• Tire suas dúvidas sobre pedidos, trocas e devoluções.
    Atendimento nos dias úteis das 9h as 18h.
  • Receba dicas de estilo, via Whatsapp, para realizar uma compra personalizada!

sua mochila está vazia

    • [catarina escreve]


       

      (…)
      “eu sempre espero 
      você chorar
      quando a voluntários passa rápido
      pela janela do ônibus e os nossos olhos
      apreensivos
      com as mudanças
      que você nota na cidade e eu noto
      em você
      a cidade suja
      e eu noto em você
      o resultado de uma bela tática —
      a gente pode marcar um encontro.”
      (…)
       
      poema “como uma louca abraçada a um ramalhete de rosas que ela pensou ser um paraquedas”, do livro Parvo Orifício.
       
      Rupi Kaur, Matilde Campilho, Ana Cristina César, Ana Martins Marques. Nunca se falou tanto sobre a poesia feita por mulheres. A possibilidade e a facilidade de se publicar na internet, a multiplicação de revistas digitais e os encontros fora da rede, como o sempre bem sucedido Mulheres que escrevem () e o Slam das minas, com certeza são fatores que têm ajudado muito na divulgação do olhar feminino diante do mundo. Com o objetivo de fazer parte desse movimento lindo e divulgar essa mulherada que anda escrevendo coisas incríveis, a gente apresenta a vocês a jovem poeta Catarina Lins.

      Cata é um desses novos nomes que traz, em sua poesia, um passeio delicioso por diversas situações, lugares e minúcias do cotidiano de uma jovem escritora. O adoro! foi bater um papo com ela pra contar um pouco sobre como é esse processo de tornar-se poeta e sobre o seu terceiro livro que já está no forno — O teatro do mundo.

      Catarina Lins tem 26 anos e é capricorniana. Nasceu em Florianópolis e veio para o Rio com 19. Queria estudar cinema mas, por um desvio de caminho, acabou optando pelo curso de formação de escritor na PUC-Rio. O interesse pela poesia veio só no último ano da graduação, quando ela entrou numa oficina de poesia. “Era basicamente um curso que ensinava as pessoas a ler poesia, e não a escrever. Todo mundo chega na Universidade sabendo como ler prosa, mas com a poesia é um pouco diferente. Não acho que seja mais ‘difícil’, mas ler em voz alta, reler quantas vezes forem necessárias, percebendo o ritmo, as pausas, são coisas que ajudam. O poema pede um outro tempo.”, contou.

      E foi em meio a essas oficinas que Cata percebeu que queria ser poeta. Além de se dedicar à poesia, ela também segue sua vida acadêmica, pesquisando as gravações de voz realizadas por poetas, no mestrado na PUC. Na sua pesquisa, Cata pensa o poema nessas gravações e observa o papel da voz como um trabalho de criação, pra além do arquivo.

      Aliás, sonoridade é um dos pontos altos da poesia da Cata. Os poemas têm um ritmo único e, conversando com ela, descobrimos que talvez muito desse ritmo tenha vindo porque a Cata já foi baterista. “De uma certa forma, as coisas acabam se misturando. Pode ser que eu tenha encontrado, na escrita, um outro modo de trabalhar essa questão do ritmo", revelou. 

      O processo criativo da escritora varia de acordo com cada projeto, mas a base são as anotações em caderninhos (). “Varia pra cada trabalho, claro, mas eu costumo ir anotando coisas ao longo do dia, ao andar pela cidade, viver situações ou, às vezes, algum amigo fala uma coisa também, enfim.”

      Sobre as suas referências, elas não ficam só nos livros. Na casa da Cata as referências ganham as paredes, as prateleiras, murais, pequenos desenhos e colagens. Tudo parece ser inspiração para os seus poemas, e Frank O’Hara segue sendo um de seus maiores ídolo: “Uma ideia importante pra ele, e também pra mim, é a de que o poema está entre duas pessoas, e não entre duas páginas”. Roberto Bolaño, Lawrence Ferlinghetti e William Carlos William, e as mulheres, claro, como Angélica Freitas, Matilde Campilho e Adília Lopes são outras inspirações.

      Falando em mulheres, conversamos sobre como ainda é difícil ser mulher e escritora. Foi de uma percepção como essa que Cata se aproximou de Julia Klien, criando com ela a revista virtual vera k: “A Julia foi minha primeira editora e tivemos primeiro a relação de editora/poeta pra depois virarmos amigas. Foi justamente depois de uma ida à FLIP que ficamos refletindo sobre como precisávamos ter um espaço pra alojar o trabalho de certas poetas mulheres, que não enxergávamos nas publicações usuais. Foi daí que tivemos a ideia de criar a vera k.”

      Afirmar-se como escritora e poeta, e divulgar a produção de outras mulheres, é um trabalho essencial pra que a gente cresça. “Às vezes tenho a sensação que parece meio errado você dizer que é escritora, poeta, talvez pela imagem que eu acho que vai aparecer na cabeças das pessoas. Só que é isso: meu ofício, pelo menos por agora, é escrever. No fim, acho que precisamos falar mesmo: sou poeta. Como os homens sempre falaram, sem duvidar. Só assim vai parar de soar estranho.”

      Com o seu terceiro livro, O Teatro do Mundo, prestes a sair pela editora 7letras, que é praticamente um livro-poema — uma encenação do mundo em forma de poema, que ocupa 140 páginas —, além de uma participação no livro "É agora como nunca" (Antologia de poetas da nova geração), publicado pela Companhia das Letras e editado por Adriana Calcanhoto, e após o lançamentos de seus dois primeiros livros, Músculo pela 7letras e Parvo Orifício pela Editora Garupa, nós do adoro! podemos afirmar em todos os sentidos e com toda a certeza que Catarina Lins é sim, uma poeta. Jovem e promissora, pronta pra inspirar várias outras meninas que escrevem por aí. Vida longa à poesia feminina

       

      21.05.17