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sua mochila está vazia

    • farm entrevista: pedro antônio gabriel

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      Pra limpar a boca ou até passar uma cantada pra mesa do lado. Esses são os usos mais comuns do guardanapo, artigo tão discreto no dia-a-dia. Mas o publicitário Pedro Antônio Gabriel, de 29 anos, vê no objeto matéria-prima pra espalhar por aí a sua poesia. Ele é dono de uma página pra lá de curtida,”Eu me chamo Antônio“, projeto que dá hoje mais um passo à frente!

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      É porque esta quinta rola, na Livraria da Travessa, o lançamento do primeiro livro dele, editado pela Intrínseca. A gente bateu um papo com o “Antônio”, quer dizer, Pedro (ou os dois!), ó só:

      Como você deu o start nessa história?

      Estava voltando de um dia cansativo de trabalho e parei pra tomar um chope no Café Lamas, um bar tradicional aqui no Rio, e de uma forma natural e espontânea nasceu o primeiro guardanapo. Percebi que precisava registrar todo o material acumulado (em apenas sete dias, 20 guardanapos). Por ser um material descartável e frágil, decidi fotografar e compartilhar em uma página no Facebook. “Eu me chamo Antônio” surgiu dessa vontade de me expressar, de dividir meus sentimentos e colocar no papel tudo o que não consigo dizer.

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      E sobre o livro, como surgiu essa ideia? Partiu de você ou foi uma sugestão?

      O convite partiu da própria editora Livia de Almeida, que cuida dos títulos nacionais na Intrínseca. Trabalhamos juntos em 2010, em uma empresa de compras coletivas; ela era minha chefe e eu era redator publicitário. Tomamos novos rumos, mas mantivemos o contato. Livia sempre acompanhou a página e, para a minha surpresa, me ligou dizendo que a Intrínseca tinha se interessado pela minha arte e que gostaria de editar o meu primeiro livro.

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      Qual a frase de que você mais gosta?

      A frase de que mais gosto é uma que consta no livro: “Eternize as suas mais belas lambanças.” Escolhi essa porque a composição fotográfica aliada ao texto do guardanapo ficou perfeita. Se o leitor reparar nas páginas duplas (136 e 137), a imagem sugere que o Antônio está fotografando sua musa inspiradora. Uma curiosidade de bastidores: minha irmã mais velha é a autora da foto. Ela a fez durante uma viagem pela Alemanha. Tenho um carinho especial por essa página dupla.

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      Antônio é um personagem totalmente fictício ou você se inspirou em alguém que conhece/emprestou um pedacinho de você?

      Antônio é um personagem de um romance que está sendo escrito e vivido, e confesso que tem muito de mim nele, como se fosse meu alter ego. Acredito que não tem apenas um pedacinho de mim: empresto minhas vivências e transfiro a observação do cotidiano para o personagem. Sou eu e muitas outras pessoas que contribuem para o “universo” do Antônio.

      Por que guardanapos? E quanto tempo você dedica ao projeto?

      Como tudo começou no balcão de um bar, o guardanapo era o único material disponível na hora. O formato e a textura do papel casavam com a minha arte. Eu me dedico ao projeto três vezes por semana, no mínimo. Me preocupo em oferecer aos meus leitores um material inédito e ainda me esforço para responder às inúmeras mensagens e comentários recebidos todos os dias.

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      Como você se inspira?

      Pode ser clichê, mas praticamente tudo me inspira. Tenho uma queda por dois assuntos: amor (no sentido mais amplo, não somente o relacionamento do casal) e liberdade. Não conseguiria explicar, mas isso me atrai bastante. Algum poeta ou escritor preferido? Arnaldo Antunes, Paulo Leminski, Mario Quintana, Robert Indermaur (pintor suíço que admiro), Art Spiegelman (ilustrador e castunista americano) e Ricardo Liniers (quadrinista argentino).

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      Fala um pouquinho sobre você. De onde veio, o que faz além desse projeto lindo?

      Eu nasci em N’Djamena, capital do Chade. Cheguei ao Brasil aos 12 anos e a partir da dificuldade na adaptação à língua portuguesa, comecei a observar a sonoridade e a grafia das palavras. Isso me ajudou muito e me deu condições para brincar com as letras e encontrar a minha forma de expressão artística. Durante o meu tempo livre caminho no Aterro e no Largo do Machado ouvindo música, de preferência as músicas da França e de Cabo Verde. Cartola e Paulinho da Viola são meus compositores preferidos.

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      E novos projetos? Já tem alguma coisa em mente? “Eu me chamo Antônio” continua?

      Tenho várias ideias, muitos planos. Mas acompanhar o lançamento de um livro é tão interessante, e sinto que preciso viver esse momento. Estou curioso para conhecer cada leitor, tudo é novidade para mim! E acredito que as pessoas que me apoiaram durante essa trajetória merecem minha dedicação.

      Nos vemos hoje lá? 😉

      21.11.13