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    • FARM entrevista: camiz

      A gente ama graffite. Em uma das nossas andanças pelo Rio procurando um lugar legal pra fotografar uma campanha, nos esbarramos com a arte da Camila, mais conhecida como Camiz. Foi amor à primeira vista. 

      Chamamos ela pra um papo bom sobre arte e sobre a mulher na arte de rua. Descobrimos que as imagens da Camiz são palavras. Lê com atenção, vai… 

      O grafite é uma intervenção artística que ocupa os espaços públicos e adentra questões fundamentais como território, representatividade, a rua como espaço social. Como você define a ideia de 'ocupar os espaços públicos'? 
      Ocupar é preciso.Principalmente se você vem de onde eu vim. A rua é a melhor plataforma de manifesto. O território é nosso, de todos. Pintar na rua foi a melhor forma que encontrei de me comunicar com as outras pessoas que estão além do meu ciclo comum, qualquer pessoa pode ver. E não é comunicar impondo minha opinião sobre algo, através da pintura, sinto que é possível abrir portas para interpretações variadas. É uma troca. Aprendo muito com o retorno do olhar do espectador que é tão revelador. As pessoas entendem ou não, respeitam, ou não, amam ou detestam.

      Você é mulher, artista de rua, mãe. Como você vê a sua relação com o feminino, como mulher-artista, desde 2010 (quando você começou) até hoje? Inicialmente era bem ruim, mas na época não tinha tanta consciência do quanto era ruim mesmo! Quando comecei a cena no Rio era masculina, e eu estava começando, o que dificultava mais ainda as interações. Hoje, graças a deusa, sei quem sou, e tomei de volta meu lugar de fala, que até então não existia! Os meninos não eram fáceis, nunca são,  mas encontrei algumas pérolas no caminho.O que posso dizer é que hoje valorizo meu gênero, dou ênfase a ele sim, faço tudo como uma mulher.

      Essas mudanças reverberam diretamente na sua arte, né? Diretamente e indiretamente, por todos os lados, rsrs.

      Qual sua memória afetiva em relação à arte? Isso te levou pro grafite? 
      Olha nunca tive ninguém no passado, família, que tenha me motivado, de forma que me fizesse acreditar em desenhar até os 20 anos. Eu sempre escrevi poesias, um dia na escola na primeira série, escrevi uma redação e minha professora me disse que eu nunca deveria parar de escrever, até me deu um prêmio por isso. Acho que esse foi meu maior incentivo artístico da vida. Eu continuo escrevendo, geralmente muito subjetiva, às vezes violenta, tudo que pinto, tudo que desenho é fruto de coisas que escrevo, até quando escrevo só com meus olhos, só com meus pensamentos. Se você perceber, essas pinturas são todas as minhas palavras. 

      Além do grafite, você também é tatuadora. A tatuagem chegou como na sua vida? São corpos e espaços diferentes para celebrar sua arte…
      A tattoo chegou mais como um apoio financeiro. Foi logo depois que o Bento nasceu, meu companheiro e eu precisávamos de mais grana. O início pra mim foi tenso, eu tinha muito medo, é uma grande responsabilidade. Até que parei por um tempo, e recomecei aceitando tatuar somente quando fosse totalmente autoral, o que foi muito mais prazeroso de realizar. 

      Conta como foi seu processo de se 'assumir' artista? De entender que você é grafiteira, que essa é uma escolha profissional também… Como foi isso?
      Olha foi quando eu deixei a vida de assistente de cenografia e decidi me dedicar exclusivamente ao meu trabalho artístico.E também quando fiz meu primeiro trabalho de mural com outros grafiteiros. Aí pensei: – Viu! é possível! Hahaha

      E suas pesquisas de referência, história, inspiração: quem são as pessoas te inspiram? 
      No momento meu trabalho esta voltado para as minhas raízes, para os lugares de onde vim, as pessoas de lá, seus dialetos, para a cultura periférica. Mas também tenho muitas pessoas!
      Muitas pessoas tenho relações diretas, são meus amigos, meus chegados. Me inspiro muito nas relações, em atitudes comuns ou não, das pessoas. No graffiti mulheres como: Lídia Viber, Panmela Castro, Tereza de Quinta…. e boys como Miguel Afa, Kid, Memi, ….pintoras como Frida Kahlo, escritoras como Alice Ruíz…. Poderia escrever uma página aqui de gente incrível. 

      Opa! E a gente apoia a lista e acresce a Camiz como nossa inspiração também. Que venha um livro de imagens… 

      21.05.18