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      categoria: literatura

    • Dia do Poeta – Gabriela Gomes

      Porque acreditamos num futuro feminino, e porque o futuro se desenha de muitas formas mas também se escreve de muitas formas recorremos às palavras para semear uma nova realidade. E nesta nova realidade a voz das mulheres se faz ouvir. Na semana passada lançamos no @inspirafarm o video Futuro Feminino. Uma coletânea de palavras e imagens que inspiram alento e esperança para tempos difíceis. Palavras lidas e escritas por uma mulher, poeta como tantas que vamos jogando luz aqui no adoro! E essas mulheres que são muitas são também singulares, com nome e endereço. E por serem únicas e muitas acreditamos na importância de que o nome de cada uma delas seja reconhecido. Hoje, apresentamos Gabriela. Mulher, designer, poeta furta-cor. Militante dos afetos.

      Sobre açúcar e cafeína: os acidentes tropicais de uma poeta-furta-cor

      Ausente de movimento literário, ser alternante entre o disfarce de designer e a pele de poeta: toda ela dupla-face, Gabriela. É ariana, com lua em gêmeos (dupla-face, alow). Adora cachorros, Adília Lopes e manteiga de amendoim. Ultimamente tem se interessado muito por vulcões. Nasceu em Niterói, isto é um fato. Mas desde de que pode chamou de casa todos os lugares em que pode amar, comer, ler, escrever e, claro, encontrar o seu café favorito. Atualmente vive no Porto, em Portugal, onde se dedica ao Mestrado de Estudos Literários, Culturais e Interartes na Faculdade de Letras e à sua Dupla-face, estúdio de design e conteúdo. Atende por Gabe e o seu café favorito é a Rota do Chá.

      Falemos da pele de poeta.
      Em maio de 2018, Gabriela presenteou-nos com a primeira versão de seu primeiro livro de poemas Acidentes Tropicais, que começou a ser escrito lá em 2016. A versão desenhada, editada e impressa por ela, para ser lida, ouvida, perguntada e respondida, com direito a substantivo próprio e poema selecionado de acordo com o destinatário Acidentes Tropicais, chega acelerando assim todo um fenômeno cósmico do solstício de verão europeu. E chegou assim: com papel colorido, quase escolar, dobrado a meio por mãos pesadas de afeto, atados por um elástico vibrante que trazia em si a promessa de um outro acidente, tudo isso abraçado por um cartão cor-de-abóbora. E então: “o que é um acidente tropical pra você?”

      Longe de ser uma mini-bio ou uma resenha o propósito destas palavras, as minhas, é fazer ecoar as dela, Gabriela. Dela e dos seus acidentes, ambos tropicais. Dela e de todas as outras mulheres que também cabem nas mesmas palavras, dentro e fora de páginas.
      Num tempo em que a resistência feminina passa pela definição de um espaço de fala, que se quer mais amplo, mais vibrante, mais inclusivo e polifónico, a proposta de leitura do Acidentes chega como aquele abraço de irmã mais velha no fim de uma prova de matemática (quem nunca?). Deixo aqui uma escrita fotográfica pra vocês:

      Um lugar seguro, cuidadosamente preparado. 15 assentos. 15 livros-vivos. 15 nomes singulares. 15 poemas destinados. 15 oportunidades de estar. 15 oportunidades de sentir. Gabe se apresenta timidamente, quebra o gelo agradecendo a presença, pede silêncio e verdade e conta que ainda não tem editora mas que decidiu fazer por ela mesmo, seu primeiro livro. Poderia ser considerada ansiosa, mas a verdade é que ela quer ver suas palavras chegarem às pessoas, ali, na sua frente, na presença. Ela mesma chama o livro de livro vivo e as leituras são a própria experiência na presença, uma leitura compartilhada. Apresenta as suas avós: Deolinda, Ruth e Ruth. A partir daí é conosco. Cada uma de nós lê o poema destinado. São leituras intensas, muitas vezes interrompidas ou ritmadas pelos afetos. Risos ou choros.

      Em sua primeira leitura no Porto a poeta diz: “Hoje reuni pessoas queridas e próximas a mim aqui no Porto para fazer uma primeira leitura do acidentes tropicais, meu primeiro livro de poemas. Fiquei colocando o tempo inteiro na minha cabeça que isso não era o lançamento e sim uma leitura. O acidentes ainda não tem uma editora definida, estou neste processo de busca. mas isso não me impediu de uma vontade de reunir essas pessoas próximas pq queria ouvir da boca delas os meus textos. queria entender onde cada um quebra o verso, de onde vem o ritmo, onde riem com o canto da boca, onde choram, onde se engasgam, reuni 15 pessoas que leram 15 poemas. não era pra ser um lançamento, era pra ser uma leitura, mas foi um lançamento. foi o meu lançamento, um jogar no mundo o amor que tenho por esse livro e receber de volta tanto afeto. a gente vai realizando aqui e ali, na unha, na fotocópia mas vai. vamos aos poucos mas vamos longe!”

      A partir daí é conosco. Depende do quanto cada uma consegue e quer se dar. É uma leitura performática, terapêutica, não canónica, de fora pra dentro. E de repente já não somos apenas 15, somos nós e todas as outras mulheres que já fomos, ou as que queremos ser, transitando entre as 9 possibilidades capitulares deste livro que é, antes de mais, um convite para a vulnerabilidade. E quão lindo pode ser despir a alma em público!

      No Brasil as leituras tiveram lugar no mês de setembro em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Niterói, cidade natal da poeta onde sua família vive até hoje. Agora de volta a Portugal a poeta pretende repetir a experiência na cidade-teste Porto, e também em Lisboa. Para acompanhar de perto o que tem sido feito pela poeta basta ficar de olho no instagram do @acidentestropicais e em sua conta pessoal @gahbe. Ah! Ela também escreve uma newsletter contando sobre suas criações e a vida no Porto, para se inscrever basta clicar aqui. Ficamos por aqui deixando o espaço necessário para que cada qual encontre o seu próprio acidente tropical! E pra vocês, o que é um acidente tropical?

      Este texto foi escrito por Isabeli Francis, amiga, curadora no @marginal.curators e historiadora de arte, roomate, compania para bolos de chocolate e leitora da poeta.

      20.10.18
    • Escrita potente e feminina: 7 autoras da Flip pra ler e reler

      Semana passada rolou mais uma edição, da sempre esperada Flip – Festa Literária de Paraty que oferece pra todo mundo uma experiência única imersa no universo tão rico da literatura. E quer saber o que é mais bacana? A voz e escrita feminina deram o tom! Por isso, a gente convidou a jornalista Natalia Albertoni, da produtora Conspiração, que abriga o hub criativo de mulheres Hysteria, pra dar vida a um conteúdo mais do que especial: autoras mulheres que foram destaque no evento que você precisa conhecer – e ler muito!

      Conta pra gente, Nat 🙂

      A Flip 2018 foi mais feminina. Assim como no ano passado. Dos 33 autores escalados para as 18 mesas da agenda principal 17 foram mulheres e 16 homens. A escolha naturalmente refletiu no público e até nas vendas. Tanto que sete dos dez livros mais vendidos na livraria oficial do evento, a fofa Livraria da Travessa, são escritos por mulheres. Três são da homenageada do ano, Hilda HilstMemória, Noviciado e Paixão (Companhia das Letras), De Amor Tenho Vivido (Companhia das Letras) e Pornô Chic (Casa Europa) -, e dois de Djamila Ribeiro, O que É Lugar de Fala? (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro? (Companhia das Letras).

      As mulheres também foram destaque na programação paralela, que cresceu muito. Mais de 20 casas parceiras ofereceram debates e saraus, entre elas a Casa Hilda Hilst. Novidade no evento, a casa foi o primeiro espaço exclusivo dedicado inteiramente ao autor homenageado – autora neste ano, no caso. Criação do Instituto Hilda Hilst (IHH) e da Hysteria, hub de criação de mulheres dentro da Conspiração, o endereço formou fila todos os dias, além de atrair nomes como Tainá Muller, Nanda Costa, Alessandra Negrini e Julia Lemmertz.

      A Casa Insubmissa de Mulheres Negras também chamou a atenção. O espaço de vivência entre escritoras, artistas, pesquisadoras e autoras negras, reuniu atividades culturais, mesas e lançamentos com o intuito de ampliar a rede de diálogos e incentivar a leitura e a produção das mulheres negras.

      Passada uma semana do evento restam as saudades de respirar literatura. Então, segue uma lista de sete mulheres que estiveram em evidência em Paraty, nesse que é um dos maiores eventos literários do país, para você conhecer.

      Hilda Hilst
      Aos 35 anos, Hilda Hilst (1930-2004) foi morar numa chácara em Campinas, a Casa do Sol, para se dedicar à literatura, já que sua vida boêmia como frequentadora da alta sociedade paulistana a tirava do foco com frequência. E essa é apenas uma das curiosidades em torno dessa figura emblemática que deixava gravadores ligados para registrar a voz dos espíritos e viveu cercada de de amantes – e cachorros. Homenageada da 16ª edição, ela fez poesia, prosa e teatro em torno de temas como o amor, a morte, Deus e a finitude, temas tão atuais que talvez justifiquem o renovado interesse por sua obra. Não dá para não ler. Nem que seja para não gostar. Um bom início é “Da Poesia” (Companhia das Letras), que reúne toda a sua produção poética, além de textos inéditos.

      Djamila Ribeiro
      Djamila é pesquisadora na área de Filosofia Política da Unifesp e autora de O que É Lugar de Fala? (Letramento) e Quem Tem Medo do Feminismo Negro?, o segundo e terceiro livros mais vendidos na livraria oficial da Flip. Considerada uma das vozes mais ativas do feminismo negro brasileiro, em seus textos ela estimula a leitura da produção de outras mulheres negras, caso de Patricia Hill Collins, Grada Kilomba e Sueli Carneiro. Na Flip, participou da concorrida mesa Amada Vida com a argentina Selva Almada.

      Selva Almada
      Aplaudida muitas vezes no encontro com Djamila, a escritora argentina é um dos nomes mais fortes da nova literatura de seu país. A violência contra a mulher e a conclusão de que é no abuso cotidiano que se sustenta o assassinato foram pontos centrais de sua fala. Para conhecer um pouco do seu texto, experimente O vento que Arrasa (Cosac Naify) e Garotas Mortas (Todavia), que trata da história de três casos reais de feminicídio na Argentina da década de 1980. Trash!

      Liudmila Petruchevskaia
      A escritora russa que teve obra banida da União Soviética até o final dos anos 1990 fez uma mesa-espetáculo na Flip. Sim, ela até cantou, num estilo meio karaokê, versões de clássicos como “Only You”. Mas de volta à literatura, Liudmila, que fez todo mundo rir no último sábado, é conhecida por suas histórias sobrenaturais que retomam a tradição dos contos folclóricos, com humor e uma carga política. É dela Era Uma Vez Uma Mulher que Tentou Matar o Bebê da Vizinha: Histórias e Contos de Fadas Assustadores (Companhia das Letras). Para quem já escolheu um livro pelo título, já fica a provocação.

      Júlia de Carvalho Hansen
      A astrologia é ganha-pão, inspiração e parte do processo criativo da poeta, astróloga e editora. Autora de cantos de estima (Douda Correria), O túnel e o Acordeom (Não Edições), alforria blues ou Poemas do Destino do Mar (Chão de Feira) e Seiva Veneno ou Fruto (Chão de Feira), ela sentiu maior receptividade com o seu texto primeiramente em Portugal. Foi ao morar por lá que ela, inclusive, (re)conheceu a língua mãe e passou a reinventar a sua escrita. Júlia é dessas figuras fantásticas, que encontra a si mesma no texto, toma ayahuasca, estuda i-Ching e a filosofia do tantra, e retorna tudo em poesia. <3

      Laura Erber
      Para Laura, estamos sempre nos tornando poetas. Alento até para os capricornianos mais práticos. Escritora, artista visual e editora, ela também é professora do Departamento de Teoria do Teatro e do Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da UNIRIO. São dela: Os corpos e os Dias (Editora de Cultura) e A Retornada (Relicário), Esquilos de Pavlov (Alfaguara) e os infantis Nadinha de Nada (Companhia das Letrinhas) e O Incrível Álbum da Pulga Picolina (Peirópolis) – este em parceria com Maria Cristaldi.

      Isabella Figueiredo
      Filha de portugueses que retornaram para Lisboa depois da independência de Moçambique, Isabella estudou línguas e literaturas lusófonas, sociologia das religiões e questões de gênero. O seu Caderno de Memórias Coloniais (Todavia) se tornou obra central no debate sobre racismo e o passado colonial português. Na Flip, a autora participou de um encontro forte, no qual contou nunca ter conseguido enfrentar o racismo e a violência com que seu pai, colono, tratava os negros. E sobre a experiência de pôde denunciar o preconceito depois da morte dele. É dela também o recente e comendato A Gorda (Todavia).

      Uma lista e tanto! Aproveita o fds pra colocar a leitura em dia e garantir as obras dessas autoras, mulheres criativas, que prometem fazer ainda mais sucesso pelo mundo afora 🙂

      03.08.18
    • livro escaldante

      O verão chegou sem nenhuma dúvida tem algumas semanas, mas agora a gente já pode dizer oficialmente que é verão, não tirar mais o biquíni da bolsa pra um eventual mergulho, andar de bicicleta rindo a toa pela Lagoa e vale até aplaudir o pôr-do-sol.

      E o que mais a gente pode querer no verão? Um bom livro. Sim, além de tudo, vale ter oficialmente "o livro do verão", aquele que vai embalar seus dias na praia, seus pés pra cima na beira da piscina, do rio, da lagoa ou onde quer que você esteja pra relaxar e se refrescar. E claro, já temos alguns eleitos, que prometem se encher de areia e nos encher de inspiração.

      Pra começar estamos encantadas com o livro do Lázaro Ramos, ator e ativista por instinto e vocação, que escreve com o mesmo carisma com o qual atua no livro "Na Minha Pele", no qual discorre sobre sua trajetória profissional, história pessoal e os efeitos do racismo em ambos, delicioso e importante.

      Falando em livro delicioso, "As Garotas" da americana Emma Cline é daqueles de deixar vidrada, de não querer desgrudar. O livro narra de maneira hipnótica a história de Evie, uma menina de 14 anos que se envolve com uma seita de hippies liderada por um homem enigmático no final da década de 60. Claramente inspirado na história de Charlie Manson, o livro fala sobre o despertar da liberdade e os perigos que se escondem no caminho.

      O livro da Djamila Ribeiro "O que é lugar de fala" acabou de ser lançado e já entrou pra nossa lista de desejos. A obra é essencial pra entender o conceito de lugar de fala sobre a perspectiva do feminismo negro, explicando o conceito e ao mesmo tempo trazendo ao conhecimento produções intelectuais de mulheres negras ao longo da história.

      Se feminismo é um interesse crescente, como estudo e modo de viver, também é importante passar pelo livro "Mulheres que correm com os lobos", que merecia se tornar um rito de passagem pra toda mulher. O livro mergulha nos arquétipos femininos através de lendas, contos e mitos, trazendo a tona o lado selvagem de todas nós.

      Pras apaixonadas por romances que devoraram até a última linha da tetralogia "A Amiga Genial" de Elena Ferrante, vale conhecer mais a fundo a obra da escritora anônima italiana com "Um Amor Incômodo", que dessa embarca na misteriosa busca de uma filha pelo passado de sua mãe.

      E você, tem alguma outra sugestão escaldante? Boa leitura… e um ótimo verão! 
       

      10.01.18
    • 40 anos sem Clarice(s)

      Quantas mulheres cabem numa pessoa, numa vida, numa folha de papel? Quantas mulheres você já foi hoje, ao mesmo tempo, desde que acordou, e o quão inteira você vai estar amanhã de manhã?


       
      Como tantas, Clarice Lispector era muitas, a escritora misteriosa que se rasgava em textos intensos que falam (e calam) cada uma de nós, mãe, esposa de um diplomata se dividindo em uma vida nômade e luxuosa, e depois, divorciada e prazerosamente solitária no Rio de Janeiro, aonde trabalhou como repórter, tradutora, entrevistadora e colunista pra completar a renda do mês.


       
      A escritora que nos deixou há 40 anos, recém completos esse mês, também era Tereza Quadros, Helen Palmer e Ika Soares, como assinava nas colunas sobre casamento, maternidade, beleza e moda, com dicas que podem parecer pra lá de frívolas se comparadas aos livros da mulher do coração selvagem.


       
      “Sejam vocês mesmas! Estudem cuidadosamente o que há de positivo ou negativo na sua pessoa e tirem partido disso. A mulher inteligente tira partido até dos pontos negativos. Uma boca demasiadamente rasgada, uns olhos pequenos, um nariz não muito correto podem servir para marcar o seu tipo e torná-lo mais atraente. Desde que seja seu mesmo.”, escreveu Helen Palmer em 1959 na sua coluna Correio Feminino: Feira de Utilidades.


       
      "A mulher inteligente não é escrava dos caprichos dos costureiros, dos cabeleireiros e dos fabricantes de cosméticos. Antes de adotar a última palavra da moda, ela estuda o efeito da mesma sobre seu tipo.".“Não saber parar de se enfeitar é como não saber parar de comer. Só que, na elegância, a indigestão é dos olhos”, disse Tereza Quadros entre outras tiradas que destilavam uma certa ironia e humor, que iam sutilmente liberando a mulher dos anos 50 e 60 pra uma vida mais independente, segura e livre.


       
      Como todas as Clarices que habitavam Clarice, essa mulher misteriosa, bela, brilhante e única, que merece ser celebrada mais do que nunca e sempre, por todas que foi e tudo que é!
       

      13.12.17
    • a vista do rio

      A Vista Chinesa, um dos pontos turísticos do Rio de Janeiro, assim como Cristo Redentor, Pão de Açúcar, Copacabana e tantos outros, guarda memórias e histórias mil das mais variadas épocas e pessoas. E nada melhor do que conhecermos ou relembrarmos algumas delas em um livro dedicado, né? A dica é o livro A Vista do Rio, que é lançado essa semana e fala sobre a trilha que corta a maior floresta urbana do mundo e as curiosidades que passam por lá!

      Dados históricos e fotos inéditas da região, além de 17 crônicas sobre pessoas anônimas e famosas, que fazem da Vista seu segundo lar são o pano de fundo da obra. Entre os entrevistados, Rodrigo Hilbert, Dado Villa-Lobos, Jayme Buarque de Hollanda, Dani Genovesi, padre José Maria e Renata Ceribelli. Com coautoria do fotógrafo Alex Ward – que tem mais de cinco mil cliques da região e não perde as pedaladas por lá, pesquisa de Patricia Pamplona e edição pela ID Cultural, o livro chega às livrarias esse mês.

      A paixão pelas palavras e pelo ciclismo é o fio condutor que uniu os autores com perfis bastante diferentes. Gustavo, aos 60 anos, ex-executivo e idealizador do projeto pedala 4 vezes por dias, e Luiza, aos 26 é jornalista, escritora apaixonada pela natureza, pessoas, esporte e poesia.  A dupla se conheceu na pós-graduação em Formação do Escritor na PUC do Rio e em pouco tempo, perceberam que a Vista rendia muito mais que um fim de semana.

      “O livro resgata a história da cidade, suas transformações e origens e a ressignificação de um espaço antes usado por aristocratas e que hoje é um dos principais pontos turísticos e rota predileta dos ciclistas cariocas”, conta Luiza.

      Através da pesquisa de Patricia, a primeira parte do livro apresenta dados históricos e curiosidades sobre a Vista Chinesa, além de fotos inéditas produzidas desde 1890! A ligação da região com a imigração chinesa, o espaço como área de lazer do imperador e da elite, mais tarde, a inauguração do mirante, e ainda a escolha da Vista como cenário de filmes nacionais e estrangeiros, incrementam a obra.

      Pra produzir a segunda parte do livro, os autores se uniram ao fotógrafo Alex Ward, que circula diariamente pela Vista, com a missão de selecionar pessoas que, por uma infinidade de razões, são a cara do lugar.

      “Todos que estão no livro têm verdadeiro amor pela Vista Chinesa. Alguns têm ali o seu trabalho, outros usam a área como ‘terapia’, exercício e até como sustento”, explica Gustavo.

      E olha que demais! No final da publicação a gente encontra o QR Code Vamos Subir a Vista, que traz um vídeo com imagens produzidas por drones e GoPro pra curtir, mesmo que de longe o visu do local.

      “Esse livro é um presente pros cariocas, a prova de que ainda temos crença nesse tesouro incrível que é o Rio de Janeiro”, contam os autores. Lindo, né?

      E claro, a gente já garantiu um exemplar pra nossa biblioteca!  Aproveita também pra ter o seu e ficar ainda mais in love por esse tesouro da nossa cidade maravilhosa 🙂
       

      06.12.17
    • mulheres revolucionárias

      Representação, força, voz e muita luta! Mulheres fazem história todos os dias em casa, com a família, no trabalho, na rua e na vida. Quantas delas você já viu em livros ou narrativas? Pioneiras nas áreas de direitos humanos, saúde, educação, ciência, cultura, entre outras, essas brasileiras lutaram por seus ideais e impactaram diversas áreas de atuação. Agora e finalmente (!) estão retratadas em “Extraordinárias: Mulheres que revolucionaram o Brasil”.

      Georgina de Albuquerque, Bárbara de Alencar, Dandara, Indianara Siqueira, Niède Guidon, Nise da Silveira, Dona Ivone Lara, Marta Vieira e Laudelina de Campos Melo são algumas das grandes brasileiras que trazem sua verdade nessa edição. O livro traz ainda a trajetória de cinco mulheres que não nasceram no Brasil, mas o escolheram como casa, como Lina Bo Bardi e Carmen Miranda.
      O volume é feito também por mulheres! Foi escrito pelas jornalistas Aryane Cararo e Duda Porto de Souza, que há mais de dois anos se debruçam sobre esta pesquisa, e ilustrado por artistas brasileiras, entre elas Veridiana Scarpelli, Yara Kono, Bárbara Malagoli, Joana Lira e Laura Athayde. 

      A Aryane é jornalista há vinte anos, com foco no universo materno e infantil, especialmente em literatura infantojuvenil e se uniu com a Duda que é responsável pela criação da primeira Biblioteca Multilíngue Infantil pública do Brasil, que fica em SP. Com foco na educação, ela se dedica também à arte contemporânea. Já participou do desenvolvimento de exposições de grande público com curadoria de Marcello Dantas no CCBB, além de atuar como consultora na criação da primeira galeria de arte de Manaus. Tá na cara que elas representam bem junto com as homenageadas, as grandes brasileiras que todas somos, né? 

      Falando nisso, na seleção, houve uma grande preocupação com a diversidade: trazer mulheres de etnias variadas, que viveram desde o século XVI até a atualidade, em diferentes regiões do país. O que se sobressai nas histórias reunidas é a força dessas protagonistas pra comunicar e promover mudanças em toda a sociedade, inclusive pros pequenos. O livro é totalmente adequado pras crianças, olha que demais! 

      Já amou muito como a gente? Então anota aí: esse domingo 19.11, rola o lançamento do livro com sessão de autógrafos das autoras na livraria argumento do leblon, no Rio. Em SP, a galera pode conferir no dia 24.11 na livraria da vila na vila madá. Por lá, além da sessão de autógrafos vai rolar um bate-papo com a Marinalva Dantas, auditora fiscal que libertou mais de 2.500 escravos em pleno século XXI, e outras convidadas.

      E pra ficar conhecer ainda + mulheres incríveis, a dica é conferir também a página as mina da história, que já contamos aqui no blog! Elas falam diariamente sobre tantas outras extraordinárias, que através de descobertas, invenções, atitudes ou pensamentos revolucionaram o mundo, e não poderiam jamais ser esquecidas. 

      Ah, se não der pra conferir o lançamento não deixa de garantir esse livro que já é referência pura! 
       

      17.11.17
    • um novo gigante

      Se ano passado o nome de Bob Dylan provocou frisson, entre pessoas que ficaram contentíssimas e outras que achara um absurdo, esse ano a Academia Sueca resolveu ser mais tradicional e anunciar, bem, o nome de um escritor como vencedor do Prêmio Nobel de Literatura. 

      O nipo-britânico Kazuo Ishiguro levou a honraria distribuída desde 1901 entre os escritores mais prestigiados do mundo, entrando pro mesmo hall de José Saramago, Gabriel Garcia Marques, Doris Lessing, Samuel Beckett, Pablo Neruda… é, falta um brasileiro, e embora o nome de Lygia Fagundes Telles tenha aparecido entre os concorrentes desse ano, ainda não foi dessa vez.

      Mas quem é mesmo Kazuo Ishiguro? Nascido em Nagasaki, cidade que foi uma das devastadas pela bomba atômica na Segunda-Guerra, o escritor se mudou ainda criança pra Inglaterra, carregando pra sempre o legado do pós-guerra, e um pouco do contraste entre as duas culturas pra sua obra.

      Entre seus romances se passam relatos reflexivos de memória, de um futuro distópico ou de um presente que mescla estrangeiros em novas terras e dentro de si, num processo que ele mesmo chama de "escrever e recordar", mesmo que seja sobre um passado que ele não viveu.

      Com oito livros impressos, entre eles Quando Éramos Órfãos, Noturnos e o mais recente, O Gigante Enterrado, a obra de Ishiguro também se transformou em dois ótimos filmes que você deve ser visto: "Vestígios de Dia" com Anthony Hopkins e Emma Thompson, e o mais recente e bem bonito "Não me abandone jamais", com Carey Mulligan, Andrew Garfield, Keira Knightley no elenco.

      Uma boa maneira de conhecer a obra do autor, e quem sabe virar mais uma fã desse cara discreto e apaixonado por música, que acaba de entrar pra um time seleto e admirável. Que sim, ainda precisa de um representante do Brasil!

      10.10.17