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sua mochila está vazia

    • FARM entrevista: Maíra Senise

      Na maioria das vezes vira uma tela, mas vez ou outra uma forma salta do plano, teima em subir pela mesa, enfeitar o pescoço, ou sabe-se lá. Que seja de pendurar na parede, de vestir, tocar ou folhear, que continuem sendo múltiplas as criações da Maíra Senise, que continuem não se bastando, que sejam tudo que podem ser.

      Em 2015 fomos bater na porta de seu atelier pra ver de perto seus seres docemente estranhos que, apesar da carreira fresca, já apontavam pra uma assinatura pessoal, irresistível e inconfundível. De lá pra cá, a artista se instalou em NY pra estudar arte, criou a coleção Seres do Mar pra nossa Fábula e deu rumos ainda mais concretos pra carreira na gringa, com uma expô na Galeria Machete no México, com direito a ninguém menos que Kim Gordon, do Sonic Youth, como visitante. 
      Filha da cineasta Paula Gaitán e do pintor Daniel Senise, irmã do cineasta Eryk Rocha e da cantora Ava Rocha, o incrível DNA da artista não é suficiente pra justificar toda a sua potência artística. Os traços, que já viraram criações de moda, zines, objetos de cerâmica ou quadros, são dela e partem de um universo particular, por onde circula uma fauna meio cute, meio punk, com liberdade infantil e cores que você quer ter e vestir agora. 

      Pra saber um pouco mais sobre os próximos voos de Maíra, batemos um papo superanimado com ela. Vem ver! 

      Rio e NY são cidades com energias muito diferentes. Como cada uma te inspira?
      Sim, totalmente. Rio é casa, é o lugar que eu me conecto direta e inevitavelmente, e com o qual eu tenho um vinculo familiar muito forte. Apesar disso tudo, foi Nova York que me tornou adulta, e é onde consigo me encontrar com mais potência e em mais contato com o que eu sou. Acredito que mais que tudo essa sensação vem pelo fato de estar longe de um lugar confortável pra mim (como era o Rio), e ter que reconstruir tudo novamente, amigos, trabalhos, casa, etc. Sempre tem períodos mais divertidos, outros mais difíceis, mas no fim, foi muito importante para mim me entender longe da minha cidade natal e conhecer novas pessoas, totalmente neutras sobre outros pontos pessoais da minha vida. 

      O calor familiar do Rio me inspira, assim como meus lugares favoritos de lá: Saara, brechós do Largo do Machado, passear de carro pelo Aterro. Nova York me inspira pelo proprio dia-dia, poder transitar por varios pontos da cidade, alguns mais lindos outros mais industriais, muitos lugares novos todos os dias, restaurantes de todas as nacionalidades, e minha casa nova, pela qual estou totalmente apaixonada. 

      A moda ainda permeia sua vida? É comum sentar pra pintar e sair um croqui, ao contrário de quando o estilo era carreira principal e a arte um hobbie?
      Pintando nunca saem croquis, mas saem desejos de usar roupas como suporte pra algumas ideias que saem em telas. Saem muitos desejos de padrões, bordados. Penso muito algumas peças únicas como túnicas, jeans e bonés com bordados industriais. Sempre fico adiando concretizar esses projetos, vamos ver se saem até o fim desse ano. 

      Como foi criar uma coleção pra crianças, despertou memórias? Como foi o processo de criação?
      Foi incrível. Nunca fui tão realizada fazendo estampas como foi para a Fábula. A Marta (Rodrigues, diretora criativa da Fábula) me deu um tema base, e a partir dele total liberdade pra fazer estampas usando meu traço mais ilustrativo e figurativo. Tentei explorar o lado mais naif dos meus desenhos, usando materiais mais leves como pastel e aquarela. Depois disso, eu e Marta fomos trocando alguns esboços, até chegar no resultado final, que entrava de acordo com a cartela de cor da Fábula.
       

      Sua família transita (incrivelmente) por diversas expressões artísticas. Como é a troca, o que a arte deles traz pro seu trabalho?
      Eu converso muito com minha mãe sobre meus projetos. Eu admiro muito ela, por toda sua radicalidade e dedicação com sua obra. Ela sempre colocou a arte na minha vida de uma maneira muito orgânica e muito sensorial, muito no dia-dia. Mesmo quando eu trabalhava com moda ela me pressionava pra manter o máximo do meu espirito intelectual ativado, por meio de filmes, livros e exposições. A transição pras artes plásticas foi um processo um pouco conturbado pra mim, porém natural, e a minha mãe e meus irmãos sempre me apoiaram nisso. 
      Meus irmãos e eu também temos um diálogo muito rico. Eles sempre me apoiam, e tentamos fazer alguns trabalhos juntos: com a Ava fiz a capa e ilustrações do seu ultimo disco, com meu irmão mais velho Eryk, já fiz alguns dos figurinos dos seus filmes, e com meus irmãos mais novos sempre conversamos muitos, temos algumas ideias de trabalhos em grupo, até relacionados à música. Eu tenho sorte de estar rodeada de pessoas tão admiráveis. 

      E os zines (espécie de livretinho independente – a gente já falou deles aqui!), ainda tem tempo pro desejo impresso?
      Volta e meia faço um zine ou outro, alguns com tiragens bem pequenas e impressões bem artesanais. Gosto muito da independência que o zine te dá: depende de você produzir o conteúdo, imprimir e tentar vender por aí, por um preço justo. Agora estou no processo de um trabalho gráfico, que até podemos chamar de zine, mas com menos desenho e muitos textos e entrevistas. Em breve vocês verão por ai 

      E quem não vai querer ver (ter, usar, ler..)? 
      24.03.17