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    • FARM entrevista: TOZ

      Há pouco tempo, o grafiteiro TOZ, que a gente é fã, lançou a expô 'Povo Insônia', como parte das comemorações de 25 anos do projeto 'Os amigos da Gravura', influenciada pelos cantos, danças, ritos e passagens da cultura afro-brasileira. A expô fica em cartaz até janeiro de 2018 no Museu Chácara do Céu, em Santa Teresa – Rio de Janeiro – e a gente foi lá trocar uma ideia com ele. Só lindeza! 

      – Você nasceu e cresceu em Salvador e teve suas origens baianas sempre o influenciando. Conta um pouquinho da sua relação com a estética da cidade e com a cultura afro-brasileira, que sobretudo na Bahia se manifesta tão viva:
      Eu morei em Salvador até os 14 anos. Lá eu fazia capoeira e frequentava as feiras e festa populares de rua com meu pai, fui muito no Pelourinho e principalmente na feira de São Joaquim, onde tem todo tipo de produto, de animais a tecidos super coloridos. Salvador é uma cidade colorida onde existe muitas misturas. Acho que isso sempre enriqueceu minha criatividade. Gosto de misturar essas influências. 

      – E desde pequeno você já mostrava o amor pela arte. Como isso foi se desenvolvendo dentro de você?
       Sim, desde pequeno. Minha mãe estudava arte quando eu ainda era criança, então sempre teve muito material para eu fazer minha experiências… Sempre desenhei e as paredes do meu quarto sempre foram liberadas, acho q minha família entendeu rápido qual caminho eu ia seguir.

      – O que o Insônia representa pra vc?
      Um herói contemporâneo, que traz com ele dois lados sempre, não é nem só do bem nem só do mal, transita pelas florestas e pelas cidades. 

      – Quais os artistas que te influenciam na literatura, na música e nas artes visuais? 
      Li mais escritas em quadrinhos do que livros na minha vida, então posso falar que o Frank Miller. Na música, tenho muitos… Escreveria durante horas os nomes, mas Jorge bem, Gilberto Gil, Marcelo D2, Mundo livre S/A e muito reggae fazem minha cabeça há anos. Nas artes visuais, gosto de quadrinho, arte morderna e contemporânea, neo concreto. Os nomes são muitos mas Helio Oiticica, Di Cavalcanti, Cicero dias, Iberê Camargo, Adriana varejão, Carlos vergara e Ernesto Neto seria um bom time pra mim. 

      – Você é um dos principais nomes da arte de rua. Como você enxerga isso em Salvador hoje? E como tava esse lugar quando chegou no Rio?
      Em Salvador tudo é mais difícil. Lembro que quando eu andava de skate na década de oitenta, nem o asfalto era legal pra andar, comprar matérias legais era impossível quase, tudo demora mais pra chegar, mas no graffiti a cena é forte, tem vários expoentes. Curto muito Soon, Dimak, Fael, Limpo, Peace entre outros. Cada ano que passa aparecem novos e com qualidade, sempre que vou eu pinto com algum deles. Quando eu cheguei no Rio, também não tinha graffiti. No começo dos anos 90, só tinha pichação e briga de gangues nas ruas, o graffiti apareceu junto com o movimento hiphop na Lapa que eu tive a felicidade de ver frenquentando a tradicional zoeira hiphop, onde todos que tinha interessem iam pra trocar informações… não tinha internet direito, não era tão fácil. Me sinto um iniciante sempre que faço arte. 

      – Você traz personagens muito lúdicos pra rua, tem um lado afetivo pra um ambiente que é hostil. Qual é o lugar do afeto na sua vida?
      Sou carinhoso e atencioso com todos. Cresci cercado de amor e compreensão, não posso ser diferente, então desenho o que sou e sinto! 

      –  E, claro, a gente não pode deixar de perguntar, já tem algum projeto futuro em mente?
      Tenho muitos projetos pro futuro. O principal é o desenvolvimento de uma série de desenho animado com o estúdio 2D lab. Tô muito feliz de dar vida aos personagens. 

      A gente já tá na maior ansiedade pra ver os personagens ganhando vida e fica a dica: passa na expô pra conferir tudo de perto. O Toz é incrível! 

      22.09.17