada vez mais a natureza rica, resistente e forte que nos cerca.

      Gabi Loran

      Pra que ser uma só se você pode ser várias? A Gabriela Loran é mulher trans, atriz, poetisa, dj e muito mais! Ela foi a primeira atriz trans de Malhação, após quase 25 temporadas da novela adolescente. aqui na FARM, já foi modelo e fez um texto incrível aqui no adoro pro dia da visibilidade trans. Gabi também faz parte do nosso comitê da diversidade, inclusão pra que tenhamos cada vez mais inclusão LGBTQ+

      Julia Yawanawa

      Julia Yawanawa foi a primeira mulher de seu povo a aprender a falar português e também a primeira professora da língua na sua aldeia. com julia aprendemos a potência do diálogo entre povos diferentes, o respeito às diferenças, a admiração aos diversos saberes e a mistura boa que isso traz. com julia também aprendemos sobre a força transformadora das redes de mulheres e tudo que mulheres unidas são capazes de gestar, gerir e gerar!

      Fernanda Satty

      Fernanda Satty é ginecologista e uma das potentes mulheres por trás da rede Equipe Parto Ecológico, que apoia as nossas mulheres e muitas outras em seus processos de autoconhecimento e renascimento enquanto mães. A Fê e a equipe do parto estão conosco em reuniões periódicas para promover o conhecimento da maternidade não idealizada, os tabus que envolvem a sexualidade feminina e também a saúde da mulher. É lindo e é essencial!

      Marina Reia

      A Marina Reia é uma paulistana, nascida e criada na maior cidade da América Latina que largou tudo para trabalhar com extensão rural na Amazônia. Curiosa, carinhosa e determinada, viu na Amazônia a oportunidade de estar mais próxima das pessoas para as quais o equilíbrio entre o ambiental, social e econômico é uma questão de sobrevivência. E ali nesse ambiente, contribui para que sigamos por formato de desenvolvimento de fato sustentável.

      Bernadette Silva

      Amante da natureza, produtora rural por opção e empreendedora por instinto, Dona Bernadette Silva migrou para Apuí atrás de espaço de terra para produzir. A sua curiosidade, vontade de aprender e amor à natureza fizeram com que encontrasse no IDESAM o parceiro perfeito para atingir seus objetivos e aumentar a floresta a sua volta! Trabalha na terra com tanto carinho e fé que influenciou seu filho a seguir pelo mesmo caminho. Não tem dúvidas de que está no lugar certo e dali não tem vontade de sair. Com muita garra e força, essa mulher resiste! Constrói sozinha sua rede de apoio, com vizinhos, amigos e o IDESAM, para seguir fazendo o que mais ama: cuidar da terra, das plantas, dos bichos e das pessoas em plena a Amazônia.

      08.03.19
    • Carnaval Consciente

      Tá chegando a festa mais aguardada do ano: o Carnaval!
      Serão (oficialmente) 4 dias de muita festa, resistência, música e gente fantasiada nas ruas!
      No embalo das marchinhas, do axé, frevo, samba e de vários outros ritmos que entoam a folia, a gente não pode esquecer que, apesar de ser festa, é preciso ponderar e pensar que em muitos casos, as ações desses 4 dias ecoam por muito tempo.

      Consciência ambiental

      Glitter biodegradável
      O glitter é feito de micropartículas de plástico, e depois de usado escoa pelo ralo. O lance é apostar no glitter biodegradável e usar com moderação. A gente tem Glittra no site. É pra brilhar sem agredir o meio ambiente!

      Leva seu copinho reutilizável!
      Imagina só usar um copo descartável a cada bebida que você for tomar? Leva seu copo de casa e aproveita. Ah, melhor evitar caneca de vidro pra não se machucar, tá? Se você não dispensa um canudinho, lembra de levar o seu de casa também.

      Troca-troca de fantasias
      Chama as amigas, façam um esquadrão e troquem fantasias e adereços entre si! Evita o alto consumo e cada uma sai com uma fantasia diferente durante a folia.

      + latas, – garrafas
      Cerca de 91% das latas de alumínio são recicladas no Brasil! É a chance de ressignificar o que rolou nessa festa. E como já falamos ali em cima, os riscos do vidro quebrar e machucar em ambientes de multidões são altíssimos!

      Vai de transporte público!
      Além de ser ambientalmente mais amigável, dá menos dor de cabeça! Nas cidades com grande concentração de blocos e desfiles de agremiações, várias ruas são interditadas e o trânsito fica caótico nas redondezas.

      Lixo é na lixeira
      Essa vale pro ano inteiro, mas não custa nada relembrar. Em 2018, a COMLURB recolheu 486 toneladas de lixo em quatro dias de Carnaval no Rio de Janeiro.

      Consciência social

      Respeite as diferenças
      Carnaval é festa de todo mundo! Se divirta sem incomodar o outro e deixe o outro livre pra ser o que é – a não ser que o outro esteja ofendendo ou incomodando, aí vale pedir ajuda.

      Ajude uma mina
      Avistou uma mulher passando mal? Para pra ajudar! Olhe sempre no olho de outra mulher, e, se ela te parecer com medo ou assustada, se mostre disponível.

      Consciência com o espaço público

      A rua é nossa!
      Pichações e outros tipos de vandalismo – inclusive subir em estátuas e prédios históricos – podem atrapalhar muito o nosso dia a dia depois do Carnaval. O mesmo vale pra danificar ônibus, fazer xixi na rua e pisar nos canteiros!


      Se organizar direitinho todo mundo se diverte e curte o Carnaval sem causar problemas! Partiu folia?


      27.02.19
    • 29/01 e a Visibilidade Trans


      O Brasil é o país que mais mata transexuais no mundo. É com essa verdade dolorida que a gente começa esse post, no Dia Nacional da Visibilidade Trans. A data de hoje tem como objetivo chamar atenção da sociedade sobre as violências cotidianas sofridas por pessoas trans, além do local de marginalidade onde infelizmente seguem inseridos.

      Convidamos a Gabi Loran, nossa parceira, pra falar mais sobre esse dia, pela ótica de uma mulher trans. É pra refletir, pra abrir os olhos e a mente da gente.

      “Hoje é 29 de Janeiro!
      Dia da Visibilidade trans. Você sabe qual a importância dessa data? Por que é comemorada hoje? E o que é trans, travesti? Vem cá que vou te explicar tudo isso.

      Bom, gente, fico muito feliz quando se trata de falar sobre a bandeira que carrego, ainda mais sendo hoje um dia tão especial e potente para nós, pessoas trans. Eu sou Gabriela Loran e vou apresentá-los algumas informações sobre o dia de hoje.

      Para começar esse rolê: vamos entender como 29 de Janeiro se tornou o nosso dia? Como foi escolhida a data 29 de Janeiro para o Dia da Visibilidade Trans?

      Tudo começou no dia 29 de Janeiro de 2004, quando 27 travestis, mulheres transexuais e homens trans entraram no Congresso Nacional em Brasília bem rainhas donas de si e empoderadíssimas para lançar a campanha “Travesti e Respeito”, do Departamento de IST, AIDS e Hepatites do Ministério da Saúde. Foi a primeira campanha nacional idealizada e organizada pelas próprias trans. Tá vendo o quão capacitadas nós somos? Só nos falta a oportunidade.

      Mas você pode estar ser perguntando o que é ser uma pessoa trans. Travesti? Homen trans? CALMA!

      Segue abaixo um pequeno glossário onde você podem tirar essas dúvidas

      LGBTI+: Sigla para Lésbicas, Gays, Bissexuais, Trans e Intersexuais.

      Trans: Termo que engloba travestis, transexuais e transgêneros.

      Transfobia: Violência e discriminação contra pessoas trans por conta de sua condição.

      Transgênero: Terminologia usada para descrever quem transita entre os gêneros. São pessoas cuja identidade de gênero transcende as definições convencionais de sexualidade. Segundo Toni Reis, organizador do Manual de Comunicação LGBTI+, o termo transgênero engloba travestis e transexuais.

      Transexual: Aquele que possui uma identidade de gênero diferente do sexo designado no nascimento. As pessoas transexuais podem ser homens ou mulheres, que procuram se adequar à identidade de gênero e, geralmente (não necessariamente), gostariam de fazer a redesignação de sexo. Algumas pessoas trans recorrem a tratamentos médicos, que vão da terapia hormonal à cirurgia de redesignação sexual. São usadas as expressões homem trans e mulher trans.

      Travesti: Poderia ser sinônimo de transexual, mas tem uma ressignificação a partir da luta contra o estigma da associação à prostituição. É a pessoa que nasceu com determinado sexo, ao qual foi atribuído culturalmente o gênero considerado correspondente pela sociedade, mas que passa a se identificar e construir nela mesma o gênero oposto. Em geral (não necessariamente), a pessoa travesti não quer fazer a transgenitalização. A palavra “travesti” adquiriu um teor político de ressignificação de um termo historicamente tido como pejorativo.

      *Termos baseados no Manual de Comunicação LGBTI+ e em consultoria ao organizador Toni Reis, pós-doutor em Educação e ativista em Direitos Humanos.

      E aí amores? Conseguiram entender um pouquinho? Calma que tem mais!Agora vou compartilhar com você um pouco da minha vivência enquanto pessoa trans.

      Eu sou atriz, modelo, DJ, youtuber do Canal Gabriela Loran, palestrante, dançarina, influenciadora e dentre tudo isso eu também sou uma mulher trans. Uma mulher que transcendeu o gênero que foi atribuído a mim no momento em que nasci por um sistema cruel e binário de gênero. Ao longo de toda minha caminhada enquanto pessoa trans, tive  a oportunidade de participar de uma convenção da FARM e sentir o gostinho de começar minha carreira na moda, ocupando um espaço muito importante de destaque. Nós, pessoas trans, estamos constantemente em vulnerabilidade social, econômica e existencial. Por isso é tão importante nos empregar, nos dar a chance de provar que somos capazes. E eu tive essa oportunidade na FARM.

      Logo depois disso finalizei minha graduação em Artes Cênicas e cai no mundo do teatro e das artes! Fiz muitas peças. Uma delas foi “Incômodos”, um espetáculo que falava sobre os incômodos que nós mulheres cis e trans sofremos diariamente apenas por sermos mulheres. Além disso, fui convidada para viver a personagem Priscila na novela teen Malhação Vidas Brasileiras, na Globo. Fui a primeira atriz trans a viver uma personagem trans nessa novela.

      Foi tão importante poder falar sobre a questão trans em rede nacional, pois pude ajudar diversas pessoas a entenderem mais sobre o que é ser trans, e o mais importante: que nós pessoas trans existimos e podemos ocupar um lugar como esse. Porém é necessário sempre querer mais e mais. Estamos conquistando um pequeno espaço mas precisamos de mais!

       Mas para além de ser um data importante, a verdade mensagem que nós queremos passar hoje é um pedido de humanização dos nosso corpos trans e travestis – e nós precisamos muito de vocês, pessoas trans. Sozinhas somos fortes, mas com vocês podemos ser muito mais. Se perguntem quantas pessoas trans você conhece,  quantas pessoas trans já foram na sua casa,  se você empregaria uma pessoa trans. Com essas respostas, você pode ter noção do quão somos invisibilizadas constantemente nessa sociedade que nos mata todos os dias.

      Pra finalizar, gostaria de compartilhar com vocês um poema onde faço analogia do meu corpo trans com os pássaros, que foi construído durante o meu período de transição. Em um momento em que lutava contra a depressão, foi preciso apenas olhar para o céu e ver os pássaros voando.

      Seres Alados

      O céu é o refúgio dos seres alados
      Quem dera eu, um ser alado
      Imensidão azul
      Liberdade sem limites
      Eu e o céu
      O céu e Eu
      Não mais olhares…
      Voar sem olhar para trás…
      Apenas avante
      Não me peça para parar
      Me livrei das minhas correntes
      Do passado só restam as cicatrizes
      Que marcam a minha alma
      Mas… o que o futuro promete?
      É isso, é isso que eu quero!
      Um ser alado agora eu sou Agora eu VOU
      VÔO
      VOAR
      VOAREI…

      Quero dedicar essa postagem e o poema à Quelly da Silva, mulher travesti de 35 anos que foi assassinada brutalmente e teve seu coração arrancado em Campinas por um monstro, com a brutalidade de guardar o órgão arrancado no armário e colocar a imagem de uma santa no lugar do coração. Quelly vive em mim e em todas as vidas trans que são ceifadas diariamente nesse país. Que seja o ano da visibilidade trans, que nosso dia sejam todos os dias!”

      29.01.19
    • Dia do Poeta – Gabriela Gomes

      Porque acreditamos num futuro feminino, e porque o futuro se desenha de muitas formas mas também se escreve de muitas formas recorremos às palavras para semear uma nova realidade. E nesta nova realidade a voz das mulheres se faz ouvir. Na semana passada lançamos no @inspirafarm o video Futuro Feminino. Uma coletânea de palavras e imagens que inspiram alento e esperança para tempos difíceis. Palavras lidas e escritas por uma mulher, poeta como tantas que vamos jogando luz aqui no adoro! E essas mulheres que são muitas são também singulares, com nome e endereço. E por serem únicas e muitas acreditamos na importância de que o nome de cada uma delas seja reconhecido. Hoje, apresentamos Gabriela. Mulher, designer, poeta furta-cor. Militante dos afetos.

      Sobre açúcar e cafeína: os acidentes tropicais de uma poeta-furta-cor

      Ausente de movimento literário, ser alternante entre o disfarce de designer e a pele de poeta: toda ela dupla-face, Gabriela. É ariana, com lua em gêmeos (dupla-face, alow). Adora cachorros, Adília Lopes e manteiga de amendoim. Ultimamente tem se interessado muito por vulcões. Nasceu em Niterói, isto é um fato. Mas desde de que pode chamou de casa todos os lugares em que pode amar, comer, ler, escrever e, claro, encontrar o seu café favorito. Atualmente vive no Porto, em Portugal, onde se dedica ao Mestrado de Estudos Literários, Culturais e Interartes na Faculdade de Letras e à sua Dupla-face, estúdio de design e conteúdo. Atende por Gabe e o seu café favorito é a Rota do Chá.

      Falemos da pele de poeta.
      Em maio de 2018, Gabriela presenteou-nos com a primeira versão de seu primeiro livro de poemas Acidentes Tropicais, que começou a ser escrito lá em 2016. A versão desenhada, editada e impressa por ela, para ser lida, ouvida, perguntada e respondida, com direito a substantivo próprio e poema selecionado de acordo com o destinatário Acidentes Tropicais, chega acelerando assim todo um fenômeno cósmico do solstício de verão europeu. E chegou assim: com papel colorido, quase escolar, dobrado a meio por mãos pesadas de afeto, atados por um elástico vibrante que trazia em si a promessa de um outro acidente, tudo isso abraçado por um cartão cor-de-abóbora. E então: “o que é um acidente tropical pra você?”

      Longe de ser uma mini-bio ou uma resenha o propósito destas palavras, as minhas, é fazer ecoar as dela, Gabriela. Dela e dos seus acidentes, ambos tropicais. Dela e de todas as outras mulheres que também cabem nas mesmas palavras, dentro e fora de páginas.
      Num tempo em que a resistência feminina passa pela definição de um espaço de fala, que se quer mais amplo, mais vibrante, mais inclusivo e polifónico, a proposta de leitura do Acidentes chega como aquele abraço de irmã mais velha no fim de uma prova de matemática (quem nunca?). Deixo aqui uma escrita fotográfica pra vocês:

      Um lugar seguro, cuidadosamente preparado. 15 assentos. 15 livros-vivos. 15 nomes singulares. 15 poemas destinados. 15 oportunidades de estar. 15 oportunidades de sentir. Gabe se apresenta timidamente, quebra o gelo agradecendo a presença, pede silêncio e verdade e conta que ainda não tem editora mas que decidiu fazer por ela mesmo, seu primeiro livro. Poderia ser considerada ansiosa, mas a verdade é que ela quer ver suas palavras chegarem às pessoas, ali, na sua frente, na presença. Ela mesma chama o livro de livro vivo e as leituras são a própria experiência na presença, uma leitura compartilhada. Apresenta as suas avós: Deolinda, Ruth e Ruth. A partir daí é conosco. Cada uma de nós lê o poema destinado. São leituras intensas, muitas vezes interrompidas ou ritmadas pelos afetos. Risos ou choros.

      Em sua primeira leitura no Porto a poeta diz: “Hoje reuni pessoas queridas e próximas a mim aqui no Porto para fazer uma primeira leitura do acidentes tropicais, meu primeiro livro de poemas. Fiquei colocando o tempo inteiro na minha cabeça que isso não era o lançamento e sim uma leitura. O acidentes ainda não tem uma editora definida, estou neste processo de busca. mas isso não me impediu de uma vontade de reunir essas pessoas próximas pq queria ouvir da boca delas os meus textos. queria entender onde cada um quebra o verso, de onde vem o ritmo, onde riem com o canto da boca, onde choram, onde se engasgam, reuni 15 pessoas que leram 15 poemas. não era pra ser um lançamento, era pra ser uma leitura, mas foi um lançamento. foi o meu lançamento, um jogar no mundo o amor que tenho por esse livro e receber de volta tanto afeto. a gente vai realizando aqui e ali, na unha, na fotocópia mas vai. vamos aos poucos mas vamos longe!”

      A partir daí é conosco. Depende do quanto cada uma consegue e quer se dar. É uma leitura performática, terapêutica, não canónica, de fora pra dentro. E de repente já não somos apenas 15, somos nós e todas as outras mulheres que já fomos, ou as que queremos ser, transitando entre as 9 possibilidades capitulares deste livro que é, antes de mais, um convite para a vulnerabilidade. E quão lindo pode ser despir a alma em público!

      No Brasil as leituras tiveram lugar no mês de setembro em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Niterói, cidade natal da poeta onde sua família vive até hoje. Agora de volta a Portugal a poeta pretende repetir a experiência na cidade-teste Porto, e também em Lisboa. Para acompanhar de perto o que tem sido feito pela poeta basta ficar de olho no instagram do @acidentestropicais e em sua conta pessoal @gahbe. Ah! Ela também escreve uma newsletter contando sobre suas criações e a vida no Porto, para se inscrever basta clicar aqui. Ficamos por aqui deixando o espaço necessário para que cada qual encontre o seu próprio acidente tropical! E pra vocês, o que é um acidente tropical?

      Este texto foi escrito por Isabeli Francis, amiga, curadora no @marginal.curators e historiadora de arte, roomate, compania para bolos de chocolate e leitora da poeta.

      20.10.18
    • Retiro Espelho de vênus

      Deusa da beleza e do amor na mitologia, Vênus na astrologia é o planeta que revela nossos gostos, valores, o que nos atrai e como atraímos. Então além de nos inspirar a moda, o design e a arte, com os recursos que dispõe nossa Vênus nós seduzimos, sensualizamos, transamos e sentimos prazer. Vênus é, portanto, essencial pra nossa autoestima e superimportante na nossa dinâmica de relacionamento.

      Nesse equinócio da primavera, no fim de semana de 21, 22 e 23 de setembro, vou oferecer meu primeiro retiro, dentro de um projeto chamado Oficina Astral Magia, cuja proposta é um mix de aulas de astrologia + trabalho de corpo + atividades criativas. Assim, vocês poderão não apenas adquirir mais conhecimento, como incorporar o princípio astrológico em questão.

      O tema desse retiro da primavera é Espelho de Vênus, já que a estação das flores é a mais venusiana. Vou reunir um grupo só de mulheres na pousada Vila do Açu, no topo da serra dos Órgãos, na região de Petrópolis (RJ), um paraíso natural entre montanhas, com um rio e uma piscina natural, pra aproveitar os quatro elementos da natureza (terra, água, ar e fogo) e fazer uma bruxaria! O alinhamento cósmico do equinócio, momento em que o dia e a noite têm a mesma duração, é quando o Sol ingressa em Libra, signo regido por vênus, que estará em Escorpião, o signo da transformação. E a lua estará quase cheia!

      Convido vocês a virem comigo nessa experiência única de se olhar no espelho pra reconhecerem sua própria beleza! Enquanto usufruem de uns dias de descanso, aprendem mais sobre nossa musa inspiradora, dançam, tomam banho de sol, mergulham no rio, criam coisas bonitas e libertam o seu erotismo. Os recursos que vou ensinar vocês levarão pra vida. Tudo pra viver com mais amor e criatividade!

      Mais informações e inscrições: mainamello.agenda@gmail.com

       

       

       

       

      15.09.18
    • A importância do ASA

      Mais uma super iniciativa incrível vai dar a oportunidade de mulheres ocuparem espaços que por muito tempo as foram negados. O British Council e o Oi Futuro, em parceria com as instituições britânicas Lighthouse e Shesaid.so lançaram o Programa ASA – Arte Sônica Amplificada. O objetivo? Garantir através de uma grande imersão em conhecimento e em mentoria que mais mulheres estejam inseridas na área de som e música.

      Cincquenta mulheres  que atuam na área de som e música serão selecionadas para o programa, que tem como objetivo o desenvolvimento de carreiras pautadas na potencialidade do som, da música e da tecnologia criativa. O ASA vai rolar no LabSonica, espaço de experimentação artística do Oi Futuro, e vai desenvolver uma comunidade criativa colaborativa.

      Profissionais britânicos e brasileiros que são referência na área de som e música darão mentoria para que as participantes desenvolvam novas ideias e produtos. Além de musicistas, o edital tá aberto também para jornalistas, artistas sonoras, engenheiras de som e gravação, produtoras musicais e de rádio, designers de som, sonoplastas e outras especialistas do setor.

      A diretora de artes do British Council Brasil, Cristina Becker, comemora a parceria que dará viabilidade ao projeto.

      “Numa iniciativa pioneira, o ASA foca nas mulheres, explorando as novas potencialidades da música e da tecnologia criativa. Nessa nova etapa de nossa parceria junto ao Oi Futuro, o British Council irá dialogar com mulheres em estágio inicial de suas carreiras, no desenvolvimento de suas habilidades, assim como formar uma comunidade colaborativa de interesse comum”, disse.

      Curtiu o projeto e acha que ele tem tudo a ver com você ou com aquela sua amiga que saca tudo de música e som? Clica aqui que as inscrições para o edital vão até a próxima segunda-feira, dia 17!

       

       

      12.09.18
    • Um guia para pensar a moda do futuro

      Moda circular, biotecidos, upcycling.
      O quanto esses conceitos são familiares a você?
      Para a Fernanda Jung Thomé, designer de moda e estudante de administração em Porto Alegre, eles são objetos de um estudo dedicado e, pode crer, muito inspirador.


      “Ultimamente eu tenho focado meus trabalhos para a economia circular. Como a economia circular pode ser um agente de mudança dentro da moda sustentável. Tenho feito muitas pesquisas também em bioculturas e como isso pode trazer inovação dentro do campo têxtil para a moda”.

       

      Já bateu alguma dúvida?
      Os próximos parágrafos serão puro aprendizado.
      Contar a trajetória da Fernanda é entrar em contato com uma perspectiva potente sobre a moda, porém (ainda) pouco conhecida*.

      *Ao longo do texto explicaremos alguns dos conceitos que fazem parte desse universo e deixaremos prontinho, no final da matéria, um glossário para você saber mais.

      O princípio na moda sustentável.

      A aproximação com esse universo se deu em 2016, durante uma disciplina da faculdade de moda.
      O desafio na época era criar uma peça a partir de resíduos.
      Como começo de uma jornada, Fernanda buscou alternativas ao patchwork. Queria extrapolar, encontrar métodos com os quais se identificasse mais e assim chegou ao quilting livre. A técnica, uma das vertentes do upcycling¹, permite a união de vários pedaços de tecido numa costura livre e de forma artística. Pensando nos resíduos que tinha em abundância, desfiou algodão cru e calças jeans já fora de uso. Como continuidade da pesquisa chegou a um plástico hidrossolúvel. Aí estava a chave para a criação do seu primeiro tecido sustentável.

      “No decorrer das pesquisas eu encontrei um plástico natural que dissolve quando entra em contato com a água, mas antes disso ele é maleável o suficiente para eu conseguir costurar. Eu fui fazendo testes e descobri que se eu usasse esse plástico hidrossolúvel, colocando o algodão e o jeans desfiados entre essas duas camadas de plástico, alfinetasse e fosse pra máquina, eu conseguia criar um manto têxtil. Se eu entrasse em contato com a água, lavando, eu ia conseguir um tecido produzido com esses resíduos. Pra mim foi incrível ver o resultado. É um processo que permite criar muitas estampas, muitas técnicas. Você consegue produzir o tecido desde o início, no formato do molde que você vai utilizar, minimizando os resíduos que você vai gerar e permitindo que você use esses resíduos na próxima criação”.

      O vestido produzido a partir desse tecido foi para a passarela. Nas palavras da própria Fê, não apenas o feedback externo foi incrível, mas também o interno, que se traduz em motivação, inspiração e a descoberta de muitas novas possibilidades. Foi a certeza que ela precisava: ir a fundo no upcycling e desvendar suas técnicas.

      “Foi aí que eu encontrei a economia circular². Comecei a estudar, me interessar por inovações no campo têxtil e fui cada vez me apaixonando mais. Quando eu estava terminando a faculdade, eu desenvolvi o meu TCC baseado numa das escolas de pensamento da economia circular que é o design cradle to cradle³, entrando cada vez mais dentro da moda sustentável, dentro do que a natureza pode nos oferecer, de como a gente pode se inspirar na natureza para criar moda e design. Isso foi trazendo um sentimento de identificação e de luz de dentro que fez eu querer cada vez mais pesquisar sobre e conectar mais pessoas dentro desse sistema”.

       

      A descoberta da circularidade e a retomada do feminino.

      Luz de dentro.
      É o que transborda quando a designer começa a falar sobre o seu trabalho e todo esse jeito lindo de se conectar a terra para pensar o vestir.
      Parece um paradoxo, não é?
      Porém a segunda maior indústria do mundo tem mais a ver com a natureza do que a gente pode imaginar e é exatamente sobre isso que trata a moda circular.

      “Moda circular é repensar o sistema de produção e consumo de moda para um sistema que não seja mais linear. Quando eu digo linear me refiro a um sistema onde a gente extrai da natureza, produz gerando lixo, consome e descarta. O pensamento de lixo não existe mais no sistema circular, ele volta para dentro do ciclo produtivo. É um sistema que extrai pensando como esse lixo pode retornar para o meio ambiente de uma forma sustentável, que não agrida a natureza. É um sistema em que tudo que for consumido vai voltar pra indústria para ser reutilizado ou vai voltar pra terra pra ser compostado”.

      Quer jeito mais feminino de lidar com a moda?
      O fazer natural abre espaço para uma série de outras questões.
      Pensar na produção de matéria limpa, no respeito ao meio ambiente e no descarte do lixo é uma forma de entrar em contato com os ciclos naturais, esses que nos constituem enquanto mulheres e que foram se perdendo com a aceleração do mundo.

      “Eu vejo que, ao longo do tempo, a mulher se distanciou muito do que é natural dela, do que acontece com o corpo dela, de como funciona ou não o ciclo menstrual. Querer colocar isso numa linearidade não faz sentido. Quando a mulher consegue identificar esses padrões de emoções e se reconecta com a circularidade dela, que tem tudo a ver com a circularidade da própria natureza, isso traz uma luz para a vida, uma beleza que não tem explicação”.

      Pensar numa nova moda é também pensar numa nova atuação feminina. Eu boto muita fé que vivemos uma época de resgates e olhar pra dentro é uma revolução. O desafio agora é encontrar o compasso entre natureza feminina, indústria e conservação ambiental.

       

      A experiência amazônica

      Pra isso, e pra mais um tanto de coisas, a Fernanda foi em Julho para a Amazônia. Como parte de um processo de capacitação em desenvolvimento sustentável, conviveu com as comunidades ribeirinhas e aprendeu desde tingimento natural4 até a necessidade de viver em comunidade para que qualquer transformação seja efetiva. Afinal, nossa essência é social e nossa força se amplia quando atuamos juntos.

      “Eu tinha uma conexão muito forte com a natureza e uma paixãopelas trocas que eu poderia fazer com ela, mas as minhas trocas com o ser humano não existiam muito até aquele momento e de forma tão sincera. Dentro do processo de capacitação que eu fiz, o aprendizado que eu obtive com a comunidade, vivendo e aprendendo deles, trouxe uma outra visão de mundo e do quanto nós somos agentes da mudança antes de tudo. Se a gente não souber se conectar e viver em comunidade, não vai adiantar nenhuma mudança que a gente faça. Nenhuma conexão que a gente tenha com a natureza serve se a gente não souber viver em comunidade”.

      Atualmente, Fernanda busca inovações no campo têxtil através da criação de  bioculturas para o desenvolvimento de tecidos a base de celulose bacteriana. Uma novidade e tanto.

      Afinal, o que são bioculturas?

      A biocultura consiste no desenvolvimento de scobys, comunidades bacterianas sintéticas geralmente associada à produção de kombucha5. Os scobys são peças gelatinosas que, quando desidratadas, dão origem a um material resistente e ao mesmo tempo maleável, ou seja, adequado à costura.

      Scobys do ateliê da Fê (o primeiro em processo de desidratação e o segundo ainda em crescimento)

       

      As peças suportam o tingimento natural feito a partir de chás e ervas, a impermeabilização realizada com banhos de óleo de coco e crescem de forma tridimensional, se adaptando a superfície no qual são colocados para a desidratação.

      “Uma das coisas mais legais da biocultura é que ela seca no formato do lugar onde você colocar para secar. No campo da moda isso é uma super inovação porque permite que você crie peças tridimensionais sem costura.”

      Incrível né?

      Além disso, os biotecidos são ideias para a estamparia botânica – uma técnica natural de impressão ou, como você pode encontrar com uma maior variedade de verbetes, ecoprinting. Nela, folhas ou flores são inseridas entre as camadas do scoby (sim, ele cresce em camadas) para que lá permaneçam pós secagem. Sementes também podem compor essas estampas. Já imaginou ter um tecido biodegradável que germina assim que compostado? É muito amor.

      Passar um dia com a Fê, entre os seus experimentos, todos catalogados com carinho e reportados com entusiasmo, é vislumbrar um futuro mais harmônico entre indústria e natureza, alinhado aos ciclos femininos e, portanto, cheio de poder.

       

      Para mim foi enriquecedor e escrevo esse texto porque, realmente, espero que a visão e a atuação profissional da Fê germinem. Assim como os biotecidos do seu laboratório.

      “Sempre me bate um receio quando eu penso o que vai ser o futuro da moda. Talvez seja inocência minha acreditar que a moda possa ser um agente de transformação no mundo, mas ela já foi, positivamente ou negativamente, na revolução industrial e eu acredito muito que a moda pode e vai ser o agente de transformação do futuro. Outras indústrias vão se inspirar na mudança que a moda vai trazer pra fazer as mudanças dentro dos seus próprios processos de criação e de desenvolvimento”.

      Para mergulhar fundo:

       

      1. Upcycling: Processo de transformação de produtos indesejados em novos materiais e produtos com maior valor social e menor impacto ambiental
      2. Economia circular: Conceito econômico que rompe com a linearidade da indústria. Aqui, a proposta é que o resíduo de uma indústria sirva como matéria-prima reciclada para a mesma indústria ou para outras. Ou seja, o que se busca é o aumento do ciclo de vida dos materiais e uma nova relação com a cadeia de consumo: do design de produtos ao seu descarte.
      3. Cradle to cradle: Do inglês do berço ao berço, o conceito propõe sistemas cíclicos de criar e reciclar ilimitadamente. Como vertente da economia circular, propõe fluxos saudáveis de matéria-prima, tanto para humanos quanto para a natureza.
        4. Tingimento natural: Pigmentação de tecidos através de plantas tintórias.
        5. Kombucha: Bebida produzida a partir de um chá ou infusão adoçado que, a partir da fermentação controlada, oferece qualidades probióticas.
      06.09.18
    • novidadinhas da semana

      Ainda não sabe o que fazer nessa semana de feriadão? Vem que a gente te mostra o caminho das pedras pra você se divertir!

      RJ

      Num encontro do presente com o passado, Mãeana leva na próxima quarta-feira uma apresentação com músicas da Xuxa, que a inspiraram durante a infância. O show vai rolar na Audio Rebel.


      Essa é pra quem curte música brasileira! Depois de animar o Corcovado durante a Copa do Mundo, a Festa Brzzil está de volta. Nesta sexta, dia 7, Zehpretim, Zedoroque e convidados tocam o melhor da música nacional no Alto da Boavista.


      O CCBB recebe até sábado o Festival Sai da Rede, onde artistas que usam a internet como principal meio de divulgação dos seus trabalhos se apresentam. Na programação, tem bate-papo com Luiza Junqueira, Gabi dePretas e Clara Averbuck, além de shows de Luedji Luna, Plutão Já Foi Planeta e mais! Bora?

       

       

      SP

      Sexta é dia de Toda Grandona! A festa bodypositive, que tem como missão celebrar corpos maiores, rola na Estação Marquês, na Barra Funda. Ah, pessoas trans não pagam ingresso, é só chegar!

      BH

      Nesta sexta vai rolar mais uma edição da Praia da Estação! A galera que frequenta a praia a define como “uma manifestação político, artístico, cultural, sensual, performática, sem líderes, coletiva, colaborativa, closeira que não é obrigada a nada!”. Será uma tarde de ocupação da Praça da Estação, com muita gente tomando um solzinho de biquíni, rodando bambolê ou mesmo jogando uma pelada.

       

      Para o Brasil inteiro

      Esse é o último fim de semana pra quem quer participar da vaquinha que a Gabi Monteiro organizou pra ajudá-la viver uma experiência mega agregadora! A estilista foi selecionada pra participar de uma residência artística na Inglaterra, onde pretende concluir a pesquisa “Racismo é Estético”. Que tal fazer parte disso?

       

      06.09.18
    • dia da irmã é todo dia

      Hoje é dia da irmã e nós paramos pra pensar e escrever sobre essa relação super incrível. Sabe aquela parceira/parceiro que a gente não imagina viver sem?

      Irmã mais velha é referência. Tem aquela magia de ser “cool”, tipo um espelho, aos olhos de quem é mais nova… e se você é a mais velha, passa a repensar todo o seu comportamento e atitudes, afinal, virou uma das mais importantes inspirações pra outra pessoa. E se engana quem pensa que ser irmã mais nova também não tem responsabilidades. Trazer frescor, novidades e, muitas vezes um ponto de vista de outra geração faz com que o relacionamento e a parceria afetiva seja ainda mais rica.

      Muita gente acredita que ter irmã significa abrir mão de algo, subtrair. Quando ela chega, a percepção já muda e vira tudo sobre aprender a dividir. Os pais, a atenção, o espaço. Com o tempo,  fica fácil entender que ser irmã vai bem além do conceito de dividir. É somar forças, multiplicar amor, carinho e cuidado uma com a outra.

      Quem tem uma irmã sabe que nunca vai ficar sozinha, sabe que pode contar sempre com um ombro amigo, um abraço carinhoso e mesmo um puxão de orelha daqueles! A Fábula, nossa irmã mais nova, é assim pra gente. Trocamos tanto… Aprendemos muito uma com a outra! E também ganhamos.

      Em comemoração ao dia da irmã a cliente FARM ganha 20% de desconto ao fazer compras na Fábula, e vice-versa. ❤

      Pra ilustrar esse post e fazer a gente explodir ainda mais de fofura e carinho nesse dia tão especial, a Manu, filha da Kátia, nossa diretora criativa, escolheu suas melhores fotos com a irmã mais nova, Maia!

      É pra deixar o dia mais feliz, e a vida também. Obrigada, Manu, por ter topado dividir essa beleza com a gente. *Ah! No e-FARM a promo é válida de 06 a 09/09, tá?

      Aproveitem o dia! 

      05.09.18
    • Pedale como uma Guria – pela Fê do Sotaques

      “Um coletivo autogestionado de pessoas que se identificam como mulheres coloridas,
      elos que formam uma corrente de amizade, afeto, empoderamento e sororidade”.

      Essa é a descrição do Pedal das Gurias – um grupo de mulheres, em sua concepção mais abrangente, que se reúne semanalmente para pedalar. A iniciativa surgiu no primeiro mês de 2016 em Porto Alegre. Desde então, o grupo cresce alicerçado no cuidado, consigo e com a outra, e no debate em torno de representatividade e autonomia.

      O Pedal das Gurias é uma rede de ajuda para que mais gurias possam ocupar um lugar na cidade. Ele é mutável: sempre tem alguém novo, alguém que chega com uma ideia diferente”, conta Estefania, uma das participantes.

      Muito mais do que incentivar a prática do ciclismo dentro das cidades, crença fundamental do grupo, o importante é celebrar, através da bicicleta, a liberdade e o desejo de mudança.

      “É um momento de higiene mental, de libertação, de autoafirmação também. A gente troca uma ideia sobre a questão do feminino e busca se compreender”, relata Naira.

      E sim, é de uma liberdade e tanto pedalar com elas. Eu me juntei ao grupo numa quinta-feira à noite para viver a experiência sob duas rodas. Fazia tempo que não me aventurava pela cidade e confesso que cheguei apreensiva.

      Na Rótula das Cuias, ponto de encontro do grupo, as gurias foram chegando, dispondo-se em roda, cumprimentando-se e acolhendo as novatas com carinho. Aliás, eram muitas novatas na rara noite quente de Inverno. O destino é escolhido democraticamente enquanto os códigos são ensinados. No Pedal, o importante é fazer parte do grupo, sentir-se responsável pelas mulheres que andam, literalmente, ao seu lado. Bah, é uma força incrível essa prática de sororidade:

      “Logo depois de começar a vir eu me percebi como responsável pelas outras, nesse sentido de proteção. No intuito de proteger as outras, eu acabei me fortalecendo e conseguindo andar sozinha. Antes, em alguns momentos eu sentia muito medo. Vendo mulheres iguais a mim eu me senti capaz. Ocupar a cidade é ocupar o que é nosso” conta a Estefania.

      Saímos, juntas, em direção à Zona Sul de Porto Alegre. Com o vento no rosto, vi a cidade de uma forma que eu nunca a havia percebido. Pedalando ao lado de mulheres que riam, cantavam, conversavam e marcavam sua presença na rua, pensei na importância de ocuparmos o espaço público.

      Viver em sociedade é um ato político; e é de uma simplicidade assustadora o quanto nos distanciamos do significado de nossas escolhas no dia-a-dia. Tudo bem, dar conta do recado nos consome, mas momentos como esse são um baita respiro. Andamos juntas à noite, em meio ao trânsito e por trechos, por vezes, pouco movimentados.

      Eu comecei a vir no Pedal das Gurias porque eu queria muito pegar a bike. Os meus amigos andam e eu queria perder o medo. Eu soube do grupo e pensei que era uma oportunidade de me virar sozinha. Saí do primeiro encontro mais confiante: eu posso pedalar, esse espaço também é meu” comemora a Bruna.

      Foram tantas as histórias de acolhimento, sobre como o Pedal das Gurias funcionou como uma “primeira casa” para meninas vindas do interior. Para mim também, que retorno a Porto Alegre em busca de um novo olhar para cidade.

      Eu, com minha lua em Câncer, me emocionei quando, em uma das últimas esquinas, passamos por um grupo de mulheres que nos aplaudiram e abanaram felizes por se verem representadas.

      Naira confessa: “eu acredito que a bicicleta vai mudar o mundo”. Gurias, vocês já estão mudando o mundo. E mais do que um relato, esse texto é um convite e, sobretudo, um agradecimento pela experiência.

      Obrigada, Pedal das Gurias, Gabriela Guez, minha amiga de bike, de foto e de vida, pela parceria. Meninas de Porto Alegre, participem. E vocês, meninas de outras cidades, me contem: como ocupam as cidades?

      Pedal das Gurias:
      /pedaldasgurias
      Todas às quintas-feiras
      com partida às 20 horas
      da Rótula das Cuias.
      Só para mulheres \o/

      Matéria feita pela Fê Carvalho do Sotaques de Porto Alegre 

      14.08.18
    • Mulheres Incríveis: Projeto 111

      Sabe esses encontros bons que acontecem na vida entre mulheres incríveis que pulsam ideias transformadoras? Essa é a história por trás do Projeto 111, iniciativa de resistência artística criada pelas amigas e forças femininas Jeniffer, Lorena e Luiza que já vai pra 4ª edição que rola esse domingo (19.08) na casa FRONT, no Rio.

      O start do projeto surgiu entre uma conversa e outra depois do espetáculo “Ei, Mulher” onde Luiza atua. No local, um co-working/casa de cultura na Praça Onze, as três estavam num papo bom quando Jennifer imaginou que ali daria um sarau lindão. Lorena e Jeniffer toparam na hora e no mesmo dia conversaram com uma das coordenadoras do espaço. E então… Uma semana depois a data da primeira edição já estava marcada! O dia? 11/11/2017.

      O tanto de coisa bacana que essas mulheres incríveis organizam pras edições do Projeto 111? A Luiza conta tudo pra gente, ó.

      “Nosso objetivo é encontrar meios de valorização da cultura preta, reunindo o maior número possível de jovens artistas ou não, no intuito de dividir criações a partir de experiências de vida e provocar transformações vindas do choque das culturas. Sem deixar de lado o entretenimento, a diversão, o debate, a cervejinha e a música. Queremos juntar novos artistas de fora e de dentro da periferia e induzir, de alguma forma, que esse encontro gere frutos. A entrada é consciente, pois acreditamos que investe no projeto aquele que tem recursos para isto, quem no momento não pode investir financeiramente agrega de outras maneiras possíveis”.

      Como é feita a curadoria dos convidados?

      “Nos reunimos  e conversamos sobre os artistas que conhecemos, vimos no metrô, ouvimos no slam, é amiga de uma amiga, segue no Instagram… Assistimos a todos, comentamos, opinamos e normalmente entramos em consenso. Dessa galera toda que conseguimos reunir na mesa de reunião, escolhemos no máximo seis artistas cantantes, no mínimo duas intervenções poéticas, algum artista plástico, um filme ou uma performance, uma pessoa pra mediar o debate com o público e voilà! É aí que o trabalho começa. Fazemos os convites, normalmente diretamente ao artista, explicamos o projeto, a importância que creditamos nele, explicamos como funciona e na maioria das vezes recebemos um sim. Cada sim é uma comemoração! Uma felicidade incrível de reconhecer que o que temos feito tem sido importante não só pro público que frequenta os eventos, mas também pros artistas que cada edição que passa enviam mais mensagens agradecendo à produção, ou ainda àqueles que pedem pra tocar com a gente. É uma satisfação sem tamanho!”

      – O Projeto 111 fala sobre resistência artística e traz à cena a arte preta. É trabalhar com representatividade e abrindo a visão pra questões que passam invisibilizadas muitas vezes, né?

      “A caminho da nossa 4ª edição, entendemos cada vez mais a importância histórica de fomentar protagonismo preto na cena da cultura carioca, somando todas as edições, 70% da nossa curadoria é formada por artistas pretos. Às vezes somos questionadas sobre convidar também os artistas brancos pra mostrar seus trabalhos, por eles terem posições de privilégio dentro dos meios da produção cultural. Acreditamos que os públicos precisam de certa forma se misturar, entendendo cada um seu local de fala ou de escuta e juntos pensarem uma solução pro que tá posto. O problema do racismo é um problema do branco, então é com ele que é precisa se dar a conversa.

      Com artistas periféricos e não periféricos, atraímos públicos essencialmente diferentes. De certa forma utilizamos do fato de público de “X” artista ser da zona sul carioca, por exemplo, pra colocá-lo em confronto direto com o público de “Y” artista que é da baixada fluminense, nossos resultados têm sido lindos! Exemplos desses resultados são, principalmente, a captação de novos públicos pros artistas periféricos e abrangência de consciência social no trabalho de artistas da zona sul carioca. Errando e acertando, vamos ouvindo, consertando, experimentando, arriscado. Acreditamos que é possível construir uma nova realidade, mais habitável pra todos”.

      Por fim..Por que 111?

      “O nome 111 tem vários motivos, conscientes ou não, a proposta do nome surgiu a princípio por conta da data de estreia: dia 11/11, após discussões sobre o porquê desse nome, se seria realmente interessante, fomos descobrindo outras coisas: o local onde foi realizado a primeira e a segunda edição está localizado na praça 11 número 1, somos 3 mulheres 1+1+1 e outros dados mais cruéis e bastante significativos, que cruzaram nossas vistas quase que como um recado do destino ou de quem quer que seja, nesse recado está escrito que temos o dever, a sorte e a coragem de ouvir e falar dos nossos: 111 é um número triste e importante na luta dos pretos brasileiros. 111 é o número de tiros dados por policiais militares contra um carro com 5 homens pretos inocentes, em 2015 no bairro de Costa Barros aqui no Rio. 111 é o número de presos mortos no Carandiru, quase todos pretos. É um número cheio significados que envolve o universo do Projeto”.

      E pra conhecer de perto e sentir a energia potente do Projeto, se liga na programação da próxima edição desse domingo:

      Performance + Debate
      Stand Up com Yuri Marçal com debate sobre as possibilidades da comédia preta brasileira.
      Músicos: Babi Guinle, Breno Ferreira, Caio Nunez, Luana Karoo e DJ Bombs, Luellem Castro e Banda Nós Somos.
      E mais: Poetas Falantes do Coletivo Poetas no Vagão, Cordelista Pally Siqueira, DJ Pedro Carneiro e Artes Plásticas com Tarso Gentil.

      Anota na agenda e vem com a gente marcar presença na 4ª edição: é a partir das 16h. Nos vemos lá! 

      13.08.18